16 de janeiro de 2019

Quando destruir produtos novos é mais barato que doar...

Texto de Rafael Rosset

A França está em choque. 

Mas não pelo terrorismo islâmico, nem pelos coletes amarelos protestando contra os altíssimos impostos ou contra a imigração desenfreada.

A França está em choque porque descobriu que a Amazon local queima milhares de produtos novos, como fraldas, cafeteiras e brinquedos, numa prática chamada de "aberração ecológica, econômica e social" pelo canal M6, que exibiu o documentário "Capital".

Funciona assim: a Amazon tem 6 gigantescos armazéns na França (e outros tantos em países como Reino Unido e EUA). Um produto que não é vendido, nem após sucessivos descontos, ocupa espaço no armazém, e espaço custa dinheiro. Logo, a empresa devolve o produto ao fornecedor.

Só que a devolução implica no desembolso do frete. A depender do valor do produto, o frete simplesmente não compensa. A saída, claro, seria doar o produto. Só que o governo francês (assim como o brasileiro) tributa doações.

Sim, o Estado de Bem Estar Social cobra impostos sobre a caridade privada pra financiar a solidariedade pública (e outras coisas mais, que nós brasileiros conhecemos bem). 

Se custa caro manter o produto em estoque, se custa caro devolver o produto ao fornecedor, e se custa mais caro ainda doar, a saída, claro, é queimar. 

Como o Estado francês pretende resolver isso? 1- Reconhecendo que uma corporação sempre vai agir para maximizar seu retorno dentro do quadro institucional desenhado, ou 2- vendendo uma narrativa de "empresa capitalista má que precisa ser detida pelo governo bondoso"? Qualquer mente organizada, adepta da primeira visão e com alguma noção de Análise Econômica do Direito, sugeriria abolir o imposto sobre doações, ou então que o governo comprasse os estoques da Amazon a preços de custo e o distribuísse a quem deles necessita.

Só que Bruine Poirson, secretária de Estado do ministro da Transição Ecológica (sim, isso existe), não concorda com isso, e já informou que proporá uma lei que PROÍBA a Amazon de se desfazer de seu estoque. Uma tal legislação, se aprovada, evidentemente encarecerá todos os produtos vendidos no site, e dificultará o acesso dos mais pobres a produtos e serviços, efetivamente PIORANDO a vida de todos. No limite, a Amazon deverá restringir a variedade de produtos ofertados ao consumidor francês, limitando-se a vender somente aqueles produtos cuja venda é garantida. E Emmanuel Macron, indignado, prometeu aumentar os impostos sobre os lucros de varejistas online, o famoso (e também bem conhecido no Brasil) princípio de "você está sendo bem sucedido DEMAIS, vou te tributar", medida que também vai encarecer o mix da loja, em prejuízo dos mais pobres.

Não existe nada no mundo que seja mais inimigo do pobre do que as esquerdas, desde a centro esquerda liberal e social democrata até a extrema esquerda stalinista/trotskista: é um exército de "intelectuais" e "especialistas" unidos pra infernizar a vida dos mais humildes sob o pretexto de defende-los.

https://tamebay.com/2019/01/french-tv-reveals-amazon-france-destroy-products-by-the-million.html

14 de janeiro de 2019

Caderno de Viagem - Peninsula de Valdes (3)








Como deixar de ser estúpido.

Como deixar de ser estúpido.

Sei que isso de dar conselhos a quem não os pede é perda de tempo, mas vendo como a vila vai descendo ladeira abaixo, não consigo me manter calado ante tanta estupidez. Agora fiquei na duvida se é só estupidez ou parvoíce? Há além da estupidez muito de arrogância e toneladas de inépcia e Joinville é que paga o preço de tanta incompetência. Mas vamos lá. Vamos fazer uma boa ação e aconselhar ao estupido mor, com deixar de ser estupido ou no mínimo como fazer menos estupidezes
.
Primeiro é preciso esclarecer que estupidez não é o oposto a inteligência, que é possível ser inteligente e estupido ao mesmo tempo. Alias no caso em questão está presente o grau necessário de inteligência para potencializar a estupidez a enésima potência. Estupidez é quando alguém inteligente precisa lidar com situações complexas. Estupido é todo aquele que por não entender ou desconsiderar a informação importante, aquela que é crucial para poder resolver o problema, toma as decisões erradas. As pessoas que se acham muito inteligentes, tem uma predisposição a simplificar as situações complexas e ao faze-lo desconsideram pontos que são cruciais para entender o problema e achar a solução correta.

