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14 de julho de 2013
12 de julho de 2013
São os políticos seres alienígenas?
A revista Veja, da qual não sou nem leitor nem
assinante, estampa na sua capa desta semana uma pergunta inquietante: “Você
concorda que Brasília deveria abandonar a galáxia distante onde está e voltar
ao Brasil?”. Imediatamente me veio à mente o filme MIB (Men in Black) de
1997, protagonizado por Tommy Lee Jones, Will Smith e a encantadora Linda
Fiorentino. Depois foram feitas outras versões e já está hoje na terceira.
O filme apresenta a possibilidade, até hoje
fantasiosa, de que seres extraterrestres vivessem normalmente aqui na Terra.
Depois de ver a capa da "Veja", não me resta nenhuma dúvida de que o
filme é premonitório. Os nossos políticos não podem ser seres normais, não
podem ser terrenos... ou seria mais correto dizer terráqueos? Não é Brasília
que deve voltar à Terra, desde a galáxia distante em que a "Veja"
assegura que se encontra. Brasília existe, é real e está no Planalto Central.
Eu mesmo já estive lá mais de uma dezena de vezes. Os políticos de Brasília,
como em todas as capitais e todos os municípios brasileiros, foram abduzidos
por seres de outra galáxia, alienígenas que estão entre nós para destruir a
nossa civilização ou o que resta dela.
É impossível imaginar que, enquanto milhões de
brasileiros saem às ruas a pedir uma mudança, estes senhores possam estar
passeando em jatinhos da FAB, pagos com o nosso dinheiro para assistir jogos de
futebol, casamentos, visitar amigos e levando juntos parentes e namoradas. Nos
últimos 5 meses foram 65 vezes. Tudo enquanto às portas dos estádios as pessoas
enfrentavam a polícia pedindo reformas, protestando contra a corrupção e contra
o mau uso do dinheiro público. Dentro dos estádios, alheios a tudo, tinha
políticos posando de torcedores.
A invasão está espalhada por todos lados. Nas assembleias legislativas, importantes projetos de lei outorgam o título de capital da carne, ou da banha, ou do jiló a esta ou aquela cidade. Enquanto isso, a saúde, a educação e a segurança desmoronam, como resultado da má gestão, do gasto exagerado e da própria roubalheira.
Nos municípios do interior, pequenos sátrapas dispõem dos recursos públicos como se fossem próprios, e contratam jardins de inverno, aquários, carros com motorista e quilometragem ilimitada ou qualquer outra bobagem que lhes dê na telha. Tudo ao mesmo tempo que recebem em audiência os representantes da sociedade que defendem a redução do custo do transporte público ou o passe livre. Para ter uma noção de como a situação escapou do controle, entre 2005 e 2012 os municípios brasileiros contrataram mais de 1.500.000 de funcionários e a proporção de funcionários públicos em relação à população cresceu 32% sem que os serviços públicos tenham melhorado. No caso de Joinville, a maior empregadora do município é a Prefeitura, com mais de 11.000 funcionários. Cada dia são necessários mais impostos para pagar os custos de uma máquina que não para de crescer.
A invasão está espalhada por todos lados. Nas assembleias legislativas, importantes projetos de lei outorgam o título de capital da carne, ou da banha, ou do jiló a esta ou aquela cidade. Enquanto isso, a saúde, a educação e a segurança desmoronam, como resultado da má gestão, do gasto exagerado e da própria roubalheira.
Nos municípios do interior, pequenos sátrapas dispõem dos recursos públicos como se fossem próprios, e contratam jardins de inverno, aquários, carros com motorista e quilometragem ilimitada ou qualquer outra bobagem que lhes dê na telha. Tudo ao mesmo tempo que recebem em audiência os representantes da sociedade que defendem a redução do custo do transporte público ou o passe livre. Para ter uma noção de como a situação escapou do controle, entre 2005 e 2012 os municípios brasileiros contrataram mais de 1.500.000 de funcionários e a proporção de funcionários públicos em relação à população cresceu 32% sem que os serviços públicos tenham melhorado. No caso de Joinville, a maior empregadora do município é a Prefeitura, com mais de 11.000 funcionários. Cada dia são necessários mais impostos para pagar os custos de uma máquina que não para de crescer.
