Mostrando postagens com marcador qualidade de vida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador qualidade de vida. Mostrar todas as postagens

26 de novembro de 2021

Verde urbano, podemos fazer mais.

 Arvores atrapalham o trânsito?



Sou testemunha do empenho do prefeito Adriano Silva e da vice-prefeita Rejane Gambin para deixar Joinville mais verde, mais florida e mais bonita. Não tem sido e não será uma tarefa fácil, até porque não há, especialmente dentro da própria prefeitura, o mesmo entendimento e a mesma vontade.


Não é de hoje que há arboricidas confortavelmente instalados nas secretarias que teriam por obrigação aumentar o verde nos espaços públicos, plantar mais arvores seria um bom início, deixar de cortar os que ainda sobrevivem nas ruas e praças seria uma boa sequência.


O cidadão comum que teima em utilizar o canal de comunicação da ouvidoria, tem poucas chances de ver seus pleitos atendidos, primeiro porque a ouvidoria não é propriamente uma ouvidoria e sim um “reclame aqui”. O serviço esta mais orientado a proteger e justificar a inoperância da própria prefeitura que de fato a “ouvir” as queixas e resolve-las. Uma pena, porque o resultado é que cada vez menos o cidadão utiliza a ouvidoria e busca outros caminhos e alternativas para expressar sua frustração e descontentamento. A melhor evidencia que a ouvidoria não está para resolver, e isso não é de hoje, é o fato que esteja sediada na SECOM, a secretaria que tem como missão divulgar, promover e publicitar as ações do governo municipal, mas não tem a força para resolver os problemas denunciados pelos cidadãos.


Como amostra de como o prefeito e a vice-prefeita tem um trabalho árduo pela frente esta troca de mensagens entre a ouvidoria é um cidadão.


A solicitação feita o cidadão propõe o plantio de arvores na rotatória em que estão instaladas bombas da Companhia Águas de Joinville. Justifica a sua proposta pelo aumento do verde, para deixar a cidade mais bonita e esconder ou disimular o monstrengo que a CAJ instalou la.


 A resposta do técnico florestal, convertido em especialista em trânsito não permite o plantio por conta das arvores interferirem no trânsito.

 


Infelizmente nada mudou na arborização. Os arboricidas vicejam, gente que não gosta de arvores, que não tolera o verde, que prefere o cinza, a feiura contra a que tanto lutam o Prefeito e sua Vice.  É um caso em que o técnico florestal não autorizou o plantio de arvores porque no seu entendimento prejudica a visibilidade. Se ele ao menos tivesse ido ao local entenderia que não tem problema algum de visibilidade naquela região. Que arvores com tronco livre de 3 metros de altura não atrapalham a visibilidade e deixam a cidade mais verde.


O resumo é que quem precisa tratar de arborização quer tratar de trânsito e quem precisa tratar de trânsito está fazendo política.


Para aqueles que ainda não entenderam a importância de cidades bem arborizadas e a contribuição da arborização urbana a melhoria da qualidade de vida esta imagem deve ajudar. Ainda que para os técnicos florestais que cuidam do transito essa informação seja inútil. 



20 de setembro de 2013

Esta acabando o tempo


A Joinville que ainda mantinha um bom nível de qualidade de vida esta ameaçada e o tempo esta correndo rápido. 

1 de agosto de 2013

Escolher entre o fácil e o difícil (*)



Sem chegar ainda a ser uma situação apocalíptica, Joinville não apresenta muito bom aspecto. A quantidade de pessoas, das mais diversas origens e condições que, manifestam o seu descontentamento pelo estado em que a cidade se encontra é elevada demais para que se possa falar em orquestração.

Por que será que a cidade parece regredir em lugar de avançar, como todos gostaríamos. Alain de Botton, o conhecido filosofo suíço, que esteve no Brasil recentemente, responde com a simplicidade que lhe é característica: “O desordem, o caos e mais fácil, a ordem, a organização dão mais trabalho.” Assim de simples.

