17 de julho de 2012
5 de fevereiro de 2010
Calçadas ecologicas ou ilogicas
Parece que o dito popular de “Quanto mais rezo mais assombrações me aparecem” nunca foi mais certo. Tenho rezado com fervor a Santa Bárbara, padroeira dos bombeiros, arquitetos e construtores. Invocando a sua proteção contra trovões, tempestades e o fogo. Aparentemente sem muito sucesso.
A prefeitura de Joinville como resultado da ação coordenada do IPPUJ, a Conurb e a Fundema, tem proposto e divulgado a chamada calçada ecológica. Eu não entendi direito o que tem de ecológica, mas como agora é moda que tudo seja ecológico, os marqueteiros de plantão devem ter achado conveniente que as tradicionais calçadas recebam nomes novos, no permanente processo de revitalização em que vivemos, então temos agora calçadas legais e as calçadas ecológicas, o que implica dizer que as outras são ilegais ou antiecológicas.
Acho perigoso quando pessoas que saem pouco do conforto do ar condicionado se propõem a estabelecer padrões e normas para soluções que ficam fora do escritório, como calçadas, praças, jardins e canteiros. Em geral o resultado não é o esperado, porque o mundo real funciona diferente do mundo teórico. O projeto da calçada ecológica lembra a historia da criação do camelo, que foi o resultado do trabalho de uma comissão, que tinha como objetivo criar um cavalo.
A calçada ecológica se diferencia de uma calçada convencional, porque incorpora uma estreita faixa de grama, que recebeu o nome de caneleta da serviços. O objetivo desta caneleta é de colocar nela todas tubulações e o cabeamento necessário aos serviços públicos. A idéia tem erros básicos:
1.- Ao propor o compartilhamento no mesmo espaço de tubulações e raízes de arvores, a possibilidade de que as segundas interfiram nas primeiras é alta.
2.- Imaginar que as raízes das arvores não se desenvolverão na direção da caneleta de grama implica conhecer pouco de desenvolvimento de raízes e plantas.
3.- Quaisquer intervenção na caneleta implicará comprometer, cortar e ferir as raízes das arvores existentes na calçada, comprometendo o desenvolvimento das próprias arvores.
4.- O embarque e desembarque de passageiros pisando sobre a área gramada é pouco recomendável, tanto para a grama, como para os passageiros, agrega insegurança e compromete o desenvolvimento da grama.
5.- O elevado custo de manutenção de kilometros de uma estreita faixa de grama, numa cidade que não consegue manter nem as poucas praças e espaços públicos que tem parece a menos inteligente das opções. O gramado em Joinville requer uma media de 12 cortes ao ano. Um custo insustentável para uma prefeitura que não consegue nem podar as arvores das ruas de forma regular. Em Joinville pela nossa retrospectiva, a possibilidade de que a faixa de grama vire uma faixa de mato é alta.
Para concluir a única razão que justifica o uso do paver, é a sua facilidade de remoção e recolocação para ter acesso a tubulações e cabeamentos enterrados, vantagem esta que está sendo desconsiderada pelos técnicos. O bom senso recomenda que raízes e tubulações sejam mantidas distantes e que os custos de manutenção sejam mantidos baixos. Alguém deve ter gazeteado nesta aula.

