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17 de abril de 2019

Rotativo gratuito #sqn


Estacionamento rotativo gratuito #sqn

Finalmente os joinvilenses começam a acordar para a arapuca que a Prefeitura armou com o dito estacionamento rotativo gratuito. É obvio que o sistema “made in Joinville” tem tudo para ser mais uma ideia estapafúrdia, bem ao estilo das coisas a que ultimamente querem que nos acostumemos e aceitemos calados.

Primeiro é bom lembrar que não existe jantar de graça. Nada é gratuito e menos ainda nesta cidade e com esta administração. Que não se pague diretamente pelo uso da vaga, não quer dizer que seja gratuita, quer dizer que TODOS pagarão pelo serviço. Sim todos. Especialmente aqueles que não o utilizem e que sem saber estarão custeando os usuários do estacionamento rotativo. Os salários dos guardas de trânsito são pagos com cargo ao orçamento do município, por tanto por todos nós. 

Ah! Logo alguém dirá que os azulzinhos são pagos com o dinheiro arrecadado com as multas e será o momento certo para lembrar que há uma indústria da multa instalada em Joinville para manter a própria estrutura fiscalizadora. Se não multarem não há caixa para pagar e não recebem, numa afirmação simplista, mas veraz. Por isso mesmo foram desinstalados os radares que não “faturavam” os valores mínimos previstos, para cobrir seus custos e dar lucro.

Estamos governados por uma trupe barulhenta e multicolorida de incompetentes motivados que acham que o joinvilense é trouxa e que não percebeu que o objetivo do sistema “gratuito” é multar, guinchar e faturar. O objetivo não é disciplinar, educar e melhorar a mobilidade no centro de Joinville. Alias como o usuario poderá se defender de uma multa sem poder provar a que hora estacionou? Sem poder regularizar a multa e os pontos na carteira estão garantidos e ainda poderá ser guinchado e ter que pagar guincho e o estacionamento no patio. 

Com esta e as outras medidas para revitalizar o centro o que acabará acontecendo é o esvaziamento definitivo do centro ou como alguns já antecipam o estímulo a utilizar cada vez mais os estacionamentos particulares.

Não há jantar de graça e tampouco há estacionamento rotativo gratuito, pode até ser que haja Saci Pererê e mula sem cabeça, alias cada vez mais tem gente que jura tem visto uma nos lados da Hermann Lepper.

2 de abril de 2019

Quantas mortes por acidente de transito?

1,2 milhões de mortes por acidentes de transito no mundo por ano. Um número assustador sobre o que ninguém parece se importar. A cultura e o culto ao carro é responsável por 3,4 mil mortos por dia.  A estes números, que por si só já arrepiam, ainda é preciso incluir os 20 a 50 milhões de motoristas, passageiros e principalmente pedestres que sofrem ferimentos graves e ficam com sequelas a cada ano. 




Se em lugar de continuar priorizando o carro e estimulando este modal as políticas públicas de mobilidade considerassem esses números fossem considerados como muito graves e passassem a balizar as políticas públicas e os projetos de mobilidade, teríamos uma redução significativa das despesas com saúde, teríamos uma sociedade mais sadia, cidades menos poluídas e com mais qualidade de vida e destinaríamos menos recursos públicos para infraestrutura viária. Recursos que poderiam ser destinados a melhorar a qualidade das calçadas e passeios, a estimular a caminhada para trajetos curtos e principalmente a investir em malhas ciclo viárias de qualidade e seguras. Mas como estes números não são divulgados e quando são divulgados não geram nenhuma reflexão mais profunda entre a sociedade carro-dependente, carros matam mais pessoas que armas de fogo, incluindo as guerras. 

17 de agosto de 2013

A Joinville que surgirá da LOT


A Joinville que a nova LOT propõe é uma cidade mais verticalizada mas tambem mais espalhada.
Com mais ruas para pavimentar, com linhas de onibus mais longas e por tanto mais caras. Com predios mais altos e com ruas com menor mobilidade.

Quem diz isso é o IPPUJ, quem deve se preocupar com isso é você que viverá numa cidade menos eficiente, mais cara e com mais problemas ainda de mobilidade.

