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12 de novembro de 2021

A Fábrica de multas




Por muito que alguns insistam em que não há uma fábrica de multas em Joinville, as evidências insistem em mostrar o contrário. Há vários motivos para que a fábrica funcione a pleno vapor. O primeiro é a necessidade de arrecadas para pagar salários e despesas do DETRANS, o perverso modelo que destina parte do dinheiro arrecadado com as multas para pagar o custei do DETRANS obriga a multar para poder pagar as contas.

A situação ficou mais grave quando venceu o contrato da fiscalização eletrônica, o que o motorista da vila conhece por radares ou pardais. Sem um novo contrato Joinville deixa de arrecadas mais de R$ 1.000.000 por mês, aproximadamente R$ 15 milhões por ano. Dinheiro que está fazendo falta. O que pode explicar a sanha fiscalizadora do DETRANS , representado por este agente de transito que com a caneta na mão se aproveita de um cruzamento confuso, sem sinalização horizontal adequada, com um sinaleiro com tempos curtos e com motoristas desavisados para faturar alto.

Esta deve ser a justificativa para que os agentes de transtito, nunca estejam presentes onde são necessarios, agilizando a fluidez, orientando os motoristas, redirecionando o transito quando houver obras ou interrupções. Devem estar ocupados demais multando. 

Há quem assegura que os agentes de trânsito têm cotas de multas a cumprir, o secretário da SEPROT assegura que não há cotas a cumprir. Difícil de comprovar, mas o vídeo deixa claro que não há a menor vontade de querer disciplinar o trânsito, que a ação dos agentes é punitiva e que o direcionamento da secretaria e do departamento de trânsito é arrecadatório.

A função dos agentes de trânsito deve ser prioritariamente a de fazer que o trânsito seja mais seguro, mais fluido e contribuir para a educação de motoristas, ciclistas e pedestres. Alguns insistem em que a melhor educação vem pelo bolso e assim acabam apoiando a atitude truculenta, desavergonhada e covarde dos agentes multando sem que haja a mínima possibilidade de defesa do cidadão.

Em cidades em que o cidadão é prioridade os agentes param os infratores, explicam qual foi a infração cometida, justificam, educam e multam. Ninguém está aqui defendendo a impunidade. Infrações devem ser punidas. Mas o objetivo primordial do Código Brasileiro de Trânsito tem a finalidade óbvia de orientar o trabalho das autoridades de trânsito na organização da circulação de veículos nas vias públicas. com vistas à segurança, à fluidez, ao conforto, à defesa ambiental e à educação para o trânsito, fazer uma leitura exclusivamente punitiva é um erro estimulado pela necessidade de arrecadar. 

1 de novembro de 2021

E o Rio Mathias?

 Por Jordi Castan

Como fica o Rio Mathias?


Colocaram uma lapide de concreto e aço sobre o Rio Mathias. A sua foz esta fechada por 5 comportas de aço que não permitem o escoamento natural da água, seu curso está interrompido e todos pagamos o preço da incompetência de um projeto mal concebido, de uma obra mal executada e de uma fiscalização omissa.

As fortes chuvas habituais na nossa cidade não podem ser escusa para justificar o que não tem justificativa. Mais de R$ 50 milhões foram enterrados sob as ruas do centro de Joinville e o problema longe de ser resolvido hoje se agravou. Com chuvas cada vez menores as águas alcançam cotas mais altas. E não há até agora uma resposta clara do que será feito, quando será feito e como o problema das enchentes será resolvido.

A Câmara de Vereadores conduziu com correção e competência uma CPI que dentro do prazo legal estabelecido mostrou o quanto de podre se esconde sob as galerias do Rio Mathias. Agora é preciso lembrar que a CPI não vai resolver as enchentes, só responsabilizará os culpados. Corresponde ao executivo responder de forma clara e concreta o que será feito e quando. Até porque nada impede mais que a Prefeitura Municipal haja com presteza para dar sequencia a busca das soluções que o centro tanto precisa.

