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16 de julho de 2013

Espiões, xeretas e curiosos

É interessante a ideia que alguém possa ter interesse em escutar todas as conversas telefônicas, ler todos os emails e ter acesso a todos os bate-papos do mundo.
A primeira pergunta que me ocorre e a quem poderia interessar tanta bobagem? A maioria das nossas conversas diárias são totalmente intranscedentes, não tem a menor importância estratégica e é difícil imaginar que possam ameaçar a segurança nacional de algum país por menor que fosse.

Se alguém tivesse acesso aos arquivos feitos públicos por Edward Snowden, o funcionário de uma empresa de segurança contratada pela super secreta NSA americana encontraria muita bobagem, conversas de namorados, entre pais e filhos, entre amigos, conversas de trabalho e no meio de todas elas escondidas entre códigos secretos, típicos de quem precisa esconder suas intenções alguns verdadeiros tesouros.

"Chegou o pacote"
"Ainda não recebi os cinco quilos de tomate"
"Rose, prepara as malas, vamos para o Gabão"
"Incluir essa rua na emenda, vai custar 25 balinhas"
"Tudo limpo"
"Atrasou 15 dias"
"Pode vir, ele já foi"
"Não esqueça do amigo"
"Obama, VTNC"

Saber selecionar as informações que tem valor, aquelas que podem permitir identificar um terrorista e desarmar uma trama criminosa, requer muito esforço e muito trabalho.  Identificar no meio de milhões de e-mails, de milhares de horas de conversas ou escondidas em imagens de uma festa de aniversário, aparentemente inocente, com tias, avo e madrinhas em volta de um menino com sobrepeso que esta cumprindo 6 anos de idade, é um trabalho árduo que requer capacidade e meios. Ainda que minha impressão seja que deveria ser considerado insalubre porque não deve ser fácil lidar com tanta futilidade e tanta bobagem.

Por outro lado com tanta gente pendurando melancias no pescoço digital, publicando fotos que em prol do bom senso nunca deveriam chegar a existir e que a sua simples observação produz ataques brutais de vergonha alheia. Tem os que fazem check-in no Foursquare, os que tuitam o que fazem a cada 3 minutos ou  Utilizam o Instagram para mostrar o seu prato, no mínimo três vezes ao dia. Com todos estes exibicionistas soltos por aí, para que alguém deveria montar um sistema de espionagem? se são as próprias pessoas as que se expõem até um ponto em que é difícil imaginar que quede alguma coisa que não conheçamos de autênticos desconhecidos.

9 de julho de 2013

E a privacidade?


Ninguém mais acredita que exista nenhuma informação, menos ainda nenhum segredo que possa estar a salvo dos modernos sistemas de espionagem. Hoje é possível comprar, em lojas especializadas, equipamentos e geringonças tecnológicas que permitem registrar e transmitir todo tipo de conversas e imagens, até ontem restritas ao âmbito da intimidade.

Os arapongas amadores e os que fazem disso uma profissão, não são nem aprendizes se comparados a capacidade tecnológica e recursos a que tem acesso grandes corporações e principalmente governos. Nada escapa hoje aos modernos sistemas de escuta telefônica ou de vigilância eletrônica. É um segredo a vozes que não há dados a salvo e que todos podem ser acessados com o conhecimento e os meios adequados. O Brasil tem computadores poderosos como o “T Rex” da Receita Federal e softwares como o “Harpia” que permitem armazenar e processar centenas de milhares de informações simultaneamente ou sistemas como o “Guardião” capaz de gravar escutas telefônicas.

No nível internacional faz já muitos anos que se conhece a existência do sistema Echelon com capacidade de registrar e gravar todo o trafego telefônico do mundo e se esta tecnologia é utilizada pelos serviços secretos ocidentais para bisbilhotar tudo o que se fala no mundo, devemos pressupor que existam outros semelhantes operados por chineses e russos. Toda esta gigantesca capacidade tecnológica fica convertida em nada se comparada ao sistema PRISM operado pela NSA, a secreta organização americana que deixa a outrora poderosa CIA no chinelo e da que tivemos confirmação da sua existência pelo vazamento feito por Edward Snowden, atualmente o inimigo publico numero um.


O que não dá para entender é para que investir tantos milhões se a maioria das pessoas se expõe até muito além do bom senso na rede. Mostram tudo, divulgam tudo e parecem acometidos por ataques violentos de exibicionismo. Parafraseando Andy Warhol, a internet permite que todos tenham seus 15 minutos de fama. Hoje acabamos conhecendo mais intimidades sobre pessoas que nem conhecemos, nem sequer sabemos quem são e não chegam nem ao nível de sub-celebridades de que de algumas pessoas próximas, mas que optaram por preservar um mínimo de privacidade.
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