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5 de outubro de 2013

Formando uma boa equipe


Para administrar um país, um estado, uma cidade ou uma empresa é imprescindível saber formar uma boa equipe. Não é mais possível gerenciar tudo nos menores detalhes, o modelo centralizador há sido superado pela complexidade da administração e saber escolher as pessoas certas é um dos maiores desafios que deve ser enfrentado.

Warren Buffett, na hora de contratar pessoas para formar a sua equipe, procura três características: Inteligência, energia e integridade e acha que se não tiver a ultima, não há que se preocupar em verificar se tem as outras duas. Como é difícil que encontremos candidatos que reúnam as três, acabamos escolhendo diversas combinações entre todas as possíveis. Em quanto a maioria considera que os estúpidos são o maior problema, estou convencido que os inteligentes sem integridade são muito piores. Com ou sem integridade é mais fácil ser liderado por uma pessoa pouco inteligente que por uma inteligente.

Erich Von Manstein, um dos maiores estrategistas militares da Alemanha de Hitler, considerava a Kurt Von Hammerstein-Equord ex- comandante em chefe do Ministério da defensa do Reich, um dos homens mais inteligentes que tinha conhecido. Ambos desenvolveram um interessante conceito de seleção de pessoal que já é amplamente seguido na iniciativa privada e poderia ser aplicado na administração pública, se o componente político partidário não tivesse um peso desproporcional no preenchimento dos cargos.


Eles dividiam os seus generais em quatro grupos. Há os inteligentes, os diligentes, os estúpidos e os preguiçosos. Em geral é possível encontrar indivíduos com duas características ao mesmo tempo. Alguns são inteligentes e diligentes, seus lugar é no gabinete do alto estado maior. Outro grupo é o dos estúpidos e preguiçosos, que formam aproximadamente 90% de cada exercito e são dirigidos para os trabalhos administrativos e de rotina. Qualquer um que seja ao mesmo tempo inteligente e preguiçoso é selecionado para os mais importantes postos de liderança, porque tem a capacidade para essa difícil tarefa. Os mais perigosos são os estúpidos e diligentes porque são esses os que sempre causam os maiores problemas.

Publicado no jornal A Notícia de Joinville SC

4 de novembro de 2012

Sem esperar milagres



A eleição colocou em pauta a maioria dos temas que preocupam a sociedade. é verdade que nem sempre as respostas foram concretas e precisas. Os marqueteiros por um lado, os debates com a sua rigidez por outro e a redação às vezes dúbia dos planos de governo geraram muitas duvidas que devem permanecer por um longo tempo martelando a cabeça dos eleitores.

Concluído o segundo turno a sensação do eleitor no primeiro momento foi de alivio. Acabou já temos um novo prefeito e quase que simultaneamente uma onda de otimismo se espalhou pela cidade. Esta euforia que com tanta facilidade nos faz acreditar que tudo se resolverá facilmente e que só com a torcida os problemas desaparecerão como num filme da Disney, esta torcida é ao mesmo tempo nossa força e nossa perdição. Parte dos joinvilenses acredita de forma quase infantil que a partir do dia primeiro de janeiro tudo melhorará que não haverá mais buracos nas ruas, que diminuirão as filas na saúde, que um novo parque será inaugurado no próximo mês e que todos os prédios públicos estarão reformados e nenhuma escola estará interditada. A verdade nua e crua é que nada disso sucederá num abrir e fechar de olhos.

É bom lembrar que a maioria dos 12.000 funcionários municipais são concursados e formam parte do quadro efetivo. Fora a troca natural dos cargos de primeiro escalão e da maioria dos cargos de confiança a estrutura publica permanecerá a mesma. O novo prefeito não tem uma varinha de condão para mudar os processos, para fechar estruturas obsoletas, para cancelar funções que não existem mais. Fazer com que esta estrutura passe a ser mais eficiente não é um problema só local, em todo o pais a estrutura pública aumenta, fica menos ágil, mais burocrática e mais custosa.

Os princípios básicos da administração qualificada são planejar, organizar,dirigir e controlar e o que devemos esperar de um prefeito eleito pelo seu perfil de administrador é que faça exatamente isso. Para alguns eleitores pode parecer pouco emocionante que as coisas sejam planejadas. O ideal é que sejam bem planejadas. Que a administração funcione de forma organizada pode, em alguns casos parecer coisa de magia, mas é possível. Há inclusive exemplos. Dirigir deve ser a ação em que o novo prefeito mostre maior habilidade e experiência. Controlar uma estrutura complexa, que segue ritos e legislações próprias, e que ao longo dos anos tem desenvolvido mazelas e manhas particulares, será o maior desafio para que a administração seja de fato limpa e honesta.

 Bom seria não esperar nenhum milagre em curto prazo. Seria recomendável nem esperar tampouco milagres em médio prazo. O que podemos e devemos esperar é que se faça o que deve ser feito e da forma que deve ser feito. Nem mais nem menos.  