Deve se revisar o projeto, auditar o que foi executado, identificar os pontos de restrição e que precisa ser corrigido para retomar as obras da macrodrenagem do Rio Mathias. Não é hora de olhar para o outro lado, de se fazer de desentendido e justificar a inação pela flagrante responsabilidade da desastrada administração anterior. É hora de mostrar firmeza, agir com competência e retidão e reconhecer o que está errado.

A NOVA gestão precisa mostrar que é diferente da anterior, não pode pretender que um tapete de asfalto servira para esconder toda a sujeira, até porque a cada nova chuva teremos mais enchentes e os contribuintes vão lembrar que esta gestão foi eleita para mudar tudo o que estava errado, para dar um novo ímpeto e um novo ritmo para Joinville e que o relógio não para. Já transcorreu quase um quarto da gestão e ainda não sabemos o que será feito com o sarcófago de lodo e concreto em que foi enterrado o Rio Mathias.  

6 de março de 2019

Reprise de um filme velho

A Prefeitura informa que apresentará nos proximos dias o projeto de requalificação do centro de Joinville. 

https://www.nsctotal.com.br/colunistas/loetz/centro-de-joinville-tera-uma-nova-cara

Inicialmente a notícia deveria nos deveria deixar felizes, mão como a credibilidade desta gestão está abaixo de zero e a sua capacidade gerencial é menor ainda é bom não por esperanças numa proposta que pelo divulgado até agora é politiqueira e oportunista. 

Requalificação do Centro? Sei. 2020 na porta e a Prefeitura propõe a vigesima segunda intervenção no centro, em pouco mais de duas decadas, para revitalizar o espaço que ela propria destruiu com suas desastradas intervenções. Intervenções meramente cosmeticas são só pirotecnia eleitoral. Muito barulho e poucas nozes.

Historicamente em ano eleitoral ou as vesperas das elições os governos seguem a logica de fazer grandes anuncios de obras que tem um carater eleitoral ou melhor ainda eleitoreiro. No caso de Joinville falar de requalificar, revitalizar ou melhorar o centro quando o centro esta arregaçãdo pelas obras interminaveis do Rio Mathias e pelas desastrosas intervenções que atacam superficialmente e sem uma aboradegem estrutural as ruas do centro. 

Devemos, para preservar a verdade, lembrar que este tipo de intervenções não são exclusividade desta gestão, as temos visto ao longo de decadas, desde o malfadado projeto do Boulevar Cachoeira, a revitalização da Rua das Palmeiras, ou o corredor de onibus da Rua 9 de março. Sobre o abandono do centro, sobre a retirada do calçadão da rua do Principe, nenhuma palavra. E Joinville fica cada dia pior, resultado de uma visão caolha e miope. 

Uma pena para uma cidade que merece mais, muito mais. 



10 de janeiro de 2019

Carrocentrismo

Carrocentrismo

O modelo de desenvolvimento urbano que adotamos e seguimos é carrocentrista, alguns o denominam antropocentrista, colocando, no seu discurso o homem no centro do modelo, mas cada vez mais estamos implantando um modelo carrocentrista, aquele em que o veiculo é o centro de todas as decisões que tomamos. Há vários motivos que justificam e que incentivam esta modelo, mas há poucos estudos sobre o impacto e o preço que estamos pagando e seguiremos pagando por décadas por esta serie de decisões equivocadas, pior que equivocadas, que já é grave, são decisões ultrapassadas porque a maioria de cidades localizadas nas sociedades mais desenvolvidas já faz tempo que estão na contramão deste modelo e avançam firmemente na direção a partir de um modelo de planejamento urbano mais humanizado em que o pedestre seja o centro e a sustentabilidade, a natureza, a permeabilidade, a transparência, a saúde, em definitiva a qualidade de vida seja o eixo principal do desenvolvimento.

Já há estudos que provam o impacto dos 8 anos de Uber no mundo, houve uma redução no numero de proprietarios de carros nas grandes cidades, paralelamente a este dado há cidades e especialmente bairros de renda alta em que o numero de veiculos aumentou gerando medias superiores a um carro por habitante. 