Não me resta qualquer dúvida: os políticos que
elegemos não são deste planeta, eles são de outro mundo. Ocupam corpos com
aparência de humanos, falam como humanos, se comportam em público como se
fossem seres humanos. Mas não o podem ser. É impossível que esta gente seja tão
insensível ao sofrimento deste país, que não vejam as filas na madrugada, as
escolas interditadas, o patrimônio público deteriorando-se, os professores mal
pagos e o aumento descontrolado da criminalidade.
Estes alienígenas devem possuir algum tipo de poder hipnótico que, retransmitido pelas ondas do rádio ou da televisão, fazem que os eleitores deste país sejam acometidos de ataques sorumbáticos e votem nas maléficas urnas eletrônicas, justamente nos candidatos alienígenas. Porque é difícil aceitar que representem um corte da nossa sociedade. Não pode ser que sejamos tão ruins. São uma abdução em massa ou uma invasão extraterrestre. Só isso poderia explicar uma situação como a que vivemos. E é evidente que a nave mãe que os trouxe não quer levá-los de volta.
4 de julho de 2013
3 de julho de 2013
‘O povo não vai se cansar de protestar’
Manuel Castells: ‘O povo não vai se cansar de
protestar’
Por que o senhor disse que os protestos brasileiros são um ponto de inflexão?
É a primeira vez que os brasileiros se manifestam fora dos canais tradicionais, como partidos e sindicatos. As pessoas cobram soberania política. É um movimento contra o monopólio do poder por parte de partidos altamente burocratizados. É, ainda, uma manifestação contra o crescimento econômico que não cuida da qualidade de vida nas cidades. No caso, o tema foi o transporte. Eles são contra a ideia do crescimento pelo crescimento, o mantra do neodesenvolvimentismo da América Latina, seja de direita, seja de esquerda. Como o Brasil costuma criar tendências, estamos em um ponto de inflexão não só para ele e o continente. A ideologia do crescimento, como solução para os problemas sociais, foi desmistificada.
O senhor vê algo em comum entre os protestos no Brasil e na Turquia?
Sim, a deterioração da qualidade de vida urbana sob o crescimento econômico irrestrito, que não dá atenção à vida dos cidadãos. Especuladores imobiliários e burocratas, normalmente corruptos, são os inimigos nos dois casos.
Por que o senhor disse que os protestos brasileiros são um ponto de inflexão?
É a primeira vez que os brasileiros se manifestam fora dos canais tradicionais, como partidos e sindicatos. As pessoas cobram soberania política. É um movimento contra o monopólio do poder por parte de partidos altamente burocratizados. É, ainda, uma manifestação contra o crescimento econômico que não cuida da qualidade de vida nas cidades. No caso, o tema foi o transporte. Eles são contra a ideia do crescimento pelo crescimento, o mantra do neodesenvolvimentismo da América Latina, seja de direita, seja de esquerda. Como o Brasil costuma criar tendências, estamos em um ponto de inflexão não só para ele e o continente. A ideologia do crescimento, como solução para os problemas sociais, foi desmistificada.
O senhor vê algo em comum entre os protestos no Brasil e na Turquia?
Sim, a deterioração da qualidade de vida urbana sob o crescimento econômico irrestrito, que não dá atenção à vida dos cidadãos. Especuladores imobiliários e burocratas, normalmente corruptos, são os inimigos nos dois casos.
Leia mais sobre esse assunto em O Globo
1 de julho de 2013
30 de junho de 2013
Na Folha de São Paulo de hoje - Elio Gaspari
ELIO GASPARI
A
passeata de 1968 foi o fim de um ciclo
É bom
lembrar: naquele dia o fato relevante foi o atentado ao QG do 2º Exército, que
matou um soldado
Na semana passada, enquanto as multidões
continuavam nas ruas, ecoou a memória da Passeata dos Cem Mil, de 26 de junho
de 1968. A geração daqueles dias, com sua magnífica experiência, atribuiu-se
uma capacidade de explicar o presente fazendo paralelos com o que viveu. Assim,
além de não se explicar o presente, frequentemente se muda o passado.