13 de agosto de 2013

Infraestrutura, você não vê por aqui

Mobilidade aonde?
Tóquio tem 304 km de metrô; Moscou, 309 km, Nova York, 368 km, Londres, 402 km, Pequim, 442 km, São Paulo, 74 km, Belo Horizonte 44 km

8 de julho de 2013

Mobilidade urbana

Qual é a conclusão logica?
Sem pensar em soluções de longo prazo e sem planejar o futuro, nossas cidades serão cada dia mais um exemplo de imobilidade urbana.
VLTs, metros, ciclovias, cidades voltadas para os pedestres são alternativas que devem ser pensadas hoje.


7 de julho de 2013

Mobilidade urbana?

Sem investimento? É difícil de resolver. Sem vontade? É mais difícil ainda. Agora se os que tem na caneta na mão acreditam que o futuro do Brasil (ou de Joinville) passa pelo carro, ai sim que o tema fica impossível de resolver.


18 de novembro de 2012

Mobilidade urbana

Este comentário foi inicialmente publicado no post Ciclistas


É engraçado como as pessoas se acostumaram a opinar sobre a "mobilidade dos automóveis", esquecendo-se de que atrás de cada volante existe uma pessoa, um cidadão, um morador da cidade.

Se fizermos uma pesquisa sobre o meio preferido de transporte dos cidadãos, penso que o automóvel ganha disparado. E porque isso? Simples. Desde Juscelino Kubitscheck elegeu-se o automóvel como sonho de consumo e ao mesmo tempo suporte industrial e econômico de parcela considerável da nossa economia.

A decisão tomada nos anos cinquenta nos afeta até hoje. Até porque nada foi feito para alterar o andar da carruagem.

Acrescente-se à essa história o fato recente do governo lula/dilma incentivarem à exaustão a compra e utilização do carrinho da familia, como símbolo do sucesso das políticas do governo às classes menos favorecidas. Orgulhosamente, propala-se com um sorriso mal disfarçado nos lábios: agora carro não é só pra classe A e B. 

Pois bem, se levarmos em conta que os poderes executivos criaram apenas poucos centímetros de estradas e vias de locomoção nos ultimos dez anos, resulta óbviamente o congestionamento que se vê por aí diariamente. E como diz Jordi, vai piorar. Claro que vai.
Mas vamos e venhamos, querer fazer todo mundo andar de bicicleta, como sonham nossos valorosos pensadores utopistas, num sistema que nos obriga a cumprir horarios e prazos cada vez mais impossiveis, é de uma pobreza intelectual atroz. Desde a invenção da roda, já passamos por vários meios de transporte. E a bicicleta já teve o seu lugar sim, até uns quarenta anos atrás, quando era possivel seu uso e aceitáveis suas mazelas (sim, lembro muito bem quando tinha que ir à escola de bicicleta, por dez quilometros, muitas vezes sob chuva ou geada). E, claro, eu ainda não tinha passado dos sessenta...

A corrente de pensamento que "endeusa" o biciclo já é tão poderosa hoje, que está próxima a se tornar dogma. E dogma chiita. Porque a simples menção contrária a seu uso, ou favoravel ao uso do automóvel, já transforma o autor em herege. Tanto que poucos tem a coragem de se manifestar contráriamente ao grupo dominante.

