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30 de junho de 2010

Sem alarde

Sem Alarde



No texto titulado Alarde publicado hoje, pelo jornal A Noticia, o Arqto Marcel Virmond, com certeza por esquecimento, acabou colocando lado a lado situações bem distintas. No caso da Rua Conselheiro Arp, a proposta inicialmente encaminhada pelo Vereador Mauricio Peixer, continha erros crassos e absurdos que permitiriam não só o aumento do gabarito, como principalmente a instalação de atividades em total desacordo com o entorno.

Foi a forte mobilização da sociedade organizada, principalmente da Associação de Moradores do Bairro América (AMABA), que alertou sobre os erros e permitiu que os vereadores os corrigissem, evitando desta forma que o perfil da rua mudasse de forma irreversível. Só por isto que não presenciamos um canteiro de obra, em torno de uma área exclusivamente residencial.

27 de janeiro de 2010

Ponto e Contraponto (2)


Pelo nível do "debate" os textos estão começando a subir de tom. O que prova que as criticas constantes ao modelo de gestão que o IPPUJ tem praticado na ultima década, desperta opiniões a favor e contra.O nível de virulência dos textos, mostra que os golpes estão sendo encaixados e que o fígado esta começando a doer.

O texto do Arqt. Marcel Virmond Vieira no jornal A Noticia "Gestores" reconhece que:

"Na prática da gestão urbana, somos diariamente confrontados com difíceis escolhas. Na impossibilidade de transformar radicalmente a paisagem da cidade naquela que acreditamos ser a ideal, diante da assincronia entre a dinâmica urbana e o tempo de construção dos cenários vislumbrados, diante também das limitações técnicas e econômicas, somos levados a optar entre o bom e o razoável, entre realizar o imperfeito ou permanecer no sonho. Enquanto isso, a cidade real prossegue em seu movimento desconexo."

O Arqt. Sérgio Guilherme Gollnick, no seu blog Viver Urbanamente, escreve o texto "O Malabarista":

"Algumas atitudes se mostram patéticas, as de enjeitar responsabilidades sobre a gestão urbana, que nos últimos nove anos estiveram sob a responsabilidade cabal de um mesmo grupo, mesmo com a mudança de matiz partidária da gestão municipal. É patético, senão trágico, ver responsáveis políticos, sejam eles gestores eleitos ou àqueles indicados por alguém, que gravitam no centro do poder, a descartarem-se das suas responsabilidades,
"

Novos textos e opiniões devem aumentar o debate, o que surpreende porem é a dificuldade dos gestores públicos para "escutar" a sociedade. A soberba não é uma boa conselheira, quem é detentor de um cargo publico e por tanto servidor publico, perde a noção da realidade ao ponto de ter já todas as respostas, sem precisar escutar nem as perguntas e nem ouvir ou considerar novas alternativas. quando já se tem todas as respostas pode ser o momento certo para mudar as perguntas.

Tambem neste blog veiculamos o texto do Arqt. Arno Kumlehn, A Dialetica Espaço Temporal, e destacamos os paragrafos:

" Alguns dos resultados práticos da gestão urbana de difíceis escolhas diárias esta em parte diretamente vinculado ao tempo gasto com planejamento urbano, é realmente difícil pensar Joinville apenas em meio expediente somado aos afazeres burocráticos. Resultado pratico ou concreto deste procedimento é os camaristas fazerem planejamento urbano apenas com leis."

"“Optar entre bom ou razoável, entre realizar o imperfeito ou permanecer no sonho” no meu entendimento não são palavras apropriadas aos gestores públicos, portanto vou continuar sonhando ouvir destes que optamos (democrática e participativamente) pelo melhor para a cidade e que faremos obrigatoriamente uma gestão competente dos recursos. "

É recomendavel a leitura atenta de cada um dos textos, que estimulam um debate inexistente numa cidade, em que o dialogo se impõe pela "força da lei"

Ponto e Contraponto


Pelo nível do "debate" os textos estão começando a subir de tom. O que prova que as criticas constantes ao modelo de gestão que o IPPUJ tem praticado na ultima década, desperta opiniões a favor e contra.O nível de virulência dos textos, mostra que os golpes estão sendo encaixados e que o fígado esta começando a doer.