O que nos leva a cometer erros de avaliação? Por que nós equivocamos ao tomar decisões? Por que é tão fácil cometer estupidezes? Há vários motivos o primeiro é a magia, a ilusão, a fantasia. Não são intrinsicamente ruins. Há na magia truques para nós distrair. O magico nos conduz, utilizando a ilusão, a não prestar atenção naquilo que deveríamos e nós confunde com sua técnica e habilidade. O seu objetivo é nos fazer de estúpidos, para que não percebamos aquilo que deveríamos ter percebido, que aliás está sempre na frente dos nossos olhos. O outro motivo que nos induz a cometer erros são o engano, a fraude, a falcatrua, a tramoia. Nestes casos há maldade na ação e na intenção. Em quanto o magico, o prestidigitador faz de conta e nós sabemos que há um truque, os que usam a mentira, o ardil, a treta, buscam ocasionar um prejuízo, são maldosos.

Há vários motivos que estimulam a estupidez. Esses gatilhos fazem que pessoas normais passem a agir e se comportar de forma estupida e cometam erros que não cometeriam normalmente. Estar fora do seu ambiente natural, imaginar que a administrar uma cidade complexa como Joinville é igual que administrar uma indústria leva a cometer estupidezes. Participar ou formar parte de um grupo é um potencializador da estupidez, quantas vezes somos levados pelo grupo a concordar com posições e temas com os que não teríamos concordado normalmente, se esse grupo é formado por pessoas medíocres agregue três pontos ao potencial de cometer estupidezes. Estar na presença de um especialista ou pior ainda se como é o caso aqui, você se considera um especialista em toda e qualquer matéria ou tema. Neste caso o potencial de estupidez aumenta 10 vezes. Estupidezes ditas por um especialista ou por um grupo de especialistas aumentam o nível de estupidez coletiva. Veja por exemplo a duplicação da Avda. Santos Dumont ou o aumento da COSIP. Quando temos excesso de informação e não conseguimos identificar corretamente o que é importante, transcendental ou crítico. E claro o stress, a fatiga, a pressão. Todos eles contribuem a aumentar a estupidez ou a evidenciar a estupidez natural de cada um. A esses fatores ainda é necessário acrescentar a pressa, a necessidade de agir sob pressão. O pior ainda é que estes fatores são cumulativos e a soma de todos eles leva a níveis exponenciais de estupidez.


Entenderam agora porque Joinville está como esta? Estamos governados por um estupido, rodeado por um bando de outros estúpidos, aconselhado por especialistas. Chegamos ao ponto em que não há mais como esconder a estupidez a quantidade e a frequência dos erros cometidos por gente estupida não podem ser mais ignorados, nem podem ser justificados pela falta de conhecimento ou de experiencia. 

10 de janeiro de 2019

Carrocentrismo

Carrocentrismo

O modelo de desenvolvimento urbano que adotamos e seguimos é carrocentrista, alguns o denominam antropocentrista, colocando, no seu discurso o homem no centro do modelo, mas cada vez mais estamos implantando um modelo carrocentrista, aquele em que o veiculo é o centro de todas as decisões que tomamos. Há vários motivos que justificam e que incentivam esta modelo, mas há poucos estudos sobre o impacto e o preço que estamos pagando e seguiremos pagando por décadas por esta serie de decisões equivocadas, pior que equivocadas, que já é grave, são decisões ultrapassadas porque a maioria de cidades localizadas nas sociedades mais desenvolvidas já faz tempo que estão na contramão deste modelo e avançam firmemente na direção a partir de um modelo de planejamento urbano mais humanizado em que o pedestre seja o centro e a sustentabilidade, a natureza, a permeabilidade, a transparência, a saúde, em definitiva a qualidade de vida seja o eixo principal do desenvolvimento.

Já há estudos que provam o impacto dos 8 anos de Uber no mundo, houve uma redução no numero de proprietarios de carros nas grandes cidades, paralelamente a este dado há cidades e especialmente bairros de renda alta em que o numero de veiculos aumentou gerando medias superiores a um carro por habitante. 

Joinville tem tomado uma serie de decisões equivocadas no que se refere ao planejamento urbano, são décadas de erros. Só agora começam a ser evidentes os resultados desta continua serie de erros e só agora o cidadão começa a pagar o preço de toda esta incompetência. Quando se planeja uma cidade os impactos, tanto positivos, como negativos, muitas vezes levam tempo para ser percebidos. A decisão de priorizar o uso do carro em detrimento do estimular a mobilidade a pé ou por bicicleta tem impacto na saúde dos joinvilenses, caminhando menos temos uma geração mais sedentária, mais obesa, com mais doenças respiratórias, cidades que utilizam combustíveis fósseis, como gasolina e óleo diesel tem uma qualidade do ar pior e isso tem impacto sobre todos os habitantes.

Quando afastamos o pedestre da rua, as ruas estão mais desertas, menos seguras e isso estimula o aumento da violência urbana e a insegurança, cada vez mais pessoas evitam caminhar por ruas pouco movimentadas e a cidade vai se esvaziando. Ruas bem iluminadas, com calçadas largas e arborizadas são mais seguras, estimulam a caminhar, o comercio vende mais e aumentam a atratividade da cidade.