Publicado no jornal A Noticia de Joinville SC

8 de setembro de 2012

Neo-bobagens de campanha


Surge uma nova bobagem na campanha eleitoral. O novo alvo a abater é quem aparece primeiro nas pesquisas, antes o tema era a sujeira ou a limpeza da ficha dos candidatos. Agora o tema é a capacidade ou não para administrar e sobre o diferente que é administrar uma empresa privada ou uma empresa pública. O debate é estéril, porque não considera a administração uma ciência, baseada em conhecimentos aprendidos, em técnicas conhecidas e na utilização de ferramentas de planejamento, controle e gestão adequadas. Inclusive é estranho que o Conselho Federal de Administração, o CRA, não tenha se manifestado e permita que uma profissão tão importante seja tão maltratada.

Implicitamente o objetivo deste debate, neste momento, é o de desacreditar ou desqualificar aqueles que tem experiência em administração ou tenham a formação para atuar como administradores, insinuando que este conhecimento não servira ou não é o adequado para administrar as complexas e “sui generis” estruturas publicas que se regem e seguem estranhos padrões e normas, que dificilmente chegarão a ser dominadas por administradores oriundos da iniciativa privada e curtidos nas leis do mercado, que para nada são seguidas na administração pública brasileira. O melhor exemplo é o malfadado turno único, o estranho principio que rege aqui é que é melhor trabalhar menos que trabalhar mais, trabalhando menos horas o custeio se reduz e o custo da maquina passa a ser menor. Algo que com certeza será incompreensível para qualquer um que tenha se formado num curso de administração.

Analisando os princípios e bases que segue a administração não há conceitualmente diferença entre uma administração publica e outra privada. O que muda são os objetivos que cada organização tem como meta. A menos que o que se faça no serviço público não seja administração e recebe algum outro nome.

Se consideramos que administrar é dirigir uma organização utilizando técnicas de gestão de e para as pessoas para que alcance seus objetivos de forma eficiente, eficaz e com responsabilidade social e ambiental. Não há nada aqui que esteja em desacordo com o que se espera de um administrador público. O que se pode discutir e quais são os objetivos e metas de cada organização, que podem ser até diferentes, mas os princípios de eficiência, eficácia, economicidade e tantos outros são basilares neste campo e se aplicam, ou deveriam aplicar-se a todas as organizações.

O risco é alguem confundir administrar BEM e faze-lo MAL. Quem nunca administrou uma quitanda ou uma pequena loja dificilmente conseguira administrar com eficiência uma empresa publica, uma fundação e menos ainda uma prefeitura ou uma cidade do porte de Joinville.

27 de maio de 2012

A Joinville que faz bem.




Um aviso: meu filho colou grau como Bacharel em Administração nesta semana e tal situação, admite-se, pode ter influenciado na avaliação descrita nas linhas seguintes. Ainda assim, é mantido  o convite para leitor analisar essa faceta de uma Joinville que dá certo. 

Não há uma única Joinville, há varias, dezenas delas, distintas, complexas, contrapostas e coexistindo no mesmo tempo e espaço. Há a Joinville que da certo, ou melhor, as Joinvilles que dão certo, que avançam, prosperam e nos produzem um enorme orgulho e vontade de gritar a todos que este é o melhor lugar do mundo. Há também as outras Joinvilles com as que é difícil se sentir identificado.

 Nas Joinvilles que dão certo, esta a cidade que sedia a Sociesc. Que para muitos ainda continua sendo chamada a Escola Técnica. Com 53 anos cumpridos em março e com mais de 22 mil alunos distribuídos nos seus campi em Santa Catarina e no Paraná é um modelo de boa administração, de participação da sociedade e também um negocio bem gerido.

A Sociesc tomou recentemente a decisão de desvincular a colação de grau dos seus alunos da festa e principalmente do negocio em que as formaturas tem se convertido. Verdadeiras babilônias, com orçamentos fastuosos, impróprios de uma sociedade que vive do trabalho e do seu esforço. Cada vez com maior frequência alunos e seus familiares ficavam impedidos de participar da colação de grau por não poder custear a sua participação no evento acadêmico.  A partir de agora, num exemplo que merece ser seguido por outras instituições de ensino superior, a cerimônia de colação de grau se realiza na própria sede da Sociesc, sem nenhum custo adicional para o aluno e com toda a pompa e circunstancia que merece e requer um evento desta importância. O resultado, um auditório repleto de familiares e amigos, momentos de singular emoção para formandos, parentes e professores. Trazer de volta esta cerimônia ao seio da escola é um acerto e uma forma de manter e consolidar valores tradicionais que marcam a vida de cada um de forma indelével.

Trocar o dispêndio pela economia é uma decisão acertada, mostra um caminho que deveria ser seguido por todo bom administrador, seja ele público ou privado. Os valores da economicidade, da sobriedade e principalmente evitar o gasto ostentoso e desnecessário poderiam servir também de exemplo a nossos governantes, tão acostumados a ser manirrotos com os recursos que não lês pertencem.  

Publicado no jornal A Noticia de Joinville SC
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