Organizar, planejar, prever, fazer, resolver exige mais esforço e capacidade que procrastinar, esquecer, deixar de fazer ou em outras palavras olhar para o outro lado. A facilidade com que nos deixamos levar pela senda do menor esforço é evidente. Nem precisamos enumerar os prédios públicos que estão interditados ou em estado precário. As obras inconclusas, interrompidas ou deterioradas prematuramente. Todos conhecemos mais de media dúzia. A situação é tão comum que a imprensa, quase nem notícia mais.

Estes são os pontos em que as pessoas se fixam para chegar a conclusão que as coisas não estão bem. A percepção, por outro lado, tem um peso importantíssimo, o que passa a ser verdade é aquilo que as pessoas percebem com verdadeiro. De nada adianta gastar pequenas fortunas para repetir que três praças são um parque, ou que nunca se fizeram tantas obras, ou que a qualidade das obras públicas agora é muito melhor que no passado. O que conta é a percepção.

À medida que o tempo passa, e queda menos areia na parte de cima do relógio, é mais difícil acreditar que o que não foi feito antes, será feito agora. Porque quem escolheu seguir o caminho mais fácil, dificilmente vai mudar a sua forma de agir. Mudar a forma de agir toma tempo, exige esforço, mudanças comportamentais não sempre tem sucesso, quando se trata de uma pessoa já é difícil, quando se fala de cultura organizacional quase que é impossível. Se alem de todas estas dificuldades, ainda há resistências internas e se a organização em questão muda de direcionamento a cada quatro anos, pode ser uma missão impossível. 

11 de março de 2010

Qualidade de Vida ou Padrão de Vida?


Qualidade de Vida ou Padrão de Vida?


É fácil confundir padrão de vida com qualidade de vida. Melhorou o nosso padrão de vida nos últimos anos, do mesmo modo que perdemos qualidade de vida.


Padrão é algo que podemos medir, mensurável, nem precisa pensar muito, é um conceito linear, alguém que tenha uma motocicleta tem um padrão de vida melhor que alguém que só tenha uma bicicleta. Viu é simples, pela mesma lógica, se você comprou um carro ano 2000, pode dizer que tem um padrão de vida melhor, que o do motociclista. A aquisição de bens materiais nos leva a criar a fantasia que a nossa qualidade de vida melhorou. Televisão de LCD, roupa, moveis ou uma novo fogão ou geladeira, servem para criar um parâmetro. Morar num ou outro bairro da cidade sinaliza um maior padrão de vida. A leitura simplista é: Eu tenho mais que você.


Qualidade de vida é um conceito mais amplo, subjetivo e por tanto difícil de avaliar e de mensurar. O que é qualidade de vida? Com certeza que em Joinville, em particular e em Santa Catarina de uma forma geral gozamos de uma qualidade de vida melhor que a que se vive me São Paulo, por citar um exemplo, alguns já discordarão deste afirmação. Volta de novo a pergunta que é qualidade de vida? Um bom restaurante, uma casa mais confortável? A resposta de novo é mais complexa e tem diversas alternativas.


Poder passear pela rua sem medo e com segurança, dispor de tempo para a família e o lazer, ter acesso a serviços de saúde de qualidade, uma educação plural e acessível. Morar numa sociedade que priorize o cidadão. Que os valores importantes sejam a honestidade, a ética e o respeito. Que o ambiente que nos rodeia seja saudável. E tantas outras respostas que dependem de cada um. A proposta é: Eu tenho uma vida melhor que a sua.


Para que o carro novo se o transito não anda? Para que um tênis ou uma bicicleta nova, se não tenho um parque para levar meu filho para brincar? Comer quantidade de comida ou saborear o tempero e o gosto de uma comida simples bem feita? Não devemos confundir padrão com qualidade.


Publicado no jornal A Noticia


Share/Bookmark

17 de fevereiro de 2010

A transposição do Rio Cachoeira


O Rio Cachoeira

Quando o Rio Cachoeira começou a sofrer a ameaça da perda do caudal, e a conseqüente redução da sua calha, como resultado da ocupação desordenada das suas margens, da canalização e tubulação dos seus afluentes, inclusive da construção de prédios sobre os córregos e todo tipo de outras agressões, foi preciso achar solução para este risco ambiental.