Quando Joinville permitiu que os veículos ocupassem toda a frente dos imóveis para estacionar e manobrar, aumentou o risco de acidentes para os pedestres, se perdeu permeabilidade, porque áreas que até aquele momento eram verdes foram calçadas. O interesse de uma minoria teve acolhida na Câmara de Vereadores e o prefeito não vetou uma lei absurda. Do mesmo jeito quando a legislação exige que cada prédio tenha estacionamento para os moradores e visitantes ou clientes se busca desafogar as ruas de carros, mas se encarece cada vez mais o acesso a moradia. Quantos metros quadrados Joinville construiu nos últimos anos exclusivamente para servir de garagem? A que custo? Em quanto na maioria de cidades europeias são os municípios os que constroem ou estimulam em parceria com a iniciativa privada a construção de estacionamentos públicos e os recursos arrecadados se destinam a investimentos em melhoria da mobilidade, a construção de mais e melhores calçadas e passeios, a construção de praças e áreas verdes, ao plantio de arvores e a implantação de ciclovias bem planejadas e seguras aqui nem sonhamos em algo parecido.


Políticas públicas de desenvolvimento urbano hoje devem considerar que o modelo atual está obsoleto e não pode ser mantido por mais tempo. As cidades devem buscar obsessivamente a preservação da qualidade de vida e principalmente ter uma visão de futuro em que se deixe de priorizar o carro como modal de transporte e se desestimule o uso de veículos movidos a combustível fóssil. Em quanto, nos países desenvolvidos vemos cada vez mais cidades restringirem o acesso dos carros aos seus centros urbanos, agregando mais e mais ruas a lista e expandindo as áreas livres de carros, aqui estamos fazendo tudo para colocar o carro na sala e no quarto. Já pensou em quanto espaço estamos destinando aos carros e quanto custa? Já pensou se este espaço não poderia ser melhor utilizado? Já fez contas de quanto custa todo esse espaço?

9 de janeiro de 2019

A Fabula da Galinha

Esta fabula, que não é de Esopo, descreve bem o Brasil atual.


Esta é a fábula da galinha, que convida seus vizinhos para plantar trigo. E afirma aos outros animais:
“Se plantarmos trigo, teremos pão para comer. Alguém quer me ajudar?”
- Eu não, disse a vaca.
- Nem eu, emendou o pato.
- Eu também não, falou o porco.
- Eu muito menos eu, disse o ganso. Faço parte de outro sindicato.

- Então eu mesma planto, falou a galinha. E plantou. O trigo cresceu e amadureceu em grãos dourados.
- Quem vai me ajudar a colher o trigo? Perguntou a galinha.
- Eu não, disse o pato.
- Não faz parte de minhas funções, disse o porco.
- Não, exclamou a vaca. É trabalho análogo a escravo.
- E o ganso? Não ajudo porque perderei o seguro desemprego.
- Então, falou a galinha, eu mesma colho. E colheu. E, com isso, chegou a hora de preparar o pão.
- Quem vai me ajudar a assar o pão? Indagou a galinha.
- Só se me pagarem hora extra. Falou a vaca.
- O pato disse não poder ajudar por que tinha auxílio-doença.
- O ganso disse: se só eu ajudar, será discriminação.
- O porco disse enrraivecido. Ô galinha! Pare com essa insistencia! Isso é assédio moral.
- Então eu mesma asso, disse a galinha. E assou cinco pães.
De repente, todo mundo queria pão. E a galinha disse:
- Não, agora eu vou comer os cinco pães sozinha.
- Lucros excessivos! Gritou a vaca.
- Sanguessuga capitalista! Exclamou o pato.
- Eu exijo direitos iguais! Bradou o ganso.
- E o porco partiu logo para a organização de um movimento com milhares de cartazes com dizeres: "Injustiça", "discriminação", "assédio". Para a galinha, os mais ofensivos impropérios.
Instalada a confusão, chegou um agente do governo. Dele, a galinha ouviu o seguinte:
- Você não pode ser assim egoísta.
- Mas eu ganhei esse pão com meu próprio suor, defendeu-se a galinha.
- Exatamente, disse o funcionário. Essa é a beleza da livre empresa. Qualquer um neste país pode ganhar o quanto quiser, mas os mais produtivos têm que dividir o produto de seu trabalho com os que não fazem nada. Essa é a base dos nossos direitos humanos. País rico é país sem pobreza!
A galinha engoliu seco e calou. Calou de uma vez. E os vizinhos perguntam até hoje por que, desde então, ela nunca mais fez absolutamente nada... Não é para menos. Destruiram-se a iniciativa, a criatividade e os empregos.
Assim chegamos ao final do ano de 2018 Precisamos reanimar a galinha. --
Prof. José Pastore.


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