No dia 26 de junho de 1968 aconteceram duas
coisas. Às 4h30, de madrugada, o soldado Mario Kozel Filho, de 18 anos, estava
na guarita de sentinela do QG do 2º Exército, no parque do Ibirapuera, e viu
uma caminhonete C-14 vindo em direção ao portão do quartel. Desgovernada, ela
parou num muro. O soldado foi ver o que era, e a C-14, com 50 quilos de
dinamite, explodiu e matou-o. Horas depois, numa bela tarde do Rio, a passeata
saiu pela avenida.
Contavam-se nos dedos as pessoas que gritavam
"o povo unido jamais será vencido" dando importância à Vanguarda
Popular Revolucionária, que explodira a bomba no Ibirapuera.
Seis meses depois o governo baixou o AI-5,
ninguém foi para a rua, e o Brasil entrou no seu pior período ditatorial. Não
foi a passeata que levou a isso. Ela era o fim de um ciclo. A bomba e o
interesse do governo em subverter a precária ordem constitucional da época
foram o início de outro.
Festejando-se a memória da passeata, varreu-se
para baixo do tapete a lembrança de um erro catastrófico. Passaram-se 45 anos e
centenas de pessoas que participaram de atos terroristas se maquiaram como
combatentes da causa democrática. Lutavam contra uma ditadura, em busca de
outra, delas.
É o caso de perguntar o que é que isso tem a
ver com o que está acontecendo no Brasil de hoje. Nada. O professor Pedro Malan
já disse que no Brasil não só o futuro é imprevisível, mas também o passado. O
sumiço da bomba do Ibirapuera na memória do 26 de junho de 1968 mostra que ele
tem razão. Quem queria golpear a democracia? Cada um tem direito a responder
como bem entender. O que não se pode é achar que há 45 anos tanto o marechal
Costa e Silva como os tripulantes do comboio que levou a bomba ao QG do
Ibirapuera quisessem defendê-la.
29 de junho de 2013
A revolta não para
Muitas das faixas e cartazes exibidas pelos
manifestantes fazem referencia ao gasto de dinheiro publico para a construção
dos estádios que sediarão a copa do mundo em 2014. O que indigna é tanto o
abuso de poder, e nesse caso a FIFA tem exercido um poder emblemático e o
governo brasileiro tem até adaptado a legislação nacional aos interesses da própria
FIFA, no que poderia ser visto como um ato de lesa-pátria ou de perda de
soberania frente a uma entidade privada e principalmente de gastança de
recursos públicos.
Em 2007, quando o Brasil foi escolhido para
receber a copa do mundo de 2014, o Ministro do Esporte, Orlando Silva afirmou: “Não
haverá um único Real do governo federal para a construção dos estádios” Tolo
quem acreditou. Já esta na hora de deixar de acreditar nas tolices que os políticos
dizem. Dos R$ 7,03 bilhões gastos até agora na construção dos novos estádios,
só R$ 612 milhões são de empresas privadas.
Recursos públicos que poderiam e deveriam ter
sido destinados a construção e equipamento de novos hospitais, a reforma dos
atuais ou para escolas e outros serviços públicos.
26 de junho de 2013
E você o que acha?
Recebi e repasso.
Que venha o novo referendo pelo desarmamento.
Votarei NÃO, como da primeira vez, e quantas forem necessárias. Até que os
Governos Federal, Estaduais e Municipais, cada qual em sua competência,
revoguem as leis que protegem bandidos, desarmem-nos, prendam-nos, invistam nos
sistemas penitenciários, impeçam a entrada ilegal de armas no País e entendam
de uma vez por todas que NÃO lhe cabe desarmar cidadãos de bem.
Nesse ínterim, proponho que outras questões
sejam inseridas no referendo:
· Voto facultativo? SIM!
· Apenas 2 Senadores por Estado? SIM!
· Reduzir para um terço os Deputados
Federais e Estaduais e os Vereadores? SIM!