Joinville tem tomado uma serie de decisões equivocadas no que se refere ao planejamento urbano, são décadas de erros. Só agora começam a ser evidentes os resultados desta continua serie de erros e só agora o cidadão começa a pagar o preço de toda esta incompetência. Quando se planeja uma cidade os impactos, tanto positivos, como negativos, muitas vezes levam tempo para ser percebidos. A decisão de priorizar o uso do carro em detrimento do estimular a mobilidade a pé ou por bicicleta tem impacto na saúde dos joinvilenses, caminhando menos temos uma geração mais sedentária, mais obesa, com mais doenças respiratórias, cidades que utilizam combustíveis fósseis, como gasolina e óleo diesel tem uma qualidade do ar pior e isso tem impacto sobre todos os habitantes.

Quando afastamos o pedestre da rua, as ruas estão mais desertas, menos seguras e isso estimula o aumento da violência urbana e a insegurança, cada vez mais pessoas evitam caminhar por ruas pouco movimentadas e a cidade vai se esvaziando. Ruas bem iluminadas, com calçadas largas e arborizadas são mais seguras, estimulam a caminhar, o comercio vende mais e aumentam a atratividade da cidade.

Quando Joinville permitiu que os veículos ocupassem toda a frente dos imóveis para estacionar e manobrar, aumentou o risco de acidentes para os pedestres, se perdeu permeabilidade, porque áreas que até aquele momento eram verdes foram calçadas. O interesse de uma minoria teve acolhida na Câmara de Vereadores e o prefeito não vetou uma lei absurda. Do mesmo jeito quando a legislação exige que cada prédio tenha estacionamento para os moradores e visitantes ou clientes se busca desafogar as ruas de carros, mas se encarece cada vez mais o acesso a moradia. Quantos metros quadrados Joinville construiu nos últimos anos exclusivamente para servir de garagem? A que custo? Em quanto na maioria de cidades europeias são os municípios os que constroem ou estimulam em parceria com a iniciativa privada a construção de estacionamentos públicos e os recursos arrecadados se destinam a investimentos em melhoria da mobilidade, a construção de mais e melhores calçadas e passeios, a construção de praças e áreas verdes, ao plantio de arvores e a implantação de ciclovias bem planejadas e seguras aqui nem sonhamos em algo parecido.


Políticas públicas de desenvolvimento urbano hoje devem considerar que o modelo atual está obsoleto e não pode ser mantido por mais tempo. As cidades devem buscar obsessivamente a preservação da qualidade de vida e principalmente ter uma visão de futuro em que se deixe de priorizar o carro como modal de transporte e se desestimule o uso de veículos movidos a combustível fóssil. Em quanto, nos países desenvolvidos vemos cada vez mais cidades restringirem o acesso dos carros aos seus centros urbanos, agregando mais e mais ruas a lista e expandindo as áreas livres de carros, aqui estamos fazendo tudo para colocar o carro na sala e no quarto. Já pensou em quanto espaço estamos destinando aos carros e quanto custa? Já pensou se este espaço não poderia ser melhor utilizado? Já fez contas de quanto custa todo esse espaço?

4 de janeiro de 2019

A água da torneira

Água da torneira

Quem viaja a Estados Unidos se surpreende quando nos restaurantes se serve água da torneira, água alias que não cobrada do cliente. Há cidades inclusive que estão começando a proibir a venda de água em garrafa plástica e paralelamente a proibição, estão instalando bebedouros para que todos possam preencher as suas próprias garrafas. No capitalismo selvagem americano são os municípios os que através de políticas públicas firmes estão defendendo os interesses e o bolso dos seus cidadãos. Imaginei por um momento que aconteceria se os restaurantes da vila praticassem a mesma política e passassem a servir “Tap water” ou água da torneira. Joinville tem hoje água de qualidade, tanto o Pirai, como o Cubatão fornecem água de excelente potabilidade.

Não só não temos uma política de defesa e promoção da nossa água, como o que vemos é a insistência do prefeito em querer aumentar a conta da água. Quando o serviço foi remunicipalizado, o discurso na época era que pagávamos caro pela água. Que a CASAN utilizava para o calculo da tarifa o subsidio cruzado e que os municípios mais rentáveis, Joinville entre eles, subsidiavam aqueles deficitários e que com a municipalização pagaríamos uma tarifa mais justa e menor. Só trouxa para acreditar neste tipo de discursos, mas como trouxas e cândidos não faltam nestes manguezais a municipalização foi aplaudida e a tarifa continuo a mesma.