Assim, nossos Ipujes vão pontilhando riscos e mais riscos no chão, à guisa de "ciclofaixas" (eu chamo de ciclofarsas), espaço este sonegado das pistas de rolamento já escassas em sua largura, dificultando cada vez mais a fluencia do transito, para o uso de meia duzia (sim, meia duzia) de ciclistas, que por se sentirem inseguros nos limites daqueles dois risquinhos, acabam transitando no outro lado da rua, no meio dos carros. Já cansei de testemunhar isso na ciclofarsa da rua Dona Francisca, no Saguaçu, onde moro. E vou dizer mais: a maior parte dos ciclistas que usam essas pseudo ciclovias o fazem nos fins de semana, por recreação.
Portanto, vamos falar sério. O automóvel, da forma como concebido nos dias atuais é problema? Sim, concordo que seja. É poluidor e ocupa espaço consideravel. Mas é a ele que nossa população está sendo empurrada pela política governamental e pelo sistema capitalista vigente e aprovado a cada nova eleição. Sim meus amigos, a grande maioria dos candidatos eleitos nas eleições pertence ao enorme grupo que prega a manutenção do status quo.
Voltar à bicicleta pode ser uma solução? Pode, claro. Pessoalmente, não pretendo voltar à ela. Já a usei muito e pra mim, é coisa do passado. Mas se for do interêsse da maioria o seu uso, tudo bem. Mas não nesse sistema que está aí. O buraco é muuuuuito mais embaixo minha gente. A primeira coisa que tem que acabar é a nossa já conhecida e famigerada "Sociedade de Consumo". Alguém está disposto a abrir mão? As corporações multinacionais vão se render? Vão parar de criar necessidades para inutilidades? Deixaremos de ser uma sociedade egocêntrica e egoísta? Deixaremos de ser comandados pela mídia? Só vejo um jeito pra isso. Começar do zero. E isso vai doer um bocado! Alguém está disposto??

Pois bem, enquanto isso não acontece, voltemos à nossa discussão de mobilidade. Estamos discutindo isso faz anos. E dessa discussão, pelo menos em Joinville, as poucas conclusões que temos visto são quase todas no sentido da "demonização" do automóvel e de soluções urbanas como os "famigerados" elevados. E nada de concreto se faz.

Caramba, não sei onde foram buscar a idéia de que um elevado não resolve nada e é dinheiro publico jogado fora. Já ouvi gente aqui neste espaço, ou no chuva ácida, alegar que elevados só serviriam de teto para pedintes e "sem terras". Putaqueospariu!!

E o que dizer da organização do trânsito em nossa cidade? Céus, o pessoal do agora denominado ITRAN nunca ouviu falar em semáforos inteligentes? O conceito de "onda verde" (nada a ver com plantação de arvores) já existe ha mais de quinze anos, menos aqui.

Centrais de Controle de transito, monitorando os pontos de congestionamento em tempo real? Ah! isso é dinheiro jogado fora.

E o que dizer de outro grande tabu, que é o estacionamento? Esse mesmo Itran só sabe eliminar os poucos que ainda restam. Criar bolsões nas áreas centrais ou de maior movimento, nem pensar. Pelo menos uns 20 por cento dos automoveis circulando pelo centro, estão ali a procura de uma vaga, contribuindo com o congestionamento.

E pra não esquecer, alguém já mencionou a largura das vagas nas vias onde elas ainda existem? Pois é, na sua quase totalidade, são mais estreitas que qualquer automóvel. Foram desenhadas para fiats 147 ou fusquinhas. Estão fora da realidade. E recentemente, começaram a demarcar a nova Max Colin. Quequeéisso? Já viram a largura das faixas? Para veículos um pouco maiores, tipo uma Hilux, mal cabem entre os dois riscos. E a faixa da esquerda então, é calamidade pura.
Fizeram ali faixa de rodagem, mas esqueceram de tirar os bueiros...
Descontada a largura da ciclofarsa, dividiram o que restou por três, e o resultado foram faixas de rodagem sem a menor condição de segurança. E assim querem melhorar a fluidez???
Sem querer defender este ou aquele candidato recente, tivemos um em Joinville que "heréticamente" propôs a construção de vários elevados, eliminando enormes pontos de congestionamento. Propôs também uma Central Inteligente de Controle, tecnologia já usada em muitas cidades do país e do mundo. 

Bem, foi fragorosamente derrotado por ser no mínimo sonhador, ou no outro extremo, farsante.

Então tá. Vamos continuar batendo palmas para os riscos no chão (que ninguém usa), vamos criar binários e mais binários (que maravilha), e botar os guardinhas azuis do Itran nas esquinas pra levantar um troco pra festinha do natal que se aproxima. (só pra sacanear, alguém já viu um guardinha do Itran orientando tráfego?)