· Acesso a cargos públicos exclusivamente
por concurso, e NÃO por nepotismo? SIM!
· Reduzir os 39 Ministérios para 12?
SIM!
· Cláusula de bloqueio para partidos
nanicos sem voto? SIM!
· Fidelidade partidária absoluta? SIM!
· Férias de apenas 30 dias para todos os
políticos e juízes? SIM!
· Ampliação do Ficha-limpa? SIM!
· Fim de todas as mordomias de
integrantes dos três poderes, nas três esferas? SIM!
· Cadeia imediata para quem desviar
dinheiro público (elevando-se para a categoria de crime hediondo? SIM!.
Atualização dos códigos penal e processo
penal? SIM!
· Fim dos suplentes de Senador sem votos?
SIM!
· Redução dos 20.000 funcionários do
Congresso para um quinto? SIM!
· Voto em lista fechada? NÃO!
· Financiamento público das campanhas?
NÃO!
· Horário Eleitoral obrigatório? NÃO!
· Maioridade penal aos 16 anos para quem
tirar título de eleitor? SIM!
# Hora do Brasil? NÃO!
Um BASTA! na politicagem rasteira que se
pratica no Brasil? SIM !!!!!!!!!!!
23 de junho de 2013
O Brasil levantou do sofá
Finalmente o brasileiro levantou do seu berço
esplendido, ou melhor, dizendo abandonou o conforto do seu sofá e foi para as
ruas. O espaço que até a pouco estava restrito a uma minoria barulhenta e
politizada passou a ser tomado por uma amalgama de pessoas diversas, de
movimentos, de interesses e de sentimentos encontrados. É bom para o país que
finalmente se crie consciência da força política que a sociedade tem. É muito
positivo que as ruas sejam de volta um espaço de todos, em que caminhe lado a
lado todo o espectro da sociedade. Desde os representantes do MPL, aos
defensores da moralidade pública, os que não suportam mais o mau uso dos
recursos públicos, os que são contrários à homofobia, os que defendem uma
educação publica de qualidade, os que querem mais segurança e os que buscam a
paz e a justiça social.
Pelo inusitado e principalmente pelo pouco
habituados que estamos a exercer os nossos direitos o movimento tem
surpreendido a todos. Os primeiros a não perceber que há no ar um vento de
mudança têm sido os políticos, que nos três níveis, continuam alheios a
realidade do país. Os políticos parecem ter perdido completamente o contato com
a realidade do país. O loteamento do poder para atender os interesses dos
diversos partidos e dos seus lideres são um escárnio. A nomeação do ultimo dos
39 ministros foi a gota demais num copo que já estava cheio.
O estouro do orçamento da reforma do Maracanã
e a sua posterior entrega para a iniciativa privada, junto com a entrega de uma
obra inconclusa e mal acabada, concluiu com uma vaia sonora retransmitida ao
vivo pela televisão e foi outra gota, num copo que já estava derramando.
Mas o que o brasileiro não parece suportar
mais é a volta da inflação, o aumento dos preços, a falta de transporte público
de qualidade, o estado da saúde, a situação das escolas ou a insegurança nas
ruas. Todos têm exemplos próximos de gente à espera de um exame, de escolas
interditadas ou da violência sem sentido.
A voz das ruas e principalmente a força
que adquiriu a sociedade com o uso das redes sociais, da internet e da quebra
do monopólio da informação, mudou de forma definitiva a forma de ter acesso ao
que sucede, democratizou o acesso à informação e proporciona voz a quem até
ontem não a tinha. Contribui ao amadurecimento político mais que a alienação. O
Brasil não vive uma primavera árabe, porque a nossa realidade não é a
mesma. O maior risco é que todo o esforço e a mobilização sejam um desperdício
inútil de energia ou acabem se convertendo numa alegre quermesse, que passe a
ser incluída no calendário turístico das maiores cidades do país, que os seus
participantes formem blocos e vistam abadas. Mas há sim uma mudança no ar. Se
esta mudança será consistente, duradoura e promoverá as mudanças que o país e a
sociedade precisam só o tempo dirá.
Publicado no jornal A Noticia de Joinville SC
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