O texto do Arqt. Marcel Virmond Vieira no jornal A Noticia "Gestores" ao mesmo tempo em que reconhece que:

"Na prática da gestão urbana, somos diariamente confrontados com difíceis escolhas. Na impossibilidade de transformar radicalmente a paisagem da cidade naquela que acreditamos ser a ideal, diante da assincronia entre a dinâmica urbana e o tempo de construção dos cenários vislumbrados, diante também das limitações técnicas e econômicas, somos levados a optar entre o bom e o razoável, entre realizar o imperfeito ou permanecer no sonho. Enquanto isso, a cidade real prossegue em seu movimento desconexo."

O Arqt. Sérgio Guilherme Gollnick, no seu blog viver urbanamente, escreve o texto "O Malabarista":

"Algumas atitudes se mostram patéticas, as de enjeitar responsabilidades sobre a gestão urbana, que nos últimos nove anos estiveram sob a responsabilidade cabal de um mesmo grupo, mesmo com a mudança de matiz partidária da gestão municipal. É patético, senão trágico, ver responsáveis políticos, sejam eles gestores eleitos ou àqueles indicados por alguém, que gravitam no centro do poder, a descartarem-se das suas responsabilidades,
"

Novos textos e opiniões devem aumentar o debate, o que surpreende porem é a dificuldade dos gestores públicos de "escutar" a sociedade, a soberba não é uma boa conselheira, quem é detentor de um cargo publico e por tanto servidor publico, perde a noção da realidade ao ponto de ter já todas as respostas, sem precisar escutar nem as perguntas e nem ouvir ou considerar novas alternativas. quando já se tem todas as respostas pode ser o momento certo para mudar as perguntas.

21 de junho de 2009

Contraponto


O arquiteto Marcel Virmond Vieira, com quem comparto o nobre espaço da pag 3 do Jornal A Noticia, publicou uma cronica interessante sobre os Custos do Transporte Coletivo

Que reproduço em azul, o seu texto original se encontra no link Cronica

Custos do transporte

Pesquisa realizada recentemente pela Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP) comparou os custos de deslocamento de quatro meios de transporte para uma viagem de sete quilômetros, em Curitiba. O resultado provoca uma instigante reflexão, pois quando se leva em conta apenas o desembolso imediato, o ônibus aparece como o meio mais caro. Quando se incluem os custos indiretos e os custos sociais, a situação se inverte, despontando o ônibus como o mais barato.

A pesquisa levantou diversos dados interessantes. Um passageiro, num automóvel, ocupa cerca de oito vezes mais espaço nas vias públicas do que aquele embarcado num ônibus, o que explica a inevitabilidade dos congestionamentos. Outro dado interessante refere-se à questão ambiental, onde a motocicleta aparece como a grande vilã. Um motociclista polui 16 vezes mais do que um passageiro do transporte coletivo. A motocicleta continua a grande vilã dos custos sociais do transporte quando se incorporam aos dados os custos com acidentes de trânsito, 21 vezes maiores do que os dos passageiros de ônibus.

Mas no desembolso imediato, a motocicleta é o mais barato para o usuário, ficando os carros a álcool e gasolina, para o percurso escolhido de sete quilômetros, ainda um pouco mais baratos do que a tarifa média dos ônibus, na data da pesquisa. Ao incluirmos na conta custos como impostos, manutenção e depreciação, os carros a álcool e a gasolina já perdem para o ônibus, mas a moto ainda é vantajosa para o bolso do usuário, pois seus custos sociais – poluição e acidentes – são repassados à sociedade.

Nas conclusões da pesquisa, fica evidente que é imprescindível levarmos em conta os custos sociais na hora de conhecermos os custos reais de nosso modais de transporte, sob pena de errarmos a prova real na hora de fecharmos a conta da sustentabilidade.

Fica evidente também que, enquanto não houverem políticas públicas de promoção do uso do transporte coletivo e de desoneração da tarifa, a conta mais alta vai estourar nas mãos da sociedade como um todo, com vias congestionadas, ar poluído e pronto-socorros lotados.


Seria porem importante, que na sua condição de funcionário do IPPUJ, por tanto exímio conhecedor da nossa realidade local, escrevesse também, com a mesma precisão, sobre os custos que o planejamento atabalhoado e intereseiro que esta sendo implantado em Joinville ocasiona para a sociedade. Sobre a privatização do lucro e a socialização do prejuízo.

