16 de julho de 2014

Enchentes la e aqui

Na Suíça as cidades tem mapeadas as áreas sujeitas a enchentes, como também em Joinville, a diferença é que em caso de risco de enchentes se dispara um processo para minimizar os estragos e reduzir a perda de patrimônio.

Áreas alagáveis são bem identificadas e a sua ocupação é proibida ou permitida só para determinados usos. Aqui as áreas alagáveis estão mapeadas, mas o poder público não acha necessário tomar nem medidas de proteção para as atividades já instaladas, nem implantar nenhum tipo de restrição a novas ocupações destas áreas.

O sistema de barreiras moveis temporárias das imagens foi instalado para que as enchentes, caso venham a acontecer, não representem uma grande perda para a cidade e os munícipes. O sistema suíço não deveria parecer tão fora da nossa realidade, mas aqui é impensável.



Quem quiser se aprofundar mais no tema vale a pena visitar o site da empresa http://www.beaver-ag.com/


14 de julho de 2014

40 - 1



Não, não é o resultado da final da copa entre Argentina e Alemanha, tampouco do jogo do sábado entre o Brasil e a Holanda, esta é a proporção entre joinvilenses é funcionários públicos municipais. Um funcionário para cada quarenta munícipes. Os matemáticos dirão que não é bem assim que são 42, ou 44 dependendo da base de calculo, vamos concordar que esses são números que nunca vão fechar direito, porque a quantidade exata de funcionários públicos é um mistério é pode mudar de acordo com a época do ano, a fonte ou quem pergunte. 

O que ninguém mais questiona é que a prefeitura municipal e todas as fundações, institutos e anexos tem se convertido na maior empregadora do município. Numa cidade que já foi chamada de Manchester catarinense e que fez por muitos anos da industria o seu motor econômico é interessante acompanhar o crescimento constante e sustenido da sua maquina pública.

Aos poucos o numero de funcionários aumenta, e aqui só estamos a falar dos municipais, também tem aumentado os números no nível estadual e federal. O aumento puro e simples da quantidade não deveria representar nada por si próprio, fora a constatação que o aumento não tem parado e que vem superando o crescimento vegetativo da população. O que sim deve preocupar ao cidadão atento é que cresce entre a sociedade a percepção que não tem melhorado a qualidade do serviço prestado pelo município. Ao contrario o município precisa licitar e contratar a maioria de serviços que antes eram prestados pelo quadro efetivo de servidores municipais. Hoje não há com achar alguém para trocar uma lâmpada, recolher o lixo, roçar o mato o cuidar de parques e praças.


 Joinville tem um governo municipal que fez da gestão a sua principal bandeira de campanha. O prefeito e sua equipe tem pela frente, o desafio adicional, da busca da eficiência do quadro de servidores, para que ofereçam os melhores serviços a sociedade que com seus impostos paga seus salários. Os indicadores de gestão, também no caso da gestão pública, são a produtividade, a eficiência, a economicidade e a qualidade. O custo que a sociedade paga pelo que recebe e o grau de satisfação do contribuinte com os serviços públicos oferecidos são a forma como o cidadão pode medir se 1 funcionário para cada 40 joinvilenses é muito ou pouco. 

Publicado no jornal A Noticia de Joinville SC

11 de julho de 2014

Joinville esta parada?


O prefeito Udo Dohler repete um dia sim e outro também que Joinville esta parada por conta da não aprovação da LOT, e ainda insiste em acusar o grupo de associações de moradores que questionam a aprovação da LOT, sem cumprir os tramites legais e sem promover o debate necessário, como os principais deste atraso.

Os dados que ano trás ano a Seinfra ( Secretaria Municipal de Infraestrutura) apresenta desmentem as diatribas do prefeito e mostram que a unica Joinville que esta parada é a pública, exceção feita da Seinfra, que tem trabalhado como nunca para liberar alvarás de construção para 590 mil metros quadrados de novas edificações em Joinville.

A pesar da algaravia do prefeito e dos seus acólitos o que fica cada dia mais evidente é que a Joinville que esta sofrendo um apagão é aquela que deveria ser um exemplo de gestão, alias gestão é a maior promessa não cumprida, mas não é a unica.

2 de julho de 2014

Livros nos fazem mais livres

Ler mais para pensar mais

Relacionamos a leitura mais com as humanidades que com as ciências, numa cidade como Joinville em que a maioria dos cursos universitários esta voltado para as engenharias e acabam direcionando seus formandos para um mercado de trabalho voltado para a industria pagamos um preço por este direcionamento e especialização do ensino para o mercado.

