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12 de julho de 2013

São os políticos seres alienígenas?


A revista Veja, da qual não sou nem leitor nem assinante, estampa na sua capa desta semana uma pergunta inquietante: “Você concorda que Brasília deveria abandonar a galáxia distante onde está e voltar ao Brasil?”. Imediatamente me veio à mente o filme MIB (Men in Black)  de 1997, protagonizado por Tommy Lee Jones, Will Smith e a encantadora Linda Fiorentino. Depois foram feitas outras versões e já está hoje na terceira.

O filme apresenta a possibilidade, até hoje fantasiosa, de que seres extraterrestres vivessem normalmente aqui na Terra. Depois de ver a capa da "Veja", não me resta nenhuma dúvida de que o filme é premonitório. Os nossos políticos não podem ser seres normais, não podem ser terrenos... ou seria mais correto dizer terráqueos? Não é Brasília que deve voltar à Terra, desde a galáxia distante em que a "Veja" assegura que se encontra. Brasília existe, é real e está no Planalto Central. Eu mesmo já estive lá mais de uma dezena de vezes. Os políticos de Brasília, como em todas as capitais e todos os municípios brasileiros, foram abduzidos por seres de outra galáxia, alienígenas que estão entre nós para destruir a nossa civilização ou o que resta dela.

É impossível imaginar que, enquanto milhões de brasileiros saem às ruas a pedir uma mudança, estes senhores possam estar passeando em jatinhos da FAB, pagos com o nosso dinheiro para assistir jogos de futebol, casamentos, visitar amigos e levando juntos parentes e namoradas. Nos últimos 5 meses foram 65 vezes. Tudo enquanto às portas dos estádios as pessoas enfrentavam a polícia pedindo reformas, protestando contra a corrupção e contra o mau uso do dinheiro público. Dentro dos estádios, alheios a tudo, tinha políticos posando de torcedores.

 A invasão está espalhada por todos lados. Nas assembleias legislativas, importantes projetos de lei outorgam o título de capital da carne, ou da banha, ou do jiló a esta ou aquela cidade. Enquanto isso, a saúde, a educação e a segurança desmoronam, como resultado da má gestão, do gasto exagerado e da própria roubalheira.

Nos municípios do interior, pequenos sátrapas dispõem dos recursos públicos como se fossem próprios, e contratam jardins de inverno, aquários, carros com motorista e quilometragem ilimitada ou qualquer outra bobagem que lhes dê na telha. Tudo ao mesmo tempo que recebem em audiência os representantes da sociedade que defendem a redução do custo do transporte público ou o passe livre. Para ter uma noção de como a situação escapou do controle, entre 2005 e 2012 os municípios brasileiros contrataram mais de 1.500.000 de funcionários e a proporção de funcionários públicos em relação à população cresceu 32% sem que os serviços públicos tenham melhorado. No caso de Joinville, a maior empregadora do município é a Prefeitura, com mais de 11.000 funcionários. Cada dia são necessários mais impostos para pagar os custos de uma máquina que não para de crescer. 

Não me resta qualquer dúvida: os políticos que elegemos não são deste planeta, eles são de outro mundo. Ocupam corpos com aparência de humanos, falam como humanos, se comportam em público como se fossem seres humanos. Mas não o podem ser. É impossível que esta gente seja tão insensível ao sofrimento deste país, que não vejam as filas na madrugada, as escolas interditadas, o patrimônio público deteriorando-se, os professores mal pagos e o aumento descontrolado da criminalidade.


Estes alienígenas devem possuir algum tipo de poder hipnótico que, retransmitido pelas ondas do rádio ou da televisão, fazem que os eleitores deste país sejam acometidos de ataques sorumbáticos e votem nas maléficas urnas eletrônicas, justamente nos candidatos alienígenas. Porque é difícil aceitar que representem um corte da nossa sociedade. Não pode ser que sejamos tão ruins. São uma abdução em massa ou uma invasão extraterrestre. Só isso poderia explicar uma situação como a que vivemos. E é evidente que a nave mãe que os trouxe não quer levá-los de volta.

3 de julho de 2013

A voz das ruas

Erlich no El Pais

As manifestações no Brasil [1]



‘O povo não vai se cansar de protestar’

Manuel Castells: ‘O povo não vai se cansar de protestar’





Por que o senhor disse que os protestos brasileiros são um ponto de inflexão?

É a primeira vez que os brasileiros se manifestam fora dos canais tradicionais, como partidos e sindicatos. As pessoas cobram soberania política. É um movimento contra o monopólio do poder por parte de partidos altamente burocratizados. É, ainda, uma manifestação contra o crescimento econômico que não cuida da qualidade de vida nas cidades. No caso, o tema foi o transporte. Eles são contra a ideia do crescimento pelo crescimento, o mantra do neodesenvolvimentismo da América Latina, seja de direita, seja de esquerda. Como o Brasil costuma criar tendências, estamos em um ponto de inflexão não só para ele e o continente. A ideologia do crescimento, como solução para os problemas sociais, foi desmistificada.

