25 de agosto de 2008

Lei seca


Este é um país de extremos, de contrastes e de contra-sensos. Depois da publicação da lei seca que reduz a zero, o teor de álcool permitido, podemos acompanhar como mudou a atuação da nossa policia, em particular e das autoridades do transito em geral.

A forma adotada é a da punição, ficou no caminho o bom senso e a educação, mesmo que o Código Brasileiro de Transito diga explicitamente que o objetivo do código é primeiro a educação e só depois a fiscalização.

A atitude de emboscar os condutores na saída de bares, restaurantes e similares, com forte aparato policial, para multar, prender e rebocar. Alias nada que a policia não poderia ter feito antes da implantação da chamada lei seca, quando os teores de álcool permitidos para os motoristas, mesmo sendo maiores que os atuais, eram tão baixos que muitos países desenvolvidos ainda os continuam permitindo.

O bom senso leva a supor, que se as autoridades do transito tivessem feito antes o que a lei autorizava e permitia já no passado os números de acidentes de transito causados por excesso de álcool já teriam reduzido e o nosso transito seria hoje mais seguro. Os nossos hospitais teriam recebido menos feridos e as unidades de emergência e traumatismo teriam tido muito menos trabalho. A omissão do passado, tem nos conduzido aos excessos do presente.

Nada impediria a uma policia voltada a educação e a prevenção, circular pelos estacionamentos de bares e restaurante e usando o bafômetro de modo preventivo, identificar os motoristas que não teriam condições de dirigir. Com menor truculência e aparatosidade conseguiriam o efeito pretendido, evitar que aqueles que tenham bebido possam dirigir.

Claro que o numero de multas e prisões diminuiriam sensivelmente. Mas o objeto da lei deve ser prioritariamente o da educação e a busca de segurança no transito.

Identificar os motoristas que não estejam dentro dos limites da lei, antes que possam dirigir, alem de ser mais seguro para todos, ajuda a construir uma sociedade que trata ao individuo com respeito e prioriza a educação. A opção pela punição e pela multa, nos traz a um modelo de sociedade em que o valor pecuniário se antepõe ao valor do individuo.

Ao final qual é o objetivo que queremos, um transito mais seguro? Ou arrecadar mais com multas mais altas?

Publicado no A Noticia

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