No tema água temos uma condição privilegiada, duas fontes de fornecimento o Pirai e o Cubatão, ambas de excelente qualidade e abundantes. Localizadas perto da cidade e com uma topografia que facilita o fornecimento sem grandes problemas, nem custos elevados de energia. Em resumo poderíamos ter uma tarifa menor. Sem o subsidio cruzado e com as vantagens que Joinville tem, a nossa água poderia ser mais barata.


Os balanços e a distribuição constante de dividendos ao socio majoritário, a própria Prefeitura, que deixa de investir na CAJ, Companhia Águas de Joinville e usa o lucro para cobrir furos de caixa e pagar outras contas. O resultado é que continuamos apresentado índices de saneamento básico vergonhosos, por falta de investimento e que o poder público na sua ânsia esfoladora do contribuinte – consumidor só pensa em aumentar ainda mais a tarifa que já é cara. Nem vou aqui me referir ao ar que passa pelo hidrômetro, nem aos constantes vazamentos, nem as perdas de água tratada que são superiores a 38% no Brasil e 36,3% na região sul, 37% em Santa Catarina dados de 2016, em Joinville a perda em setembro de 2018 era de 46,5% de toda a água produzida. Os números são escandalosos e mostram o quanto há para melhorar antes de seguir aumentando o valor da conta. 

5 de maio de 2017

A maior cidade do estado


Joinville vive dividida entre o seu sonho de ser grande e sua necessidade de ser melhor. Fez a pior escolha e renunciou a ser melhor para seguir crescendo com a mesma logica que utilizam as células cancerígenas e o resultado é o titulo de maior cidade do estado. Santa Catarina é o único estado em que a capital não tem a maior população e total para que?

Ser a maior só garante que os problemas que Joinville sejam também os maiores. Os indicadores são perversos e mostram o quanto a cidade é penalizada por essa ânsia de crescer. Um crescimento sem planejamento e sem recursos. Podemos acrescentar ainda sem ideias, sem visão e sem outro modelo que não seja o de seguir crescendo. Há no imaginário dos dirigentes locais a ideia consolidada que é possível seguir crescendo indefinidamente. É um conceito que já tem sido abandonado pela maioria de cidades modernas e avançadas, que entendem que não é possível crescer sem que se estabeleçam parâmetros e indicadores de qualidade para a população. O modelo das cidades grandes é o que se baseia ainda no principio de economia linear, aquela que precisa de recursos infinitos num mundo finito.  As cidades inteligentes estão orientadas no modelo da economia circular. Cidades pensadas para ser sustentáveis. Para ser mais econômicas e eficientes. Para oferecer mais qualidade de vida aos seus habitantes. Os pedestres ganham mais espaço e o espaço público é planejado para permitir que haja uma menor necessidade de deslocamentos de um extremo ao outro da cidade. Se desestimula o transporte individual, cada vez é maior o número de cidades que fecham as áreas centrais aos veículos individuais. Nos próximos 10 anos já haverá cidades que não permitirão o acesso aos carros.


Joinville cresce muito e continua crescendo mal. As obras públicas são mal planejadas, pior executadas e a quantidade de imóveis públicos abandonados ou em péssimo estado de manutenção é a melhor prova do descaso com que é tratada a coisa pública. Ainda há tempo para reagir, mas a mudança exigiria um esforço enorme do poder público que parece aceitar bovinamente e sua incapacidade para fazer e para fazer bem feito por se isso não fosse suficientemente grave o joinvilense tem desistido de acreditar que outra Joinville é possível e aceita a inépcia como modelo de gestão e o tamanho como modelo de cidade.

29 de março de 2016

Deterioro urbano [2]

Sem meio fio os pedestres ficam mais expostos a atropelamentos, inclusive quando andam nas calçadas. Calçadas? Quais calçadas? Porque em Joinville o carro é o dono e senhor do espaço urbano. 