Em quanto se elaboram projetos complexos e sofisticados, para permitir a transposição de rios em todo o pais, aqui ao longo de anos um grupo de pesquisadores e técnicos desenvolveu uma solução viável e pratica para salvar o rio. O projeto de transposição das águas dos rios Cubatão e Pirai para o rio Cachoeira é um dos grandes feitos da nossa engenharia. O projeto tem sido pouco divulgado e os verdadeiros heróis desta magnífica empreitada podem permanecer anônimos se não assumimos um trabalho de recuperação histórica.

O projeto consiste numa solução criativa, simples e de baixo custo. As águas dos dois mananciais de Joinville, os Rios Pirai e Cubatão, este ultimo ainda complementado pelas do rio Quiriri, são transferidas graças a um complexo sistema de bombas possantes, para a bacia do Rio Cachoeira. Todos os dias milhões de metros cubicos de água cristalina são transportados a traves de centenas de kilometros de tubulações a cada uma das residências, comércios e industrias de Joinville e depois de cumprida a sua missão, são devolvidas ao Rio Cachoeira, que ganha um caudal revigorado em volume e em riqueza de nutrientes.

As águas fertilizadas, por toneladas de esgoto domestico, dão uma nova vida ao rio, ricas em nutrientes atraem de volta as tainhas, inclusive jacarés, capivaras e outros animais silvestres vicejam nas suas margens. De uma única tacada conseguimos que o rio não fique sem água e devolvemos o seu caudal original, muitas vezes aumentado pela contribuição de milhares de moradores que com a sua contribuição fazem parte desta historia.

Esta engenhosa iniciativa tem um mínimo custo ambiental, Representa para o Cachoeira uma merma da qualidade da água, porque a água da transposição volta acrescentada de nutrientes orgânicos e outros componentes inclusive inorgânicos, que reduzem a transparência, mas agregam uma sólida consistência ao liquido e lhe conferem um elevado teor de riqueza que poderia inclusive ser melhor explorado e aproveitado.

Agora com a possível implantação da rede de esgoto, uma nova ameaça ronda o Rio Cachoeira, que corre risco de secar se deixa de receber a sua dose diaria de esgoto.

Publicado no jornal A Noticia

5 de dezembro de 2009

Direito de Defesa

O DIREITO DO BAIRRO DE LUTAR POR SUA QUALIDADE DE VIDA.



Não é ético administrações municipais populistas, aliadas a oportunistas utilizar expedientes opacos para alterar o uso do solo dos bairros residenciais, tirando-lhes a qualidade de vida para beneficiar a poucos.

Gert Roland Fischer

A onda de oportunismo hegemônico que assola intempestivamente a construção civil nas mais prósperas cidades do interior brasileiro onde ainda existe qualidade de vida, vem causando danos aos milhões de cidadãos que investiram em boas residências em bairros onde lhes fora garantido a imutabilidade do uso do solo com a manutenção do zoneamento restritamente residencial.


Esse comportamento de tsuname de concreto vem ocorrendo e sendo praticado pela construção civil e predial. A característica desse rolo de concreto reside na falta de compromissos éticos para com a qualidade de vida dos cidadãos onde se instala.


O sucesso reside na corrupção que possibilita alterações das leis de usos do solo. Corrompe-se e levianamente acontecem alterações. Há casos que são dramáticas, quando a geografia da qualidade de vida natural desses bairros e sua estrutura funcional não comporta essas edificações.


O setor atua fortemente até a saturação do mercado imobiliário. As vendas aquecidas pela falsas ofertas de qualidade de vida e de argumentos ecológicos. As agencias oferecem paisagens de morros cobertos com matas, vistas panorâmicas para fragmentos de bosques nativos, vistas para recursos hídricos, entre outros que na realidade não existem.


Devem os urbanistas e consultores da construção civil, ficar atentos na venda de sonhos equivocados o que sempre levará a indisciplina e o caos urbano. Projetos clientelistas que vem em formato de PACOTAÇO servem mais para beneficiar alguns poucos, em detrimento de contribuintes que pagam essas contas.


O Programa Minha Casa Minha Vida, perde a oportunidade de utilizar resíduos gerados pela construção civil - recicláveis e reutilizáveis. Perde o governo dos trabalhadores a oportunidade de mostrar na pratica, como é benéfico e salutar o mutirão incorporando a engenharia, a arquitetura, o trabalhador da construção civil, o candidato a uma casa com o uso da brita de segundo uso em lages, lajotas, tijolos, fossas, filtros biológicos, entre outros elementos no uso do cimento.