Poderia escrever nos mesmos moldes e com o mesmo estilo que utilizou na sua crônica, dizendo a população quem pagará as contas de duplicação da Santos Dumont, para atender a implantação de um Centro Comercial, quem sofrerá as conseqüências da liberação de comércio e serviços na rua Conselheiro Arp e quem esta se beneficiando com estas mudanças. Quem ganhará e quem sairá prejudicado, com a verticalização desenfreada de ruas como a Vicente Machado no bairro América. Como a proposta, que ele mesmo já defendeu na mesma pagina 3 do jornal A Noticia, de verticalizar a cidade para alem do bom senso. Criará ricos e pobres, deixando a uns muito mais ricos e a outros mais pobres. Valorizando uns imoveis e desvalorizando e descaracterizando outros.

Tambem no mercado imobiliario, o lema é ganhar no individual e que a sociedade pague a conta. Quanto mais eu ganhe, mais cara ficará a conta para os demais, claro que este não é o meu problema, se depois ninguem consegue estacionar na rua, ou o transito esta congestionado porque o numero de residencias é maior que o que recomendaria o bom senso e a tecnica, não é problema meu, eu realizei o meu lucro e estou feliz.

Para os leitores fieis deste blog recomendo os links seguintes:

Verticalização

Verticalização 2

30 pavimentos

Já naquela epoca alertavamos, que falar de 30 pavimentos, era uma forma de colocar um bode na sala, para depois poder aceitar conversar sobre quem sabe 18 ou 20. Sem ter uma bola de cristal, era facil identificar as pegadas. O tempo só fez que comprovar o que este blog ja antecipou em final de 2008.



20 de dezembro de 2008

Verticalização (2)


O texto Gabarito, publicado pelo Arqto. Marcel Virmond, pareceu no primeiro momento um texto mais, sem segundas intenções. Um texto para colocar em debate um tema, que tem sido recorrente, não o da verticalização, que desde que moderada, pode ser justificada, mas o tema do impacto que teria para Joinville as alterações do gabarito, que atualmente já permite 24 pavimentos e que poderia passar para 30 pavimentos, com o objetivo manifesto de aumentar o lucro e a ganância de incorporadoras e construtoras, que estariam visando o mercado joinvilense.

Agora as declarações do Arqto, Murilo Teixeira, Diretor Técnico do IPPUJ, mostram que o velho dito, "Aonde tem fumaça tem fogo", é mais verdadeiro do que nunca. O fato que o IPPUJ, cogite analisar a autorização para permitir prédios de 30 pavimentos, é descabida, e evidencia o quanto de servilismo e de fisiologismo existe nesta administração, que afortunadamente agora acaba.

Não tem o maior cabimento, colocar em pauta, o debate de construir edifícios, com alturas superiores a 24 pavimentos, o máximo atualmente permitido no município. Joinville, não só não tem problemas de espaço, como não precisa de edifícios deste gabarito.
A cronica Gabarito, soube colocar muito bem o risco que estaríamos correndo. As infelizes declarações do Diretor Técnico do IPPUJ, estão fora de lugar e são intempestivas, para quem, deve permanecer poucos dias mais no cargo.

Veja tambem o post Verticalizar do blog Urbanidades.

17 de dezembro de 2008

30 Pavimentos


O arquiteto Marcel Virmond escreveu um texto, publicado no Jornal A Noticia do dia 17 de Dezembro, que reproduzimos em azul, como sempre, e que merece os nossos comentarios.

Gabarito

Há rumores de que três grandes construtoras de renome nacional estariam interessadas em atuar em Joinville. Mas, para tanto, gostariam que o gabarito de altura dos edifícios na cidade subisse para trinta pavimentos. Isso reacende uma velha discussão sobre o que é melhor: ter ou não ter edifícios altos.

Há alguns mitos que devem ser esclarecidos. Da mesma maneira que antigamente se dizia que era impossível erguer edifícios em Joinville por causa do subsolo – cidade construída sobre o mangue –, hoje se defende os edifícios mais altos para aumentar a densidade populacional e aproveitar melhor as regiões da cidade com grande oferta de serviços públicos.

O argumento é apoiado em uma lógica que não leva em conta as dinâmicas social e econômica de uma cidade, pois, analisando os mapas de densidade populacional de Joinville, vemos que as áreas mais densamente povoadas são os bairros do Aventureiro, Itaum, Floresta e Guanabara, onde a presença de edifícios com mais de quatro pavimentos é mínima. Atiradores, América e mesmo o Centro vêm atrás, apesar de aí serem permitidos, conforme o zoneamento, construir de oito a 21 pavimentos.