O senhor vê algo em comum entre os protestos no Brasil e na Turquia?

Sim, a deterioração da qualidade de vida urbana sob o crescimento econômico irrestrito, que não dá atenção à vida dos cidadãos. Especuladores imobiliários e burocratas, normalmente corruptos, são os inimigos nos dois casos.

Leia mais sobre esse assunto em O Globo

1 de julho de 2013

A caixa de Pandora

Quando a sociedade foi as ruas e descobriu a sua força, foi aberta a caixa de Pandora. Quem conhece a historia sabe que uma vez aberta não há volta atras. Mesmo que seja fechada de novo, não é possível recolocar nela tudo o seu conteúdo.


30 de junho de 2013

Na Folha de São Paulo de hoje - Elio Gaspari

ELIO GASPARI

A passeata de 1968 foi o fim de um ciclo

É bom lembrar: naquele dia o fato relevante foi o atentado ao QG do 2º Exército, que matou um soldado

Na semana passada, enquanto as multidões continuavam nas ruas, ecoou a memória da Passeata dos Cem Mil, de 26 de junho de 1968. A geração daqueles dias, com sua magnífica experiência, atribuiu-se uma capacidade de explicar o presente fazendo paralelos com o que viveu. Assim, além de não se explicar o presente, frequentemente se muda o passado.

No dia 26 de junho de 1968 aconteceram duas coisas. Às 4h30, de madrugada, o soldado Mario Kozel Filho, de 18 anos, estava na guarita de sentinela do QG do 2º Exército, no parque do Ibirapuera, e viu uma caminhonete C-14 vindo em direção ao portão do quartel. Desgovernada, ela parou num muro. O soldado foi ver o que era, e a C-14, com 50 quilos de dinamite, explodiu e matou-o. Horas depois, numa bela tarde do Rio, a passeata saiu pela avenida.

Contavam-se nos dedos as pessoas que gritavam "o povo unido jamais será vencido" dando importância à Vanguarda Popular Revolucionária, que explodira a bomba no Ibirapuera.
Seis meses depois o governo baixou o AI-5, ninguém foi para a rua, e o Brasil entrou no seu pior período ditatorial. Não foi a passeata que levou a isso. Ela era o fim de um ciclo. A bomba e o interesse do governo em subverter a precária ordem constitucional da época foram o início de outro.

Festejando-se a memória da passeata, varreu-se para baixo do tapete a lembrança de um erro catastrófico. Passaram-se 45 anos e centenas de pessoas que participaram de atos terroristas se maquiaram como combatentes da causa democrática. Lutavam contra uma ditadura, em busca de outra, delas.


É o caso de perguntar o que é que isso tem a ver com o que está acontecendo no Brasil de hoje. Nada. O professor Pedro Malan já disse que no Brasil não só o futuro é imprevisível, mas também o passado. O sumiço da bomba do Ibirapuera na memória do 26 de junho de 1968 mostra que ele tem razão. Quem queria golpear a democracia? Cada um tem direito a responder como bem entender. O que não se pode é achar que há 45 anos tanto o marechal Costa e Silva como os tripulantes do comboio que levou a bomba ao QG do Ibirapuera quisessem defendê-la.

29 de junho de 2013

A revolta não para


Muitas das faixas e cartazes exibidas pelos manifestantes fazem referencia ao gasto de dinheiro publico para a construção dos estádios que sediarão a copa do mundo em 2014. O que indigna é tanto o abuso de poder, e nesse caso a FIFA tem exercido um poder emblemático e o governo brasileiro tem até adaptado a legislação nacional aos interesses da própria FIFA, no que poderia ser visto como um ato de lesa-pátria ou de perda de soberania frente a uma entidade privada e principalmente de gastança de recursos públicos.

Em 2007, quando o Brasil foi escolhido para receber a copa do mundo de 2014, o Ministro do Esporte, Orlando Silva afirmou: “Não haverá um único Real do governo federal para a construção dos estádios” Tolo quem acreditou. Já esta na hora de deixar de acreditar nas tolices que os políticos dizem. Dos R$ 7,03 bilhões gastos até agora na construção dos novos estádios, só R$ 612 milhões são de empresas privadas.


Recursos públicos que poderiam e deveriam ter sido destinados a construção e equipamento de novos hospitais, a reforma dos atuais ou para escolas e outros serviços públicos.

26 de junho de 2013

E você o que acha?

Recebi e repasso.