O MCMV negou aos usuários pobres, aos sem profissão, aos que não estudaram entre outros excluídos, a possibilidade da personalização das moradias. Foi lhes negado também a captação pelos telhados desses pombais de 4 andares, das águas da chuva, como o aquecimento solar dessas águas, entre outras técnicas alternativas que o “sistema” tanto impõe nos discursos da SUSTENTABILIDADE. Minha Casa Minha vida é tudo o que os discursos de campanha política não prometeram para os eleitores e para os excluídos.


O uso de programas de reciclagem municipal dos materiais de construção pela governança socialista, implantando unidades municipais ou privadas da reciclagem para disponibilizar materiais da construção civil a preços simbólicos, propiciam a construção de ruas pavimentadas, construção de escolas, de moradia baratas e funcionais, a preços jamais praticados e inéditos.


A valorização da engenharia local da construção civil e a arquitetura aconteceria caso se permitisse que esses milhares de profissionais fossem incluídos sem burocracia nos projetos regionais e locais do programa MCMV.


Mas não é o que acontece. Tudo vem pronto de Brasília, desde o comprador dos imóveis dos amigos, passando pelas construtoras carimbadas dos amigos, como os fornecedores de materiais de construção. Cada partido político e suas lideranças, recebendo de Brasília um pacotaço no antigo esquema de sustentabilidade das agremiações e seus dirigentes. O recurso público como sempre ficará escasso mentirosamente.


O discurso continuará tão somente no imaginário ecológico, para que o beneficio às empreiteiras amigas possam continuar transportando os dinheiros na cueca, nas meias, nos bolsos e pouco importando a sigla partidária.


Infelizmente também os partidos socialistas, olhando sempre para o cocho, não se recordam mais das promessas e apresentação de projetos mentirosos, passados apaixonadamente em horários nobres nos programas de TV para o povo brasileiro.


Gert Roland Fischer

Eng. Agr. e Auditor Ambiental Líder.


29 de julho de 2009

Primeiro leia o texto para depois ver o video

O Real Papel do Designer Projetista

Esse vídeo ilustra de maneira indireta (ou bem direta talvez), o papel de um projetista ou de um engenheiro na comunidade: desenvolver meios facilitadores para a comunidade onde vive.


Por mais simples que pareça esse projeto, ele atende a várias exigências de um desenvolvimento bem feito: praticidade, valor agregado, ergonomia, estética, entre outros.

15 de janeiro de 2009

Tem quem enxerga esta imagem como....

...progresso

Sem perceber o alto custo em qualidade de vida. Verticalizar alem do bom senso, representa perda de qualidade de vida e principalmente uma cidade menos humana, com menos verde.

1 de setembro de 2008

Verde e Qualidade de Vida


Não é de hoje que se debate a contribuição do verde a qualidade de vida das pessoas. Hoje porem esta comprovado que estar rodeado de plantas e flores melhora o nosso estado de espírito, a nossa percepção do entorno e inclusive a nossa produtividade.

Na década de 70 a NASA, identificou como uma necessidade poder utilizar plantas no interior das estações espaciais, pouco depois da conquista da lua, se vislumbrava um futuro de viagens interplanetários de longa duração e as plantas formariam parte destas viagens. As primeiras pesquisas estavam orientadas a identificar quais as plantas que melhor se adaptariam as condições extremas de um ambiente completamente artificial, a segunda fase das pesquisas tinha como objetivo identificar aquelas que alem de se desenvolver nestes ambientes, ainda contribuíam para a melhoria da qualidade do ar, retirando inclusive poluentes do ambiente.

Deste trabalho surgiram vários resultados que ainda hoje norteiam a escolha de plantas para ambientes internos, são as plantas que melhor se adaptam as condições de falta de luz, ar seco e poluição provocada pelos materiais que hoje estão presentes no interior das nossas residências e ambientes de trabalho.

O Council Plants for Clean Air, divulga estas plantas, estimula o seu uso e hoje na maioria dos ambientes internos tanto de Europa, como de Estados Unidos, são estas as plantas que dominam. Escolhidas pela sua resistência e características excepcionais.