O mesmo resultado obtemos quando analisamos a densidade de cidades como Blumenau e Jaraguá do Sul, que têm histórias de ocupação semelhantes a de Joinville. Isso ocorre porque a possibilidade de construção em altura leva a dois fatores de redução da densidade. O primeiro é que quanto mais alto o edifício, maior o poder aquisitivo do seu público alvo, e maior a área de cada unidade habitacional.

O segundo é o encarecimento dos terrenos devido ao aumento do gabarito, o que torna a escolha dos empreendedores seletiva. Assim, de cada quarteirão com potencial construtivo, poucos terrenos são ocupados e os demais ou aguardam a valorização ou deixam de ser interessantes por terem prédios como vizinhos.

Mas os edifícios de trinta andares também não devem ser demonizados. São grandes empreendimentos geradores de emprego e renda e têm seu lugar na dinâmica urbana. O que deve ser discutido é em que lugares e em que condições poderão ser implantados e como compensar seu impacto na paisagem urbana.

marcel@jass.com.br


Parabéns pela coragem do Arquiteto Marcel Virmond Vieira,que escancará, sem meias palavras, a forma como é pensada e planejada a nossa cidade. ... três grandes construtoras de renome nacional estariam interessadas em atuar em Joinville. Mas, para tanto, gostariam que o gabarito de altura dos edifícios na cidade subisse para trinta pavimentos... Mesmo no surpreendendo, assusta a forma como são colocados em discussão temas tão importantes, como o modelo de desenvolvimento urbano. A primeira pergunta que deve ser colocada é se esta discussão se inicia porque Joinville tem um problema de falta de espaço urbano ou de um excesso de ganância?


Destacar, com que precisão coloca, como edifícios deste gabarito impactam a vida de uma cidade como a nossa, não só no aspecto econômico, como principalmente sobre a qualidade de vida, daqueles que terão a "fortuna" de recebê-los perto. A insolação, o aumento da geração de tráfego, e perda da privacidade e influencia destas moles de concreto, sobre os ventos dominantes, são aspectos a considerar, numa cidade, como Joinville , que dispõe ainda de grandes vazios urbanos para ocupar e que com edifícios de no máximo quatro pavimentos, ainda poderia manter uma população de mais de 2.000.000 de habitantes, sem aumentar o perímetro urbano.


Colocar o tema em debate significaria ainda, desconsiderar, que com as recentes aventuras urbanísticas, como a implantação da UFSC, na área rural, esta previsto um aumento considerável do perímetro urbano, para muito alem do que o bom senso recomendaria. Desnecessário dizer que se queremos uma cidade eficiente, precisamos deixar de nos expandir, para atender a interesses econômicos pontuais. O nosso perímetro urbano hoje é quase do tamanho do da cidade de São Paulo e ainda continua crescendo.


Devemos sim demonizar este tipo de propostas, e deixar claro que 30 andares, mesmo que tecnicamente viáveis, são uma proposta que não deveria prosperar em Joinville. Que colocar este tema em discussão é prestar um desserviço a esta cidade. Que o modelo de desenvolvimento urbano que deve ser debatido é aquele que priorize as características históricas e culturais desta cidade, a qualidade de vida e principalmente as pessoas que nela moram.


8 de julho de 2008

Ponto e Contraponto

Este blog é um espaço aberto e plural, que defende e propicia o debate publico sobre temas de interesse.

Um dos temas sobre os que neste blog temos nos posicionado é sobre os parques que Joinville não tem, sobre os que tem e sobre os que deveria ter.

Como a unanimidade é burra, nada melhor que publicar também opiniões divergentes das defendidas e propostas por este espaço.

O Arquiteto Marcel Virmond Vieira, tem nos encaminhado, ao nosso pedido, o texto que publicou no jornal Noticias do Dia, que transcrevemos a seguir. Em azul e itálico o texto original, os comentários em vermelho.

Inicialmente
destacar que conheço o Marcel, desde faz muito tempo, e que o considero um profissional capaz e principalmente um apaixonado por Joinville, de posições fortes, nas que não sempre temos estado do mesmo lado, mas um homem inteligente e aberto ao dialogo. O que é mais importante alguém que tem coragem de colocar as suas opiniões em publico e assinar o que escreve. Que é muito mais do que se pode dizer da maioria.