Quando ciências e letras ou as carreiras cientificas e as humanas se separaram cometeu-se um erro, hoje é comum que o saber cientifico tenha mais prestigio que o saber humanístico. O progresso de uma nação se mede pelo numero de cientistas e de engenheiros, os humanistas são pouco mais que um enfeite, sociólogos, filósofos, filólogos, historiadores são vistos como detentores de um conhecimento pouco útil. Esta simplificação, como todas as simplificações, é perigosa.

Se originam nas humanas os conceitos mais importantes para nossa convivência: a dignidade humana, os direitos, a estrutura política, os modelos de convivência são todos criações humanísticas. O vinculo entre leitura e capacidade intelectual em uma sociedade, que como a nossa, é baseada na linguagem é fortissimo. Ler implica dominar a linguagem, conhecer mais palavras, poder nos expressar melhor e ter um vocabulario mais rico, poder assim comprender melhor e poder defender com melhores argumentos conceitos como a dignidade, o direito, a justiça, a razão. Faze-lo ainda desde perspectivas diferentes de quando abordamos os mesmos conceitos desde o cartesianismo cientifico. Em quanto às humanidades tratam dos fins, as ciências tem se especializado nos meios.


Quando deixamos de ler, empobrecemos nosso vocabulario, estamos contribuindo a que se esqueçam os maiores logros de humanidade, e corremos o risco de voltar a epoca das invasões bárbaras, quando se destruiu boa parte da cultura e do conhecimento occidental. Olhando Joinville e as alternativas que estão sendo propostas, a impressão é que prevalece o pensamento retilíneo e o culto a obtusa simplicidade. Hoje se le pouco e na maioria das vezes e ler se resume a pura e simples leitura de titulares e a pasteurização dos conceitos, estamos empobrecendo culturalmente e como sociedade. A quem interessa esse modelo de sociedade que não lê e tampouco pensa, uma população que não questiona e não debate?

30 de junho de 2014

Bugios e gorilas

Os dois grupos de bugios que, ainda hoje, sobrevivem de forma precária, isolados nos remanescentes da mata nativa que quedam na região da Estrada da Ilha devem em breve ficar reduzidos a poucos indivíduos, condenados a endogamia e extinção. Seu habitat devera quedar restrito a área verde de algum dos futuros condomínios de alto padrão, que devem ser implantados na região, caso prosperem as ideias de crescimento a qualquer custo e acreditemos no discurso vazio e inconsistente, que afirma que Joinville, a pesar de autorizar a construção de mais de 1 milhão de m2 ao ano, esteja parada.

Dia 1 de julho Ruanda celebrou seu décimo Kwita Izina a festa em que são batizados os gorilas nascidos ao longo do ano. Em 2013 receberam nome 9 novos gorilas, neste ano foram 22,. Um sucesso de preservação da biodiversidade que gerou,no ultimo ano, US $ 300 milhões de receita ao país africano e é um êxito econômico, fazendo do santuário dos gorilas no Parque Nacional Virunga a principal atração turística de Ruanda aonde cada turista paga em media US $1.000, só para ver de perto os gorilas no seu habitat, durante pouco mais de uma hora,  fora as despesas com transporte, hotel e outros. Na década de 70 existiam na Espanha menos de 200 exemplares de uma das maiores aves do mundo, o abutre preto, parecia condenada a extinção, hoje há mais de 2.000 exemplares e a sua população continua crescendo. Também os rebanhos de bisontes voltaram as planícies dos Estados Unidos é hoje graças a ambiciosos programas de preservação e desenvolvimento sustentável há mais de 400.000 bisontes pastando, crescendo e procriando, depois de ter sido praticamente extintos pela caça indiscriminada e a cobiça.

Aqui as nossas autoridades insistem no discurso do crescimento e projetam uma Joinville se espalhando por áreas ambientalmente frágeis e vulneráveis, acreditam e defendem uma cidade em que cada habitante terá seu próprio carro, em que pedestres deixarão o seu espaço para os cidadãos motorizados. Crescer por crescer é a lógica das células cancerígenas, em quanto o mundo desenvolvido já percebeu que crescimento não pode estar dissociado de desenvolvimento, sustentabilidade e qualidade de vida, aqui em Joinville ainda ha quem viva no século XIX e acredite que é possível crescer impunemente.


Mas a quem interessam os bugios? Perder biodiversidade não parece importante para quem ainda acredita num mundo de recursos infinitos.

Publicado no jornal A Notícia de Joinville SC

27 de junho de 2014

Não falta dinheiro, falta "geston"

Este é o ofício assinado pelo Secretario de Comunicação Marco Braga em que admite Publicidade de 15,5 milhões da Prefeitura Municipal de Joinville para os próximos 2,5 anos. O que representa uma média de 6,2 milhões de reais por semestre até o fim do mandato do Prefeito Udo Dohler. 



