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6 de janeiro de 2014

Reajuste da passagem de ônibus



Como cada início de ano, chegou a época do aumento da passagem de transporte coletivo em Joinville. Como a cada ano volta o debate sobre o percentual de aumento que o poder público concederá. As empresas pedem mais, o prefeito concede menos do que pedem e todos ficam felizes. Todos? Bem, todos não. Os usuários do sistema, empregados e empregadores pagadores do vale-transporte pagarão o novo valor.

O debate sobre o transporte público está distorcido por vários elementos entre vários outros, há dois elementos que o desvirtuam. O primeiro é o IPK. O índice de passageiros por quilômetro é um dos mais importantes índices de reajuste da tarifa. Como o IPK não para de cair faz décadas e ninguém parece muito preocupado com o fato de que quanto mais a população de Joinville aumenta, menos passageiros usam o sistema, o reajuste da tarifa garante a rentabilidade do sistema. Uma lógica perversa que inibe ações para aumentar o número de passageiros pagantes.

O segundo ponto é a implantação da integração e da passagem única. Enquanto os sistemas de transporte público modernos aplicam o principio dos anéis, quem percorre distâncias maiores paga mais, aqui o sistema beneficia o passageiro que faz o trajeto mais longo. Por exemplo: entre Pirabeiraba e o Itinga ou entre o Vila Nova e o Espinheiros. É bom lembrar que a integração é capenga e os usuários de Pirabeiraba devem pagar duas passagens, numa excrescência inadmissível e que se mantém por décadas.

Para subvencionar as viagens longas e uma Joinville espraiada e cara, os usuários do trajeto Boa Vista-Centro, Santo Antonio-Centro ou Centro-Floresta pagam uma passagem muito cara. O resultado é que é mais barato usar o carro para trajetos curtos, e mais usuários fogem do sistema a cada ano. Assim não só não se estimula o uso do transporte público, como se faz exatamente o contrario do pretendido.

O debate sobre o transporte público está longe de acabar. Não se pode reduzi-lo ao valor da passagem sem considerar outros aspectos, como o próprio vale-transporte, os pesados investimentos que o poder público terá que continuar fazendo para privilegiar o uso do carro ou, ainda, o modelo de cidade que Joinville projeta na LOT, avançando sobre áreas rurais e estendendo o perímetro urbano e, portanto, fazendo com que as linhas de ônibus se estendam ainda mais e o número de passageiros transportados por quilômetro caia ainda mais.


Publicado no jornal A Noticia de Joinville SC

30 de março de 2010

Transporte Coletivo e Desenvolvimento



Transporte Coletivo e Desenvolvimento Urbano

Cada ação gera uma reação em sentido contrario da mesma intensidade. A implantação do bilhete único representou um impacto sobre a forma como a cidade passaria a crescer a partir daquele momento. Conhecendo o processo habitual de tomada de decisões no serviço publico é provável que o impacto não fosse considerado e se algum técnico tivesse conhecimento das implicações da decisão optasse por calar para não fazer marola.

Desde o ponto de vista político demagógico o bilhete unico é uma tacada de mestre. Impossível resistir ao discurso fácil. Uma passagem do Quiriri ao Itinga passou a custar o mesmo que uma do centro a estação ferroviária. Uma passagem do Rio Bonito ao Espinheiros teria o mesmo custo que do Bairro Boa Vista ao Centro. Esta forma de fazer de Robin Hood com o dinheiro dos outros é tentadora para os políticos de plantão, os de hoje, os de ontem e os de amanha. Porem tem impactos profundos sobre a cidade, o seu futuro e o seu desenvolvimento.

É claro que o sistema da bilhetagem única estimula e barateia as viagens longas e desestimula porque encareceram as viagens curtas, que alias representam o mignon da receita, as pessoas respondem aos estímulos, se for barato se estimula o consumo, se encarece se buscam outras alternativas, seja moto ou carro, as bicicletas em Joinville deixaram de ser uma opção de transporte já faz tempo.

Por outro lado se estimula o crescimento do perímetro urbano para alem do bom senso, porque o custo do transporte não é um desestimulador da sua ocupação. Na maioria de sociedades em que o planejamento urbano é um assunto tratado com seriedade, não se tomam decisões ao leu, se realizam estudos sobre o impacto de cada decisão e suas implicações alem dos quatro anos do mandato do administrador de plantão.

Estamos colhendo o que plantamos e continuamos pelo que parece preparando mal o solo, escolhendo a semente errada e colhendo pepinos, quando gostaríamos de colher flores.

Publicado no jornal A Noticia de Joinville

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