Os Parques Invisíveis

A propósito da recente polêmica sobre a necessidade de um parque para Joinville, julguei procedente apresentar à opinião pública algumas informações sobre o modelo curitibano de parque urbano. Porque mais interessante do que ir até Curitiba para passear em um de seus belos parques, é verificar que estes são o resultado de ações integradas de planejamento urbano e saneamento ambiental. Parques como o Barigui, o São Lourenço e o Iguaçu foram criados no início dos anos 70 como áreas de proteção de fundos de vale e de controle de vazão dos rios de mesmos nomes.

A idéia da utilização daquelas áreas para o lazer foi a contribuição criativa dos arquitetos para enriquecer uma solução técnica apontada por sanitaristas. Mais recentemente, um novo ciclo de parques foi criado em Curitiba, desta feita em áreas degradadas, como forma de recuperação ambiental. Igualmente na concepção desses novos parques, não se pensou apenas no lazer pelo lazer, mas se buscou integrar soluções ambientais, culturais e de desenvolvimento humano.

Interes ante e esclarecedora esta informação, que seria muito útil se o modelo de desenvolvimento urbano, a topografia e a historia de Joinville e de Curitiba fossem semelhantes ou comparáveis.

Importante a diferenciação que faz quanto ao uso e a função do parque, hora como equipamento de preservação e educação ambiental, hora como ferramenta de recuperação de áreas degradadas, porem os parques que estão em discussão em Joinville hoje, por parte da população, a partir basicamente da iniciativa do grupo RBS, são parques voltados ao lazer.

Até em função que Joinville já dispõe de uma serie de espaços urbanos que com o nome de parques, mesmo sem sê no sentido popular da acepção, estão destinados a cumprir as funções educativas e de preservação.

Aliás, o parque urbano de Curitiba criado no centro da cidade com foco em lazer é o Passeio Público, concebido nos anos 40, através do Plano Agache. Este, curiosamente, parece não corresponder ao modelo de parque para Joinville propalado pela mídia.

Existe uma diferencia de mais de meio século, entre o Passeio Publico de Curitiba e o Parque Central de Joinville, existem também diferenças em área, função e conceito, que não permitem que os dois modelos possam ser comparados.

Mas esse modelo “Barigui/Ibirapuera” é um parque para quem? Não está vinculado à educação ambiental, nem tampouco atende aos conceitos atuais de preservação da natureza. Deseja-se um parque para exibir o tênis novo comprado no shopping ao lado, e para paquerar fazendo o footing ao redor do lago artificial.

Neste momento, reconheço que fiquei um pouco decepcionado, a linha de articulação era tão didática, tão transparente e tão nítida, tão bem estruturada, que não esperava uma derrapada como esta.

O Parque que os joinvilenses estão dizendo que querem, e que estão dizendo como deve ser com certeza que não é um parque voltado a preservação da natureza, nem de educação ambiental, as pessoas tem se manifestado e tem expressado claramente a sua vontade. Querem um parque para o lazer, para passear, para levar os seus filhos, para tomar sol, para sentar na relva, para paquerar, para conviver, para usar, para passear de bicicleta, de tênis novo ou de chinelo de dedo.

O modelo deste parque urbano, esta muito mais para um Ibirapuera ou um Aterro do Flamengo, se usamos referencias nacionais, ou um Central Park, ou o Englischer Garten, ou Les Jardins de Luxembourg, por citar algumas referencias internacionais, entre tantas outras.

Se localizado no centro de Joinville – área do batalhão, por exemplo – continuará tão distante da grande maioria da população quanto o parque Zoobotânico, aquele que ninguém vê, ali embaixo do nosso nariz.

Parece-me maniqueísta explorar a dicotomia centro/bairro. Não estamos falando de uma cidade? Ou queremos agora estimular a idéia que o centro é o local para a elite e os bairros são locais para outro tipo de joinvilenses. Inclusive alguns dos que se manifestaram com as suas opiniões, deixaram claro que melhor ter um parque bom que uma dúzia de espaços perdidos, mal equipados e pior mantidos.

Mas por que o Zoobotânico não serve? Por que o Parque Caieras não conta? Parafraseando Ítalo Calvino, parece que temos em Joinville “parques invisíveis”.

