
Recentemente, o jornal "A Notícia", divulgou ampla reportagem com o título sugestivo de uma "relíquia verde" no Centro. A reportagem evidencia a situação absurda a que chegamos: uma área com mais de 3.500 metros quadrados se encontra situada num ponto estratégico da cidade e poderia ser convertida numa importante área verde. Na situação atual, o espaço não serve a ninguém e ainda contribui para a degradação de uma área nobre.
A falta de uma legislação adequada que isente de IPTU os imóveis tombados seria uma solução importante. Também contribuiria para uma política verde da nossa Prefeitura, que em vez de construir mais calçadões secos com paver, como os que estão sendo implantandos na área central, permitisse soluções permeáveis arborizadas e principalmente voltadas a atender aos cidadãos. Pior ainda quando depois de um ano, um projeto encaminhado pelo Executivo que poderia regulamentar este tipo de situações é retirado, sem ter sido nem analisado, nem discutido.
O bosque Schmalz, deve ser visto como um monumento à insensatez, como o reconhecimento de a que ponto pode nos conduzir a repetida falta de bom senso. Nas atuais condições, o bosque rodeado por um muro não serve como espaço verde, nem atende a sua função social como espaços públicos. Os atuais proprietários devem IPTU, ficando na condição devedores e com risco de ter que responder a processos. Enquanto isso, a Prefeitura está alheia a isso, sem tomar nenhuma medida para resolver o caso. Insiste em cobrar um IPTU absurdo para uma área tombada, que o bom senso deveria considerar indevido e injusto.
A população continua carente de uma área verde importante na região central. O bosque Schmalz poderia ser acrescida do imóvel confrontante, com fachada para a rua Lages, que no passado pertenceu a dona Hilda Krisch e criar um parque com mais de 6.000 metros quadrados, no coração de Joinville. Numa região ameaçada pela especulação imobiliária e que atenderia a boa parte da população da região central.
A pouca de vontade para resolver, a facilidade para criar empecilhos e principalmente a falta de uma política de desenvolvimento urbano que priorize o aumento de áreas verdes publicas bem localizadas e com forte vocação para o lazer do joinvilense.
A Prefeitura deveria destinar menos recursos a calçar praças e mais a aumentar o verde, e o bosque Schmalz é um bom exemplo que as soluções estão muito mais perto do que imaginamos. É só querer para fazer deste limão uma limonada e poder criar uma nova área verde, numa cidade que carece de espaços de lazer de qualidade.
Publicado no jornal A Noticia