27 de março de 2016

Deterioro urbano [1]

Quando o carro passa a ter a prioridade absoluta e invade a calçada que é o espaço reservado ao pedestre se inicia um processo irreversível de deterioro da qualidade de vida na cidade.
Quando essas mudanças são feitas com o apoio e a anuência do poder público é evidente que os valores que devem reger o planejamento e a gestão do espaço urbano estão completamente desvirtuados.

Essa é a Joinville de hoje.




Se você não achou nada de errado nestas imagens é porque já perdeu o referencial do que esta certo e errado quanto a qualidade de vida e segurança do pedestre se refere. 

25 de outubro de 2014

A Joinville dos próximos 30 anos.


É bonito e empolga falar da Joinville dos próximos 30 anos. Mas que empolgar, entusiasma pensar que daqui a 30 anos Joinville será uma cidade melhor que a que temos e vislumbramos hoje. Quem poderia ser contra uma cidade melhor, mais verde, mais sustentável, mas justa, que integre as diferencias, com mais qualidade de vida e voltada para o cidadão. Um projeto de Joinville assim seria capaz de unir ao mesmo tempo todos os espectros do universo político. Que partido não assinaria uma proposta como esta?

Mas da mesma forma que acreditamos que Deus esta nos detalhes, também o diabo tem se feito presente nos detalhes. Planejar é uma coisa, executar é outra bem diferente. A Joinville planejada no plano diretor de 1973, disso já faz mais de 40 anos, era uma cidade bem diferente da de hoje. A cidade estaria cortada, de um extremo ao outro, por grandes avenidas duplicadas. Rotatórias ou elevados permitiriam que o transito fluísse bem e de forma segura. Atravessar Joinville de ponta a ponta seria rápido e confortável. O Rio Cachoeira estaria margeado por um parque linear que faria inveja aos grandes parques urbanos com que a população tanto sonha. O IPPUJ não precisaria ficar remendando a cidade com binários, trinários e outras invencionices que são só paliativos para problemas que não existiriam se o que foi planejado tivesse sido feito.

Se duplicar uma avenida como a Santos Dumont ou um trecho da Dona Francisca se converte numa missão quase impossível. Se a execução de pouco mais de meia dúzia de áreas verdes, se alastra por mais de três lustros, sem que Joinville tenha espaços públicos dignos de ser considerados parques e já seja necessário reformar as recentemente construídas. Recomenda o bom senso que se duvide da nossa capacidade de projetar e executar a Joinville dos próximos 30 anos.  Ou que no mínimo seja questionada esta visão idílica de uma cidade que será melhor só daqui a três décadas.


Se não conseguimos fazer bem as coisas mais simples, aquelas que deveriam fazer parte do quotidiano de uma cidade que insiste em querer ser a maior do estado e que poderia muito bem investir um pouco em ser a melhor. O que deveria nos deixar com a pulga atrás da orelha é que se não há a quem reclamar hoje que não tenha sido executado o que foi projetado em 1973, a quem questionar o que não tenha sido implantado em 2045 o que foi projetado em 2014? Quem vai lembrar? Ou estaremos naquela época planejando a Joinville de 2075. Essa sim será a cidade ideal e quem viver verá.

25 de setembro de 2014

Joinville ás escuras


No jornal A Notícia de hoje. O apagão que Joinville vive é mais que um montão de lampadas queimadas.

25 de setembro de 2013

Estado de penúria


As chuvas recentes tem levado os governos municipais a declarar diferentes estados de situação, desde estado de calamidade, nos casos mais graves, de emergência ou de atenção, quando a gravidade começa a regredir. A prefeitura de Joinville deve declarar estado de penúria permanente.
A penúria é um estado de pobreza extrema ou de indigência, de autentica miséria, se a prefeitura fosse uma família estaria inscrita no Bolsa Família.