17 de junho de 2014

O risco e a incerteza

POR JORDI CASTAN

Vez por outra os posts deste espaço têm como tema a administração pública, a sua forma de funcionar ou de não fazê-lo com a eficiência que, como contribuintes e cidadãos, gostaríamos.

Boa parte das críticas se dirigem à figura do prefeito. Ter focado a sua campanha eleitoral na imagem de gestor e num suposto conhecimento dos problemas da saúde faz com que as cobranças e criticas sejam mais veementes agora. É parte do preço a pagar por haver criado expectativas maiores que as que poderia atender. Para complicar um pouco mais as coisas para o seu  lado, o prefeito repetiu como um mantra durante toda a campanha e mesmo depois de eleito que o problema não era falta de dinheiro e sim falta de gestão. Há dezenas de vídeos por aí que provam o como é perigoso falar sem conhecimento do que não se sabe em profundidade.

A pergunta que muitos nos fazemos, e que gostaria de compartir com os leitores é: por que a qualidade das decisões do poder publico é tão ruim? Não há um único tema que nos permita dizer ter sido bem conduzido do início ao fim. O joinvilense já sabe que as obras não serão entregues no prazo, que o orçamento vai estourar, que a qualidade final não será a melhor, que o processo será judicializado, que as ruas estão ficando às escuras, que a pintura das faixas de pedestres não dura um ano escolar, que faltou prever isso ou aquilo. E, o que é pior, que não só ninguém será punido ou responsabilizado, nem tampouco nenhuma autoridade assumirá um pedido publico de desculpas pela sua incompetência. Como se a incompetência fosse algo inerente à coisa pública e fosse “normal” ou aceitável que seja assim.

Me ocorre que parte do problema se centra no processo de tomada de decisão dos gestores públicos. Há uma diferença sensível entre correr riscos e não ter certeza. Qualquer pessoa toma decisões constantemente. Executivos e autoridades em cargos de primeiro escalão são chamados a tomar um maior número de decisões da maior responsabilidade e, por isso, suas decisões têm uma maior relevância e seus erros ficam mais em evidência.

Podemos dividir o processo de tomada de decisão em três categorias:

Sabemos os resultados da nossa ação – Este é o caso mais fácil. Se aperto o botão do elevador o elevador se movimentará. Se coloco a chave certa na fechadura correta a porta se abrirá.

Não sabemos os resultados, porém conhecemos as probabilidades - Neste caso o risco está presente. Se for jogar a um cassino, antes mesmo de colocar um pé nele ou de sentar na mesa de jogo sabemos que há possibilidades de ganhar ou de perder. Portanto ninguém se surpreenderá com o resultado.

Não sabemos nem o resultado, nem as probabilidades – Isso é incerteza e a incerteza nos faz ignorantes, porque não sabemos o que pode acontecer.

Tanto na vida cotidiana como no poder público,  como é a nossa administração municipal - e neste momento me atrevo a dizer que no caso que nos ocupa -, os tomadores de decisão não podem deixar o prefeito sozinho com esse abacaxi. Acreditam que estão tomando as suas decisões baseados na segunda hipótese, quando os resultados mostram que estão decidindo pela terceira.

É justamente a ignorância que faz que as decisões tomadas acreditando que se conhecem todas as probabilidades ou alternativas, sejam na realidade um salto no escuro e os resultados sejam completamente imprevisíveis.

Um bom indicador de quanto há de ignorância na tomada de decisão é olhar um pouco atrás, ler alguns jornais velhos e ver com que frequência o que aconteceu é completamente diferente do que tinha sido previsto. Mantendo o foco na gestão sambaquiana, vamos pôr o foco em alguns casos: 

Os recursos transferidos ao CDL para organizar o Natal Luz e que hoje estão pendentes de um processo no TCE (Tribunal de Contas do Estado);


O caso do Crematório em que alguém acreditou que poderia descumprir a lei autorizando um empreendimento sem seguir todos os passos do processo legal (hoje o crematório continua sem poder funcionar); 


Os parques da cidade são casos anedóticos, nunca se concluem no prazo e dentro do custo.


Continuamos? Não há melhor exemplo que o da LOT. Quantas vezes o poder público tem obviado as diferentes alternativas possíveis e insistido em buscar atalhos que tem se convertido numa sequência interminável de quebra-cabeças. A licitação do estacionamento rotativo ou a manutenção da iluminação pública, ou....ou... é só ir acrescentando.


Vivemos em uma sociedade preparada para a segunda hipótese, a do risco, pois correr riscos calculados  faz parte do dia a dia de qualquer administrador que toma suas decisões baseado nas probabilidades. Mas vivemos uma realidade muito mais próxima da terceira hipótese a de que ignoramos e mesmo assim decidimos correr riscos, o resultado esta aí à vista de todos.
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