Entre as mais conhecidas e lamentavelmente pouco utilizadas no Brasil, podemos destacar a Aglaeonema, o lírio da paz (Spatiphyllum), as dracenas (Dracaenas) e algumas palmeiras de interior.

A partir destes estudos, uma nova geração de pesquisadores, buscou provar cientificamente até que ponto as plantas e flores contribuíam de fato a melhorar a qualidade de vida das pessoas, principalmente com relação ao lado emocional. O resultado destes estudos provou cientificamente que as plantas colocadas em ambientes internos produzem uma sensação de bem estar, ajudam a reduzir o desconforto, estimulam idéias criativas e que estes resultados não se repetem quando plantas e flores são substituídas por esculturas, fotos coloridas ou plantas artificiais.

A experiência inclusive submeteu os voluntários participantes a dor física, que foi melhor superada por aqueles que se encontravam nos ambientes que tinham plantas naturais e flores.

O resultado deste trabalho, permitiu avançar mais e buscar provar até que ponto estes resultados poderiam trazer benefícios reais e mensuráveis para a sociedade. Neste ponto pesquisadores de praticamente todos os continentes estavam voltados a realizar estas pesquisas e estudos.

Os primeiros resultados alem de confirmar os resultados anteriores, mostraram sucessos inesperados. Nos hospitais que plantas e flores foram utilizados nas salas de recuperação de pacientes de oncologia, a recuperação foi mais rápida e a sensação de dor e de desconforto diminui. O que representou alem de menor uso de analgésicos, um período de recuperação menor. Os ambientes de trabalho nos hospitais e ambulatórios que receberam plantas, melhoraram, tanto os pacientes, como os profissionais da saúde, experimentaram redução do stress, da ansiedade e houve redução sensível da agressividade, compreensível entre profissionais de áreas tão sujeitas e pressão.

Na medida que um numero maior de estudos estão sendo concluídos, é possível verificar que em ambientes de trabalho de alto nível de pressão emocional, como call centers, centros de computação, escritórios de engenharia e projetos e em geral aqueles que trabalham com computação. Não só o absenteísmo diminui, como as pequenas doenças e mal-estares laborais reduziram sensivelmente, em alguns casos com percentuais superiores as 12 %. Depois que foram colocadas plantas no ambiente de trabalho.

Em bancos e entidades financeiras a redução do absenteísmo foi superior ao 8 % e o ambiente de trabalho melhorou, reduzindo o stress e aumentando a produtividade em percentuais superiores a 10 %.

Entre os profissionais das áreas de criação e de escritórios de projetos, foi possível verificar um aumento não só na criatividade, também no numero de idéias e na qualidade das propostas apresentadas, o impacto é distinto para homens e mulheres. Para os homens aumenta o numero de idéias, no caso das mulheres é possível verificar um aumento do nível de criatividade, as suas idéias são mais criativas.

Também é possível verificar uma redução sensível da violência urbana nos bairros e cidades que tem áreas verdes, os espaços públicos cuidados e bem mantidos agregam qualidade de vida as cidades e especialmente as pessoas que nelas vivem. Os imóveis localizados em volta destas praças e parques tem uma valorização maior, que pode ir do 10 % até em alguns casos superar os 40 %.

Um meio ambiente urbano mais verde representa uma maior qualidade de vida para as pessoas e uma cidade melhor. Aumenta a produtividade no ambiente de trabalho, reduz o absenteísmo laboral e as doenças ocupacionais, melhora a recuperação de pacientes e aumenta o valor imobiliário de residências e empresas.

21 de agosto de 2008

Pensando no futuro de Joinville


Quando em Joinville os candidatos apresentam projetos cada vez mais ousados e menos criveis, para o desenvolvimento da cidade e a definição do seu futuro. Este blog publica um texto de Gerhard Erich Boehme, que nos coloca uma visão diferente, a partir de olhar as pessoas, os cidadãos e entender as suas necessidades, as suas aspirações e especialmente a busca de uma vida com mais qualidade e a construção de uma cidade melhor. A reflexão que é muito interessante, poderia servir de referencia, não só para nossos candidatos a prefeito e vereador, também e muito especialmente para os representantes da sociedade organizada. Mesmo utilizando Curitiba como referencia, as suas considerações são perfeitamente validas para quaisquer outra cidade brasileira, inclusive Joinville.



