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26 de maio de 2013

Joinville parou?


Joinville parou, parou porque?




Se acreditarmos na gritaria e na algaravia  ("barraco", em linguagem popular) dos defensores do desenvolvimento a qualquer custo e dos mercenários ao seu serviço, a cidade de Joinville está parada. A fuga de investidores e de empresas para o éden das cidades vizinhas deveria produzir um engarrafamento gigantesco nas BRs 280 e 101 que seria notícia nacional. Os profetas do apocalipse, que se instalou na cidade por conta da não aprovação da LOT, querem, à base de repetir o mantra do desenvolvimento, convencer a população que faltará emprego, que não haverá desenvolvimento. E que, por tanto aqueles que defendem uma maior discussão e transparência com relação a LOT são os que querem o atraso e são contra o progresso. Fazem esse discurso sem apresentar outros dados que o aumento do volume da voz e a insistente repetição da sua largumentação.

Não apareceu um único dado que de sustentação ao discurso dos ventríloquos e suas marionetes provando a fuga de empresas ou o engessamento da cidade.

De acordo com os dados gerados pela Seinfra, setor responsável pela liberação dos alvarás para construção, em 2011 foram outorgados 2087 alvarás em Joinville, uma média de 174 por mês e foi liberada a construção de 1.061.460 m2. Em 2012 com a votação da LOT suspensa por determinação judicial, o setor da construção civil continua firme e foi autorizada a construção de 988.950 m2 em novas áreas.

O número de alvarás liberados pela Prefeitura foi de 1.998, ambos valores os de alvarás e os de metros quadrados muito próximos dos do ano anterior. O setor que mais vigor mostra é o da construção residencial multifamiliar ( prédios),  que passou de 234 mil metros quadrados, em 2011, para 321 mil metros quadrados em 2012.

Independentemente de turbulências econômicas, que nada tem a ver com a aprovação ou não da LOT,  o setor da construção civil tem vivido (quase) num céu de brigadeiro e começa agora a mostrar, em todo o pais, um certo esgotamento. Em Joinville há muitos projetos prontos para serem lançados quando o mercado imobiliário voltar a crescer.

O nível de endividamento por uma lado, e aumento dos custos, por outro, tem reduzido a procura por novos lançamentos e o crescimento do mercado depende muito dos recursos do programa MCMV (Minha Casa Minha Vida),que em ano pré-eleitoral não devem faltar.

Não parece haver nenhum motivo para que o futuro de Joinville precise ser discutido de afogadilho, sem o amplo debate ou sem cumprir todos os prazos e exigências legais. O discurso da urgência e a pressão dos especuladores e seus prepostos não tem base técnica, que possa ser sustentada pelos dados gerados pelo próprio poder público.

Publicado no jornal A Noticia de Joinville SC
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