Não serei quem diga que o Zoobotânico não serve menos ainda quem possa asseverar que o Caieras não serve. Quem diz isto são os joinvilenses que não vem nestes "parques" à resposta aos seus anseios e consideram que estes parques não os atendem.

Lembro uma frase de Luiz Carlos Meinert, “Aqui no serviço publico, é o poste que mija no cachorro" Me sinto do mesmo modo. Como pode ser que os joinvilenses não percebam a maravilha que são os parques que tem. Não são os parques que são invisíveis, os invisíveis são os joinvilenses que os visitam. Quanto investimento mal feito, quanto dinheiro jogado fora. Porque será que as pessoas não freqüentam os belos parques que temos? Com certeza que a culpa é destes cidadãos, que não estão satisfeitos com tudo o que fazemos por eles.

Quem sabe se no passado, o poder publico tivesse feito como o jornal A Noticia fez agora, perguntar as pessoas o que eles querem, o resultado seria outro.

Talvez porque para chegar até o Caieras é preciso passar pelo “bairrão”, muitos formadores de opinião sequer o conheçam. É uma pena, pois o lugar é lindo, tem vistas para a Lagoa e para a Serra, e ainda agrega sítios históricos e arqueológicos.

De novo esta visão maniqueísta, de acordo com dados publicados recentemente, o Parque Caieras, esta maravilha visível, recebe em finais de semana de tempo bom, uns 2.000 visitantes. Porque será que tão poucos joinvilenses prestigiam um parque tão maravilhoso? Por muito que me esforço não consigo imaginar, porque alguém pegaria o seu carro para ir ao Parque Malwee, ou ao Parque Barigui, tendo aqui ao lado uma das 7 maravilhas da natureza,

Para esses formadores de opinião, porém, nem o Caieras, nem nenhum dos parques em implantação na nossa cidade, financiados pelo BID e Fonplata, vai ser chique o bastante. Afinal, foram concebidos com ênfase em preservação do meio ambiente, controle da vazão de bacias hidrográficas, educação ambiental e preservação do patrimônio cultural. As equipes técnicas não se preocuparam com a marca de seus trainnings, nem criaram pistas de jogging asfaltadas. Na maior parte deles não se poderá entrar de carro, e como se não bastasse, o plano é interliga-los por ciclovias, não por viadutos.

Pode ser que justamente, por aqui consigamos avançar numa solução de consenso, os parques não foram concebidos para atender aos desejos da população, foram projetos feitos para receber uns recursos voltados a ações de preservação do meio ambiente. Ação meritória, na qual o Arquiteto Marcel se empenhou, com denodo, para garantir que estes recursos viessem para Joinville, e os meus parabéns por isto.

Mas não são estes os parques que a população quer, será que é tão difícil escutar as pessoas. Nada contra que tenhamos uma rede de espaços verdes preservados, só que não é só isto o que as pessoas querem. Não é o que mostram as pesquisas.

Para esses poucos, talvez a solução continue sendo pegar o carro, entrar na BR-101 duplicada e pedagiada, e passear no Barigui. Para os demais joinvilenses, no entanto, vai aumentar muito a oferta de lazer, independente de qualquer debate.

Aqui novamente a minha decepção, se no parágrafo anterior, fica claro que os parques que estão sendo licitados e implantados pela prefeitura municipal de Joinville, com recursos do Fonplata “... porém, nem o Caieras, nem nenhum dos parques em implantação na nossa cidade, financiados pelo BID e Fonplata, vai ser chique o bastante. Afinal, foram concebidos com ênfase em preservação do meio ambiente, controle da vazão de bacias hidrográficas, educação ambiental e preservação do patrimônio cultural." Viu o grifo não é meu, o texto é seu e nisto discordamos muito, queremos parques de lazer. Porque como na musica dos Titãs, "A gente quer comida, diversão e arte. A gente quer inteiro e não pela metade."

Como escrevi no começo, o Arqto. Marcel Virmond Vieira é um profissional competente, ainda que neste tema, não seja completamente isento, porque participou e liderou com competência a equipe que elaborou os projetos e buscou os recursos do Fonplata e do BID, o que alias só o engrandece. Tal vez se tivesse tomado um tempo para escutar o que a população de verdade desejava, alguns dos parques e dos espaços verdes propostos estariam voltados ao lazer e não precisaríamos ter que busca-lo longe de casa.

Marcel Virmond Vieira
Arquiteto e Urbanista

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