A Costa Rica vem sendo apontada como um sucesso no que se refere à defesa da liberdade e suas conquistas sociais, todos os indicadores sociais, os quais, mesmo comparados com Cuba, são os melhores. Vale lembrar que em Cuba estes muitas vezes, ou melhor, na maioria das vezes são propositada e ideologicamente alterados ou de difícil comprovação. A começar pelos indicadores relativos à corrupção e ao exercício da liberdade, uma vez que os demais comprovadamente decorrem destes dois, da liberdade de empreender em especial.

Curitiba, uma das principais capitais do Sul do Brasil foi durante décadas apontada como tendo a melhor qualidade de vida dentre as grandes cidades brasileiras.


O que Curitiba e a Costa Rica tinham em comum?

- Em ambas a discriminação espacial era praticamente inexistente, mas por conta da forma como ocorre o direcionamento de seu desenvolvimento, tanto aquele país como hoje a Região Metropolitana de Curitiba, estão se tornando locais onde a qualidade de vida se deteriora rapidamente e já se encontra entre as piores do mundo, se igualando as demais regiões brasileiras, sem que o poder público possa, de forma eficaz, se fazer presente, em especial em termos de proteção contra à violência.

Não vou entrar no mérito de como a Costa Rica, através do profundo respeito à Filosofia¹) da Liberdade, conquistou a posição que hoje ocupa. Mas em Curitiba, onde em uma mesma rua se podia, e ainda hoje se pode ver, ao lado de verdadeiras mansões, casas simples de madeira, com seus cidadãos convivendo muitas vezes os mesmos problemas. Da padaria à farmácia, da escola ao transporte público são comuns. Assim como o convívio e dele decorrente, a solidariedade.

Mas com o crescimento desordenado que Curitiba sofreu nos últimos anos, retirando dela toda a característica de ter sido a maior cidade brasileira de colonização alemã, a qual foi responsável pela ocupação espaçada, com excelentes escolas e que se mobilizou de forma fantástica, isso a quase cem anos atrás, para ter a sua primeira Universidade no Brasil, a qual foi posteriormente federalizada. Hoje é conhecida como a UFPR e ela guarda consigo boa parte do patrimônio da antiga escola alemã, terrenos onde hoje se encontra o Hospital de Clínicas.

Pertencente à UFPR temos a sua Escola Técnica, a qual divide com o Colégio Martinus, Divina Providência e Colégio Bom Jesus a mesma história, durante décadas, desde a fundação. Formada por bairros bucólicos, hoje Curitiba sofre e promove indiscriminadamente também a discriminação espacial.

Por desconhecer ou desconsiderar o Princípio da Subsidiariedade, decisões foram sendo tomadas nas três últimas décadas, todas afastando de um crescimento sustentado e humano, seguiram a lógica da cultura da lombada – a de atuar no efeito e não na causa do problema - e da discriminação espacial. Vieram os condomínios fechados, a urbanização seletiva e as invasões promovidas pelo, hoje Governador, Roberto Requião, o qual pôs por terra todo um planejamento urbano, liderado pelo arquiteto Jaime Lerner, que conferia a Curitiba ser uma, senão a única cidade brasileira com um plano diretor efetivo, isto é, colocado em prática. Foi dele também o Plano Diretor original da cidade do Guarujá em São Paulo, abandonado por políticos demagogos.

Políticas públicas são fundamentais, e estas devem prever e rejeitar a descriminação espacial, pois é da discriminação espacial que nasce ou a partir dela concorre ao principal fator para o crescimento da violência e perda da qualidade de vida.

As soluções existem, sendo fundamental que os municípios tenham a Agenda 21 Local e o Plano Diretor.

Mas observem os candidatos a vereadores e prefeitos, poucos estão preparados para conduzir estes temas em consenso e com respeito ao Princípio da Subsidiariedade com a sociedade. Nada é discutido. Optam por defender e criar projetos demagógicos de “favelização” com seus conjuntos populares ou urbanização demagógica, seguem a “cultura da lombada”.