E acabei de lembrar: Ô pessoal do Itran!! já existe semáforo a LED de alta intensidade, viu? Voce enxerga de longe e dura muito 

Nelson Jvlle.

10 de novembro de 2012

Ciclistas


Este graffiti denuncia a omnipresença do carro. A prioridade absoluta que o automóvel recebe nas diretrizes do planejamento urbano.
Cidades feitas para carros, não são cidade planejadas para pedestres e ciclistas.
Fazemos opções e pagamos o preço das escolhas que fazemos.

No caso da mobilidade urbana em Joinville é bom lembrar que antes que melhore um pouco deverá piorar muito.

2 de outubro de 2012

Desenvolvimento Asinino (*)







Quando os engenheiros aeroespaciais iniciaram os projetos para enviar o homem a lua ou mais recentemente previram uma missão a Marte sabiam de todas as suas limitantes. Além das inerentes a força da gravidade e os complexos cálculos matemáticos é bem sabido que todo o programa espacial define a forma e o tamanho dos seus mais modernos foguetes, a partir das medidas das ancas das mulas e cavalos, que puxavam as bigas pelas estradas, que o império romano construiu para alicerçar o seu desenvolvimento.A largura de ruas, carroças e posteriormente, dos trilhos dos trens e inclusive dos carros e caminhões de hoje, foi pautada pelas mesmas medidas. Um par de ancas passou a ser o “modulor” de toda a nossa mobilidade urbana, das nossas ruas e das nossas cidades.

Hoje as cidades buscam romper moldes e estabelecer novos parâmetros de desenvolvimento, ao romper com referenciais e ousar, correram riscos e em geral os riscos, quando não são bem calculados se pagam muito caro.

Em Joinville, por citar alguns exemplos, temos um Fórum que não previu estacionamento, quando o projeto foi apresentado com pompa e circunstância, não foram poucas as criticas que alertavam para o que aconteceria, tanto pela falta de previsão, como pelo polo gerador de trafego em que o Fórum se converteu. A ampliação do Hospital Dona Helena é outro exemplo, de mal planejamento, quando inaugurado, aumentará o transito, num dos pontos mais conturbados do centro da cidade. A idéia de construir a ampliação do Hospital São José no que era o estacionamento, só serviu para tumultuar ainda mais as áreas em volta do hospital. Os novos prédios sendo construídos na Rua Henrique Meyer tem tudo para se converter em mais um problema anunciado. Nenhum dos casos citados tem servido para aprender. Continuamos com alegria adolescente, cometendo uma e outra vez os mesmos erros. Hospitais, clinicas, fóruns, edifícios comerciais, escolas e universidades são pelas suas características polos geradores de trafego e a sua construção e ampliação impacta de forma irreversível o seu entorno.

O debate incompleto e parcial sobre elevados e duplicações mantém ainda as mesmas premissas que já foram definidas pelos arquitetos e engenheiros que projetaram as ruas e vias do império romano e que ainda hoje servem de referencia e medida para a maioria das nossas ruas e vielas.

Agora a moda é continuar adotando um modelo de desenvolvimento asinino só que em lugar de usar as ancas das mulas e jumentos como modulo, é a cabeça do simpático animal, quem serve de referencia tanto para planejadores e administradores, como principalmente para candidatos em campanha, que de forma estulta imaginam que um elevado aqui e outro acolá resolverão os problemas de mobilidade de Joinville.

23 de setembro de 2012

O automóvel é a nossa vaca leiteira


O automóvel é a nossa vaca leiteira




É bom começar esclarecendo que “vaca leiteira” é uma expressão coloquial (significa geração de caixa) e que neste texto é usada de forma retórica. Ultimamente as pessoas andam com os nervos à flor de pele e se sentem interpeladas por qualquer tolice.

O carro é a vaca leiteira que sustenta uma parte importante da nossa economia pública, na outra ponta é preciso incluir os custos com a imobilidade, os investimentos necessários para construir duplicações, binários e elevados, o aumento dos custos no sistema de saúde para fazer frente aos acidentes de transito e a irreparável perda de jovens, que na flor da idade perdem a vida ou são mutilados em números que superam o de muitos países em guerra.