Nos dias 26 e 27 de setembro, por tanto na quinta e na sexta feira se realizara em Florianópolis a Conferencia estadual das Cidades, da qual Joinville tem a obrigação de participar. Os conselheiros eleitos e também os indicados por Joinville receberam o seguinte comunicado:

“Comunicamos que não será possível ao Estado custear as despesas de alimentação, estadia e transporte dos delegados municipais para a 5a Conferência Estadual das Cidades, que será em Florianópolis nos dias 26 e 27 de setembro deste ano, quinta e sexta-feira.
A Prefeitura de Joinville também não poderá custear as despesas com alimentação e estadia dos delegados, mas disponibilizará um veículo para transportar os delegados nos dois dias da Conferência (ida e volta em cada dia, sem pernoite em Florianópolis).  Em tempo informaremos horário e local de saída. “

O comunicado é uma perola de como funciona o serviço público, como as meias verdades e as falácias se misturam para prejudicar o cidadão. Primeiro é importante conhecer o que estabelece a cartilha elaborada pelo Ministério das Cidades, a qual deveria ser de conhecimento de quem elaborou o comunicado municipal. Estabelece a cartilha:

5ª CONFERÊNCIA NACIONAL DAS CIDADES

CARTILHA PARA REALIZAÇÃO DAS CONFERÊNCIAS ESTADUAIS E MUNICIPAIS

· Funções das Comissões Preparatórias Municipais.
- Organizar, mobilizar e subsidiar a execução das conferências na etapa municipal.
- Fazer cumprir as regras previstas no regimento da 5ª Conferência Nacional das Cidades, ...

- Com o apoio dos Governos Municipais e dos Conselhos Municipais das Cidades onde existir, organizar toda infra-estrutura de local da conferência, deslocamento, alimentação, hospedagem dos delegados e delegadas - (eleitos, nosso grifo)- da etapa municipal,... 
MINISTÉRIO DAS CIDADES
CONSELHO NACIONAL DAS CIDADES
COMISSÃO PREPARATÓRIA NACIONAL
COMISSÃO NACIONAL RECURSAL E DE VALIDAÇÃO

No caso de Santa Catarina e a pesar do informado pelo IPPUJ, no comunicado enviado aos conselheiros eleitos a realização da 5ª Conferencia conta com recursos orçamentários.

ESTADO DE SANTA CATARINA
SECRETARIA DE ESTADO DO PLANEJAMENTO
CONSELHO ESTADUAL DAS CIDADES – CONCIDADES/SC
REGIMENTO DA 5ª CONFERÊNCIA ESTADUAL DAS CIDADES

CAPÍTULO - VI
DOS RECURSOS FINANCEIROS

Art. 16. As despesas com a organização da etapa estadual para a realização da 5ª Conferência Estadual das Cidades correrão por conta de recursos orçamentários da Secretaria de Estado do Planejamento que poderá receber apoio.

É um típico caso de empulhação, em que o município que tem a obrigação de custear as despesas dos delegados eleitos, não o faz e alega que o problema é do estado, que não é responsável por essas despesas. Custeia as diárias dos delegados indicados, todos eles funcionários públicos e se omite da sua responsabilidade.


Por isso a máxima que preconiza que não devemos acreditar no governo nunca fica mais evidente a cada dia. No caso de Joinville vivemos o resultado do estado de penúria acrescentado um estado permanente de mitomania e mau caratismo.

19 de setembro de 2013

Que imagem projeta Joinville para o futuro?


Se olharmos os valores que definem Joinville, não pelo que estamos criando, mas considerando o que como sociedade nos negamos a destruir, a nossa imagem como cidade, desperta muitas duvidas. A facilidade com que destruímos, ou nos omitimos frente a destruição sistemática do nosso patrimônio histórico, cultural e ecológico revela mais sobre nos, do que gostaríamos.

16 de setembro de 2013

Joinville e as bicicletas

A relação de Joinville com as bicicletas e os ciclistas já foi melhor. Em épocas não tão distantes, era até considerada a Cidade das Bicicletas. A sua topografia, predominantemente plana, facilita que seja a melhor opção de transporte para distâncias curtas e médias.