A discriminação espacial nestes casos é mais grave, pois geram a violência por uma série de razões, dentre as quais destaco:

1. não permitem que as crianças tenham espaço para brincar sob os olhos dos pais ou responsáveis, já que em tenra idade são “expulsadas” para as ruas, com todo tipo de influência negativa; fazendo com que a educação não venha de pessoas responsáveis;

2. as famílias não possuem condições, em seu espaço físico, de exercer uma atividade econômica, como uma oficina, um atelier, etc., nem hoje e muito menos no futuro;

3. as famílias, impossibilitadas pela área disponibilizada, não podem ampliar as suas construções de forma que tenham uma vida mais digna e que acompanhe o seu crescimento natural, com a chegada dos filhos ou mesmo a vinda de pais ou parentes em idade mais avançada;

4. as famílias ficam impossibilitadas de terem uma complementação da alimentação, através de árvores frutíferas, hortas ou criação de pequenos animais (galinhas, codornas, etc.);

5. as famílias, devido a irracional ocupação dos espaços, ficam privadas de sua intimidade;

6. as famílias ficam impossibilitadas de ampliarem as suas residências, conferindo a elas mais conforto, qualidade de vida e praticidade;

7. as famílias ficam impossibilitadas de investirem suas poupanças, tempo e recursos em suas residências, possibilitando o aumento natural do valor de seu patrimônio;

8. as famílias passam a ocupar o espaço sem preocupações com o ambiente que as cercam, criando e agravando os impactos ambientais e deteriorando o espaço urbano.

Eu poderia apontar mais de uma centena de justificativas, mas a questão é que esta irracionalidade não é combatida, o crescimento das cidades brasileiras é feito de forma violenta, e isso desde a quartelada que muitos chamam de “Proclamação da República”, com suas invasões, de forma irracional através do “enclausuramentovirificadas nos projetos com condomínios fechados ou ainda promovendo de forma mais vergonhosa a discriminação espacial, com seus conjuntos e moradias populares. E isso em um país com vastas áreas para seu crescimento.

Voltando à Costa Rica, inicialmente recomendo o excelente artigo que nos foi disponibilizado pelo Instituto Liberal, o qual reproduzo abaixo. Mostra o lado bom de uma economia livre. Por outro lado, e, como bem nos lembra o jornalista Luiz Carlos Azenha, a principal denúncia que se faz é que ela, a Costa Rica, está à venda.

Escreve ele que oitenta por cento das áreas nas praias mais populares do país, especialmente na costa do Pacífico, foram adquiridas por estrangeiros - principalmente americanos. Depois de comprar o Alasca, os Estados Unidos estão comprando seu próprio paraíso tropical. Quem encomenda as placas anunciando projetos imobiliários nem se preocupa em anunciar em espanhol. É tudo em inglês.

Existe uma infinidade de fatores positivos nisso, e Cuba também se envereda pelo mesmo caminho, com seus condomínios e hotéis internacionais, só que neste caso são completamente inacessíveis aos cubanos. A discriminação espacial é total, é uma imposição do Estado, exceto aos que nesta atividade encontram seus empregos.

A América Central é conhecida como um lugar que se promove dizendo o que não tem. No Panamá, anúncios no aeroporto dizem que o país é um bom destino para investimentos, entre outras coisas porque não enfrenta risco de terremotos, nem de furacões. Na Costa Rica o motorista de táxi repete o bordão segundo o qual está tudo bem. "Não somos El Salvador, nem Honduras", disse ele sobre a criminalidade. Nas cidades da Costa Rica, que é um país de classe média, a população se esconde atrás de cercas e de arame farpado.

Lá, como aqui em Curitiba, se diz que a criminalidade é atribuída “a estrangeiros”, especialmente imigrantes da vizinha Nicarágua, aqui às pessoas que vieram de São Paulo, Nordeste e alguns casos do interior, o que de fato não deixa de ser verdade.