Cada vez mais o tema mobilidade está em pauta. Na verdade, quanto menor o nível de mobilidade urbana, mais o tema é debatido. Transporte público, elevados, bicicletas, ciclovias, faixas de pedestres é por aí afora são objeto de textos, debates e devaneios de uns e outros. Em comum, o fato de demonizar o automóvel e ver a sua expansão e aumento como um fato inevitável. Os maiores inimigos do carro se situam entre os ocupantes de cargos no poder público e os diretamente vinculados ao transporte coletivo, estes últimos por motivos óbvios.

É conveniente revisar alguns dados que podem ajudar a entender melhor esta situação em que, por um lado, se demoniza o carro e, pelo outro, se estimula a sua expansão e se trabalha para manter o maior nível de mobilidade individual. O carro é, no Brasil de hoje, uma vaca sagrada, de úberes fartos e generosos. Isso ocorre desde que se iniciou o irreversível sucateamento da malha ferroviária, para criar as condições propícias ao desenvolvimento do mercado rodoviário. Quando se fez a aposta de trocar um modal por outro, o Brasil tomou uma decisão estratégica: o tempo e os fatos têm se encarregado de mostrar o acerto ou não da decisão.

Hoje a nossa economia está atrelada ao carro. A arrecadação da própria prefeitura é dependente dos recursos originados pelo automóvel. O joinvilense paga mais de IPVA que de IPTU. O total arrecadado com IPTU em 2011 foi de R$ 67 milhões. O IPVA representou R$ 87 milhões e destes a metade fica no município e a outra vai para o Estado. Para ter noção de grandeza, os R$ 43,5 milhões que correspondem a Joinville são um valor maior que o empréstimo do BNDES, na cifra de R$ 40 milhões, que é apresentado como a solução para a maioria dos problemas de trânsito da cidade. Estas contas não incluem os valores arrecadados com multas, que estão na ordem de R$ 12 milhões ao ano, ou o ICMS que incide sobre o álcool, a gasolina e o diesel que os nossos veículos consomem e que representa outra parcela significativa das receitas públicas.

A equação mobilidade urbana versus imobilidade urbana precisa considerar outras variáveis além da visão simplista de ônibus X VLT ou bicicleta X carro. Implica um debate sobre o modelo de cidade e a implantação de um plano de mobilidade urbana que faça desta uma cidade mais eficiente, mais competitiva e preparada para o futuro. 

Publicado no jornal A Noticia de Joinville SC

10 de setembro de 2012

Mobilidade e planejamento


Na campanha eleitoral de Joinville a mobilidade é um dos temas comuns ao discurso de todos os candidatos. Cada um apresenta as suas versões diferentes e até divergentes das soluções propostas para resolver um problema que é comum a todas as cidades que não tem um planejamento adequado e que ganha uma maior gravidade nos países em vias de desenvolvimento como o Brasil.

A falta de políticas públicas adequadas a nível nacional, a priorização do automóvel como meio de transporte e inclusive a redução de impostos para estimular ainda mais o uso do carro, sem os investimentos necessários em infraestrutura e nos demais modais de transporte público, fazem das cidades e Joinville é um bom exemplo, uma bomba de tempo.

A verticalização e o adensamento desenfreado, em áreas que não dispõem da infraestrutura urbana adequada, criarão a curtíssimo prazo gargalos impossíveis de resolver. No caso de Joinville, nenhum é mais evidente que o formado pelo inicio da Rua Blumenau, no trecho do Hospital Dona Helena e a sua prolongação formada pela Rua Henrique Meyer até o hotel Tannenhof. Além dos edifícios já construídos há mais três edifícios comerciais em construção e um prestes a iniciar. A estes polos geradores de trafego há que acrescentar o fluxo de ônibus e a sua localização na área de influencia do Shopping Mueller, outro dos grandes polos geradores de trafego na cidade.

Em quanto se propõem elevados, duplicações, tuneis e outras soluções pontuais e desconectadas do planejamento, ou deveríamos falar da falta dele? Outras cidades no mundo que já sofreram o preço da sucessão de erros que nos estamos comentando optam por recuperar espaços públicos degradados, demolir elevados e criar parques, jardins e áreas verdes aonde até pouco tempo atrás só havia degradação urbana e transito pesado e caos.