Apesar do aumento dos quilômetros de ciclofaixas implantados nos últimos anos, não é visível um crescimento proporcional do número de ciclistas. Se alguém prestasse um pouco de atenção, essa informação por si só já deveria provocar uma reflexão. É evidente que não a produz, porque o nosso planejamento é feito de olho nas estatísticas e na ficção e não nas pessoas.

Joinville corre o risco de ter a maior malha de ciclofaixas do hemisfério Sul e conviver com um aumento do número de ciclistas mortos ou feridos em acidentes de trânsito e ver uma redução do número de ciclistas que ousam circular por ruas mal sinalizadas e que não podem contar com uma malha de ciclofaixas interligadas, seguras e confortáveis, que ofereçam uma opção de mobilidade segura e confiável. A melhor prova da pouca confiabilidade e segurança que oferecem é o pouco uso que os próprios ciclistas fazem das existentes. Alguém se perguntou por que será?

As ciclofaixas que estão sendo implantadas, agora na rua 15, são um bom exemplo deste planejamento moderno, que intercala trechos sinalizados com espaços em que a ciclofaixa simplesmente inexiste. A impressão que fica é de que os ciclistas devem se teletransportar entre um trecho e outro da ciclofaixa. Outro exemplo é a ciclofaixa nunca concluída que deveria unir o Centro com o chamado Parque da Cidade. Devemos acrescentar ainda o tipo de sinalização feita que nem chega a durar seis meses; a pintura rapidamente desaparece, perdendo totalmente a função e deixando de oferecer a segurança de que o ciclista precisa.

A iniciativa de propor um serviço de aluguel de bicicletas sem contar com uma rede segura de ciclofaixas parece de novo uma ação mal planejada e que tem mais possibilidade de dar errado que de ter sucesso. O tempo dirá.

Publicado no jornal A Noticia de Joinville SC

29 de julho de 2013

Jardim do Museu de Arte de Joinville ganhará iluminação


Verdade que o jardim do Museu de Arte de Joinville já não era grande coisa, mas agora ficou arrasado. Terá iluminação e mais segurança a noite, mas não teria dado para fazer um trabalho melhor feito? 


O padrão é o mesmo de sempre, conserta, estraga, reforma, revitaliza, conserta, estraga de novo, arruma mais uma vez. E depois tudo recomeça de novo, uma e outra vez.


Precisa dizer alguma coisa, que não seja mostrado pelas imagens? Um verdadeiro trabalho de p***.
O pior problema é que hoje este é o padrão das obras públicas. Será que este padrão de obra seria aceito em qualquer empresa privada de Joinville? Provavelmente não. Mas como é feito com o nosso dinheiro, parece que ninguém se incomoda muito.

2 de junho de 2013

Identidade



Recentemente me perguntaram sobre a identidade de Joinville, qual a característica que fazia desta uma cidade diferente de qualquer outra. No primeiro momento fiquei confuso com a pergunta e respondi sem pensar muito, que o Morro do Boa Vista, ou Rio Cachoeira, as empadas do Jerke ou o jacare Fritz. Percebi na hora que dei a resposta errada. A identidade não é composta por coisas, definir a identidade de Joinville é algo mais complexo, mais profundo e mais intimo. Seria como definir qual é o espirito de Joinville e do joinvilense.

Para mim, que cheguei aqui faz quase 30 anos e já vivo aqui a maior parte da minha vida, descrever essa identidade que caracterize a forma de ser e de sentir da cidade e da sua gente já foi mais fácil. Por um lado o "estrangeiro" consegue ter um olhar diferente sobre a cidade. A perspectiva que temos as dezenas de milhares dos que não nascemos aqui, nos permite ver a cidade de forma mais desapaixonada, mais neutra. Não há menos amor, há sim, menos paixão e por isso a visão é menos túrbida e mais nítida. Há mais sinceridade, menos auto-engano.

A Joinville de 20 ou 25 anos atras tinha uma identidade bem definida, forte e cativante ao mesmo tempo. Uma cidade que não se entregava fácil ao forasteiro recém chegado. De muros baixos, mas de olhares ocultos trás cortinas rendadas. Que falava uma lingua própria, carregada no sotaque, uma língua que aos poucos tem perdido e com ela partes importantes da sua identidade. É provável que esta Joinville de hoje seja uma cidade híbrida, resultado da conjunção dos que aqui nasceram com os que aqui arribaram. Uns não souberam ou nao quiseram preservar os seus valores e tradições, a sua identidade.
Dos que aqui chegaram, muitos vieram ligeiros de equipagem, trouxeram poucas lembranças e deixaram nas suas cidades de origem as suas raízes sem adotar de novas.

