A prioridade para construir um teatro de R$ 18 milhões, numa cidade em que a prefeitura chora como uma carpideira um dia sim e outro também, porque não tem dinheiro nem para as coisas urgentes, nem para as importantes, só pode ter surgido da inspiração de Hemiunu o arquiteto que construiu a pirâmide de Quéops.
Entra governante, sai governante a fixação por obras publicas faraônicas, alias nunca melhor dito, permanece, em quanto a cidade se deteriora aos poucos primeiro e mais rapidamente depois. Criando um cenário de obras inacabadas e ruínas decadentes.
A proposta de construir, ao custo de R$ 18 milhões o novo teatro de Joinville, no estacionamento do Centreventos, porque é caro adquirir outros imóveis no centro da cidade. Não parece uma idéia brilhante. A impressão é que economizar no imóvel é uma decisão pouco analisada e em geral as decisões tomadas as pressas, não acostumam a ser boas. A proposta de utilizar as ruas adjacentes como estacionamento, esta alinhada com a sugerida em outras situações semelhantes passadas e futuras pelo poder publico.
Quando foi concebido o projeto do Centreventos, existia o consenso que o projeto não era o ideal, mas seria o melhor possível, por partir da premissa de aproveitar uma construção inacabada, que estava inclusive começando a deteriorar. O resultado final foi este que esta ai, um pato. Você sabe o pato é um animal curioso, voa, mas não o faz com a graça de outras aves, caminha com uma graciosa torpeza e nada com pouca agilidade. Da mesma forma um projeto que se propõe atender ao mesmo tempo, grandes eventos desportivos, concertos de musica erudita, apresentações de dança ou servir para formaturas e congressos, provavelmente acabara não sendo o ideal para nenhuma delas. Agora prospera de novo a tese da solução menos pior.
A ociosidade do Centreventos tem provocado que os espaços na sua volta, tenham se transformado numa terra de ninguém, parte do estacionamento foi convertido num Expocentro, e outra parte esta sendo sugerida como sendo a ideal para o novo teatro. O resultado deste amontoado de edifícios e inquilinos pode não ser o imaginado pela administração municipal, podendo ficar mais próxima de um cortiço cultural que de um Centro Cultural e de Eventos.
A dificuldade que o poder publico tem para administrar os espaços públicos, fica evidenciada a cada evento que se realiza no Centreventos pela ação de flanelinhas que “privatizam” o estacionamento e se apossam, mesmo que temporariamente, do espaço. Agora estes empreendedores correm o risco de perder o seu ganha pão.