Quem sabe os nossos políticos e principalmente os responsáveis pelo planejamento urbano de Joinville acordem a tempo e evitem que tenhamos que percorrer um caminho que já se sabe aonde conduz.



As imagens do antes e do depois da região central de Boston mostram como é possível ter cidades melhores, com maior qualidade de vida e sem que para isso seja preciso promover o desenvolvimento a qualquer custo.

10 de março de 2012

O automóvel é uma vaca leiteira


É bom começar esclarecendo que “vaca leiteira” é uma expressão coloquial (significa geração de caixa) e que neste texto é usada de forma retórica. Ultimamente as pessoas andam com os nervos à flor de pele e se sentem interpeladas por qualquer tolice.

O carro é a vaca leiteira que sustenta uma parte importante da nossa economia pública, na outra ponta é preciso incluir os custos com a imobilidade, os investimentos necessários para construir duplicações, binários e elevados, o aumento dos custos no sistema de saúde para fazer frente aos acidentes de transito e a irreparável perda de jovens, que na flor da idade perdem a vida ou são mutilados em números que superam o de muitos países em guerra.

Cada vez mais o tema mobilidade está em pauta. Na verdade, quanto menor o nível de mobilidade urbana, mais o tema é debatido. Transporte público, elevados, bicicletas, ciclovias, faixas de pedestres é por aí afora são objeto de textos, debates e devaneios de uns e outros. Em comum, o fato de demonizar o automóvel e ver a sua expansão e aumento como um fato inevitável. Os maiores inimigos do carro se situam entre os ocupantes de cargos no poder público e os diretamente vinculados ao transporte coletivo, estes últimos por motivos óbvios.

É conveniente revisar alguns dados que podem ajudar a entender melhor esta situação em que, por um lado, se demoniza o carro e, pelo outro, se estimula a sua expansão e se trabalha para manter o maior nível de mobilidade individual. O carro é, no Brasil de hoje, uma vaca sagrada, de úberes fartos e generosos. Isso ocorre desde que se iniciou o irreversível sucateamento da malha ferroviária, para criar as condições propícias ao desenvolvimento do mercado rodoviário. Quando se fez a aposta de trocar um modal por outro, o Brasil tomou uma decisão estratégica: o tempo e os fatos têm se encarregado de mostrar o acerto ou não da decisão.

Hoje a nossa economia está atrelada ao carro. A arrecadação da própria prefeitura é dependente dos recursos originados pelo automóvel. O joinvilense paga mais de IPVA que de IPTU. O total arrecadado com IPTU em 2011 foi de R$ 67 milhões. O IPVA representou R$ 87 milhões e destes a metade fica no município e a outra vai para o Estado. Para ter noção de grandeza, os R$ 43,5 milhões que correspondem a Joinville são um valor maior que o empréstimo do BNDES, na cifra de R$ 40 milhões, que é apresentado como a solução para a maioria dos problemas de trânsito da cidade. Estas contas não incluem os valores arrecadados com multas, que estão na ordem de R$ 12 milhões ao ano, ou o ICMS que incide sobre o álcool, a gasolina e o diesel que os nossos veículos consomem e que representa outra parcela significativa das receitas públicas.


A equação mobilidade urbana versus imobilidade urbana precisa considerar outras variáveis além da visão simplista de ônibus X VLT ou bicicleta X carro. Implica um debate sobre o modelo de cidade e a implantação de um plano de mobilidade urbana que faça desta uma cidade mais eficiente, mais competitiva e preparada para o futuro. 


Publicado no jornal A Noticia de Joinville SC

17 de outubro de 2011

Quem decide, quando o tema é mobilidade? (*)



As cidades, independente do seu tamanho e complexidade, têm em comum a responsabilidade para decidir sobre a sua mobilidade urbana. Decidir se uma rua fluirá no sentido centro-bairro ou vice-versa é uma decisão municipal. Insistir em manter o terminal urbano no centro, priorizar binários ou ainda implantar calçadões e dispor de uma rede estruturada de ciclovias são decisões exclusivamente municipais.