O conceito de identidade é um fator decisivo para que uma cidade possa aspirar a uma melhor qualidade de vida. A identidade não é outra coisa que a força que ativa o componente social que o planejamento urbano deve ter. A identidade é por tanto uma das peças fundamentais para construir uma sociedade mais justa e equitativa. É esta falta de identidade que pode explicar porque hoje Joinville é uma cidade como tantas outras, amorfa, anódina, vagando no caminho sem volta de quem perdeu suas referencias e não é capaz de achar ou de construir de novas, andando a esmo no labirinto em que suas ruas sem alma tem se convertido.

Publicado no jornal A Notícia de Joinville SC

14 de maio de 2013

Como as Faixas Viárias impactarão Joinville


Caso a LOT seja aprovada com o texto elaborado pelo IPPUJ, mais de 160 ruas serão convertidas em Faixas Viárias e é bom que você saiba mais sobre elas. Em que ruas? Que tipo de industrias e serviços poderão ser instaladas nas Faixas Viárias e o impacto que essa criação joinvilense terá na sua vida e na sua cidade.

Todos os dados e documentos apresentados estão disponíveis no site do IPPUJ e são oficiais.

2 de abril de 2013

Como será o amanha de Joinville ? (*)


A Joinville do amanha


 Deixando de lado a abordagem sobre se teremos 10 ou 12 pavimentos nesta ou naquela rua, se será duplicada uma ou outra avenida ou se teremos finalmente um ou dois viadutos que coloquem Joinville no caminho da modernidade, se considerar a visão dos que acreditam que estes são os aspectos a partir dos quais se define ou se estabelece o modelo e a imagem de uma cidade. Persistindo esta forma de olhar, o que prevalece é uma visão parcial que reduz a cidade a um espaço físico e que estabelece como prioridade o investimento em infraestrutura. Acrescente-se nesse olhar ultrapassado a ideia que isso seja modernidade e desenvolvimento. A cidade fica assim reduzida a sua estrutura física, as suas ruas e construções e se desconsideram os seus elementos vitais, os que lhe conferem as suas características únicas e diferenciais.

Estes conceitos eram validos no final do século 19 e durante quase todo o século 20, mas não são suficientes para definir e projetar as cidades do futuro. Ao centrar o debate sobre a cidade em critérios obsoletos corremos um risco de chegar tarde aonde seja que estejamos indo.

A discussão sobre o modelo de cidade, passa entre outros muitos pelo seu conceito de prosperidade, pelo modelo de cidadania e também pela sua decisão de ser uma cidade inserida ou não num contexto inovador e sustentável.  Tenho dificuldade em identificar qualquer um destes pontos na Joinville do amanha.
As cidades, ou melhor, as regiões que serão referencia no futuro próximo são aquelas que tenham estratégias regionais de inovação.  Neste sentido é importante que identifiquemos quais as regiões mais inovadoras do mundo e possamos identificar quais as características que as diferenciam das demais. Em que pontos se alicerça este modelo de desenvolvimento? Qual é a base da sua competitividade e como construir as condições para promover este desenvolvimento sistêmico? Joinville ao longo da sua curta historia, já foi uma cidade inovadora e ainda hoje usufruímos todos da riqueza econômica, cultural e social que se criou naquela época.

É um erro insistir em imaginar uma Joinville maior, com um milhão de habitantes, por exemplo, quando seria aconselhável concentrar todos os esforços em projetar uma Joinville melhor, com maior renda per capita, com melhores condições de mobilidade e acessibilidade, com mais qualidade de vida, que atraísse empresas inovadoras e que fosse competitiva pela sua eficiência como cidade. Fazer a escolha errada terá um custo elevado, menos para nos e mais para as gerações futuras.
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