Que venha o novo referendo pelo desarmamento. Votarei NÃO, como da primeira vez, e quantas forem necessárias. Até que os Governos Federal, Estaduais e Municipais, cada qual em sua competência, revoguem as leis que protegem bandidos, desarmem-nos, prendam-nos, invistam nos sistemas penitenciários, impeçam a entrada ilegal de armas no País e entendam de uma vez por todas que NÃO lhe cabe desarmar cidadãos de bem.

Nesse ínterim, proponho que outras questões sejam inseridas no referendo:

· Voto facultativo? SIM!
· Apenas 2 Senadores por Estado? SIM!
· Reduzir para um terço os Deputados Federais e Estaduais e os Vereadores? SIM!
· Acesso a cargos públicos exclusivamente por concurso, e NÃO por nepotismo? SIM!
· Reduzir os 39 Ministérios para 12? SIM!
· Cláusula de bloqueio para partidos nanicos sem voto? SIM!
· Fidelidade partidária absoluta? SIM!
· Férias de apenas 30 dias para todos os políticos e juízes? SIM!
· Ampliação do Ficha-limpa? SIM!
· Fim de todas as mordomias de integrantes dos três poderes, nas três esferas? SIM!
· Cadeia imediata para quem desviar dinheiro público (elevando-se para a categoria de crime hediondo? SIM!.
Atualização dos códigos penal e processo penal? SIM!
· Fim dos suplentes de Senador sem votos? SIM!
· Redução dos 20.000 funcionários do Congresso para um quinto? SIM!
· Voto em lista fechada? NÃO!
· Financiamento público das campanhas? NÃO!
· Horário Eleitoral obrigatório? NÃO!
· Maioridade penal aos 16 anos para quem tirar título de eleitor? SIM!
 # Hora do Brasil? NÃO!


Um BASTA! na politicagem rasteira que se pratica no Brasil? SIM !!!!!!!!!!!


23 de junho de 2013

O Brasil levantou do sofá

Finalmente o brasileiro levantou do seu berço esplendido, ou melhor, dizendo abandonou o conforto do seu sofá e foi para as ruas. O espaço que até a pouco estava restrito a uma minoria barulhenta e politizada passou a ser tomado por uma amalgama de pessoas diversas, de movimentos, de interesses e de sentimentos encontrados. É bom para o país que finalmente se crie consciência da força política que a sociedade tem. É muito positivo que as ruas sejam de volta um espaço de todos, em que caminhe lado a lado todo o espectro da sociedade. Desde os representantes do MPL, aos defensores da moralidade pública, os que não suportam mais o mau uso dos recursos públicos, os que são contrários à homofobia, os que defendem uma educação publica de qualidade, os que querem mais segurança e os que buscam a paz e a justiça social.

Pelo inusitado e principalmente pelo pouco habituados que estamos a exercer os nossos direitos o movimento tem surpreendido a todos. Os primeiros a não perceber que há no ar um vento de mudança têm sido os políticos, que nos três níveis, continuam alheios a realidade do país. Os políticos parecem ter perdido completamente o contato com a realidade do país. O loteamento do poder para atender os interesses dos diversos partidos e dos seus lideres são um escárnio. A nomeação do ultimo dos 39 ministros foi a gota demais num copo que já estava cheio.

O estouro do orçamento da reforma do Maracanã e a sua posterior entrega para a iniciativa privada, junto com a entrega de uma obra inconclusa e mal acabada, concluiu com uma vaia sonora retransmitida ao vivo pela televisão e foi outra gota, num copo que já estava derramando.

Mas o que o brasileiro não parece suportar mais é a volta da inflação, o aumento dos preços, a falta de transporte público de qualidade, o estado da saúde, a situação das escolas ou a insegurança nas ruas. Todos têm exemplos próximos de gente à espera de um exame, de escolas interditadas ou da violência sem sentido.

 A voz das ruas e principalmente a força que adquiriu a sociedade com o uso das redes sociais, da internet e da quebra do monopólio da informação, mudou de forma definitiva a forma de ter acesso ao que sucede, democratizou o acesso à informação e proporciona voz a quem até ontem não a tinha. Contribui ao amadurecimento político mais que a alienação. O Brasil  não vive uma primavera árabe, porque a nossa realidade não é a mesma. O maior risco é que todo o esforço e a mobilização sejam um desperdício inútil de energia ou acabem se convertendo numa alegre quermesse, que passe a ser incluída no calendário turístico das maiores cidades do país, que os seus participantes formem blocos e vistam abadas. Mas há sim uma mudança no ar. Se esta mudança será consistente, duradoura e promoverá as mudanças que o país e a sociedade precisam só o tempo dirá.

Publicado no jornal A Noticia de Joinville SC
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