O modelo de mobilidade urbana dependerá de muitas variáveis, políticas, econômicas, geográficas, mas principalmente de ter um modelo de desenvolvimento urbano coerente e estruturado, que possa sobreviver aos devaneios dos administradores de plantão. É comum escutar de urbanistas e planejadores que o resultado do caos em que a maioria das nossas cidades estão mergulhadas, quando o tema é mobilidade urbana, é por conta do aumento desproporcional da frota de veículos, e que a melhor solução seria reduzir o acesso das pessoas aos carros. Aumentando o preço, aumentando os impostos ou reduzindo o credito para sua aquisição. Sempre colocando a solução para alem da sua capacidade e competência. Uma forma de justificar, por antecedência, a falta de solução e de propostas adequadas para um problema que tende a piorar.

O Brasil já tem hoje os carros mais caros do mundo, na Europa com salários mais altos que os nossos, o acesso da população a novos carros é muito mais fácil que aqui, os preços de veículos dos mesmos modelos e fabricantes que aqui, chegam a custar entre 50% e 60 % menos que aqui. Contudo o transito flui melhor na maioria das cidades daquele continente. Existe claramente uma política de mobilidade urbana, que se caracteriza por priorizar o pedestre, estimular o uso da bicicleta implantando uma rede de ciclovias segura e bem espalhada por toda a cidade, mesmo em cidades como Copenhague, com clima extremo no inverno, a bicicleta é a primeira opção de transporte. Finalmente a implantação de um sistema de transporte coletivo de qualidade, utilizando energias renováveis, integrado e econômico, completa o conjunto de ferramentas que junto com o planejamento urbano, permitem enfrentar com êxito o desafio da mobilidade urbana.  

A maioria das soluções que as cidades modernas apresentam é o resultado de políticas públicas adequadas, resultado de uma visão estratégica correta e de um planejamento de longo prazo, que deixa pouca margem para a improvisação e foge de soluções pontuais, temporais e eleitoreiras. 

8 de outubro de 2011

Viajar é preciso




Sou dos que defendem que viajar é preciso. Nada me parece mais importante que o prefeito viaje, acompanhado de um grupo significativo de seus assessores mais próximos. O destino da viagem deve guardar uma estreita relação com o objetivo pretendido. Viajar para Barcelona, para conhecer o modelo de aluguel de bicicletas, pode parecer, num primeiro momento, uma perda de tempo e de recursos.


Se é verdade que o aluguel de bicicletas na cidade espanhola é um atrativo adicional para os mais de 5 milhões de turistas que visitam anualmente a cidade, também é verdade há uma rede de ciclovias que permitem ir de um extremo a outro com segurança. As ciclovias de Barcelona tem características interessantes. Por exemplo, estão interligadas e ligam uma coisa a outra. Ainda a sua implantação coloca pedestres e ciclistas no mesmo nível. Não é como em Joinville, onde os ciclistas arriscam as suas vidas lado a lado com os carros.


As bicicletas de aluguel são um produto dirigido ao turista ou ao usuário eventual. Os ciclistas habituais, em Barcelona, têm as suas próprias bicicletas. Isto pode explicar porque na vizinha Blumenau, onde, como em Joinville, todos tem uma bicicleta em casa, o negócio não prosperou. Importante entender que uma cidade que recebe aproximadamente 2,6 turistas por habitante todos os anos, representa um mercado interessante. Seria o equivalente a Joinville receber a cada ano mais de 1.250.000 turistas, algo inimaginável com a nossa política de fomento ao turismo e a nossa infraestrura para receber os que aqui se aventurem.


Implantar o serviço de aluguel de bicicletas não resolverá os problemas de mobilidade. E reúne todas as características para se tornar uma iniciativa que dificilmente será rentável. O que não deve preocupar... se todo o investimento e risco forem assumidos por um empreendedor privado que tenha propensão a rasgar dinheiro. Caso haja o envolvimento de recursos públicos - e na viagem citada há - seria bom abrir o olho.
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