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21 de dezembro de 2013

A regra das 10.000 horas


Mesmo que aqui insistamos em acreditar que se alcança o sucesso sem esforço, e que há uma capacidade inata que faz que apareçam grandes mestres do xadrez ou primeiros violinos de grandes orquestras, graças exclusivamente ao resultado da sorte ou da genética, os estudos provam o contrario.

Não há nem mestres, nem grandes mestres do xadrez que não carreguem nas suas costas no mínimo 10.000 horas de estudos, de pratica, de esforço e dedicação. Esse é o numero mínimo, um bom violinista não alcança o sucesso tampouco com menos de 10.000 horas de estudos e pratica, ainda que os verdadeiros gênios do violino digam que o numero ideal de horas de estudo esta mais perto das 50.000 horas. Estes números representam décadas de trabalho e dedicação. A regra das 10.000 horas serve para comprovar que mesmo os músicos melhor dotados, precisam de muito trabalho para obter o sucesso.

Por aqui a pratica mais comum é a de trabalhar pouco, fazer de conta, isso de praticar duro, de passar horas a fio estudando, ensaiando não esta com nada. Gostamos de acreditar na genialidade inata, no sucesso que surge da mágica e da sorte e não valorizamos o esforço. O resultado esta aí, salta aos olhos. No único tema em que é possível identificar que a regra das 10.000 horas é cumprida a risca é na procrastinação, nisso somos campeões. Se houver algum troféu, esse é nosso. Há praticamos diariamente, em todas as áreas, seja no setor público, como no privado.


Mas é no setor público que o tema alcança a perfeição. A licitação não ficou pronta no prazo, prorroguemos por mais 180 dias, total faz quantos anos que se sabia quando venceria? Que não há mesas e cadeiras para o restaurante popular? Usemos as do outro e fechemos o primeiro para reforma. Que Joinville não terá 1.000.000 de habitantes em 2030? Pois apresentemos umas contas feitas as pressas para que os números sejam os que mais nos convenham. Que os números não tem consistência? Pois tranquilos porque ninguém vai perceber. Que os estudos para justificar as mudanças propostas na LOT são insuficientes e inconsistentes? Pois não deu tempo para fazer melhor. E assim vamos.

Publicado no jornal A Noticia de Joinville SC

27 de setembro de 2011

Somos Campeões


Não tem quem nos possa ganhar. É verdade que no quesito corrupção ainda não alcançamos os níveis escandalosos que praticam os países africanos menos desenvolvidos. Os modelos presidencialistas, em que publico e privado se confundem e misturam de tal forma que fica impossível de diferenciar aonde acaba um e começa o outro. Mas estamos nos esforçando para rapidamente nos equiparar aos melhores, fazer da corrupção parte do nosso cotidiano é um passo firme e definitivo, para que deixemos de nos impressionar com os escândalos e que o corrupto de amanha nos leve a esquecer o de hoje. A banalização da corrupção faz que fiquemos insensíveis, que nada nos surpreenda mais, que nem os valores envolvidos, nem os nomes de corruptores e corrompidos sejam novidades. Chegamos até cumprimentar e em algumas situações extremas homenagear os maiores corruptos. Oferecendo comendas e prêmios aos melhores dos piores.
Se em corrupção o Brasil esta no caminho, para estar entre os melhores, em procrastinação, não tem para ninguém. O Brasil é campeão mundial de “empurrar com a barriga”, transferir para outro dia, demorar em resolver algo. Claro que algumas vezes a casa cai, textualmente, na nossa cabeça, e não nos quedaria alternativa que por as mãos na massa e resolver. Mas conseguimos dar um jeito de adiar uma vez mais a solução.
A elegância com que ignoramos os problemas, deixando de falar deles, olhando para o outro lado, a facilidade com que os esquecemos, nos levam a acreditar infantilmente que se fechamos os olhos, quando os abramos de novo, tudo estará resolvido, como por um passe de mágica. Claro que as coisas não se resolvem sozinhas, na realidade a tendência é que os problemas que não enfrentemos se avolumem e cresçam. Quando mais procrastinemos maiores serão os problemas, poderemos sempre culpar os que nos antecederam por não ter tomado as decisões e atitudes corretas e necessárias, estaremos novamente praticando o nosso esporte preferido, empurrar com a barriga, deixar de decidir, adiar, protrair, alongar, dilatar. Todos eles sinônimos que definem nosso esporte favorito. 

Publicado no jornal A Noticia de Joinville SC
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