Os indicadores sociais da Costa Rica são mesmo muito melhores que os de toda a região, com exceção de Cuba, ao menos os oficiais, e isso sem a necessidade de ter sua diáspora ou criar suas prisões políticas. O país não tem exército e montou um sistema público de atendimento médico e hospitalar de alcance universal. A geografia é linda: mar, montanhas e florestas tropicais. O terreno acidentado impede o agronegócio em grandes extensões de terra. É a geografia a serviço da estabilidade política. A Costa Rica tem um grande número de pequenos proprietários, o que garante uma distribuição de renda bem melhor que a média regional.

Assim como Curitiba, a Costa Rica tem no turismo uma das principais atividades econômicas. Curitiba conquistou a fama de ser a cidade ecológica, uma grande farsa, aqui se constroem os binários, o transporte público se deteriora dia-a-dia – com superlotação constante, se derruba árvores de forma indiscriminada, sendo uma das cidades que mais perdeu área verde nas duas últimas duas décadas. Cidades no seu entorno lembram a Araucária, a qual está praticamente extinta, Pinhais, São José dos Pinhais, Araucária e por que não Core-atuba – muito pinhão, como chamavam a nossa cidade. A Costa Rica já não depende tanto da exportação de café, banana e plantas exóticas. A contradição está em que a própria expansão do chamado "turismo ecológico" se dá às custas da destruição de florestas, do surgimento de novos condomínios onde a discriminação espacial é gritante, da falta de infra-estrutura para atender aos novos projetos. Os americanos adotaram a Costa Rica como refúgio depois da aposentadoria. O refúgio se dá por conta do aumento da discriminação espacial.

Citar cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, como as que possuem pior qualidade de vida, em especial para as populações mais pobres, não é novidade, mas a questão é que por conta da discriminação espacial posta em prática é que se chegou a este resultado. São formadas por favelas.


Qual é a vantagem que a Costa Rica leva com tal liberdade?

Como bem nos lembra também o Luiz Carlo Azenha, na Costa Rica, agora os condomínios para estrangeiros vão se espalhar de vez. O país fica a duas horas de vôo de Miami e a três de Atlanta. As praias americanas são feias. O país não tem floresta tropical. A Costa Rica tem praias lindas, muito verde, calor tropical e mão-de-obra barata. Além disso, por causa das estradas precárias e das montanhas, lá os americanos podem brincar com os jipes com tração nas quatro rodas, que nos Estados Unidos só usam para ir de casa ao supermercado.


Qual foi a vantagem para os curitibanos terem conquistado a fama de terem uma boa qualidade de vida?

Aqui somente se ampliou a discriminação espacial. Exceto com Lerner, os demais alcaides foram incompetentes em considerar esta questão, e muito menos realizam um trabalho conjunto com os municípios da região, os quais por conta da discriminação espacial se tornaram cidades dormitórios ou palcos de extrema violência. Cito esta palavra, alcaide, pois estes últimos prefeitos foram verdadeiros alcaides, nos dois sentidos da palavra, substantivo e adjetivo. Promoveram a discriminação espacial, sendo o então Prefeito Roberto Requião o pior deles, com suas invasões promovidas visando à conquista de massa de manobra e sua fábrica de votos.

Requião é o que promoveu em Curitiba a maior discriminação espacial de sua história. Incentivou, através de seu aparelhamento ideológico, pequenos agricultores ou cidadãos de pequenas cidades de interior a virem morar em Curitiba. É um dos que usa e abusa do conceito da “distribuição”, mas é incompetente na geração de riqueza, renda e qualidade de vida.


"Somos pobres porque acreditamos na distribuição e não na produção de renda, este resultado do empenho de todos quando se observa o esforço em poder competir com liberdade e dignidade, observando a Filosofia da Liberdade¹, o Estado de Direito, o Princípio da Subsidiariedade e se combate o clientelismo² e a demagogia política". (Gerhard Erich Boehme).

Sim, mas como sair desta situação e efetivamente combatermos a discriminação espacial.

Alguns pontos de ação são fundamentais. Devemos começar por exigir de nossos políticos que efetivamente sejam competentes no que se refere a Agenda 21 Local e o Plano Diretor, mas não só deles, mas de nós mesmos.

Para entender a importância desta questão recomendo que acessem: http://www.boehme.com.br/agenda21.htm ou entrem em contato comigo através do e-mail: agenda21@boehme.com.br ou iso14000@web.de e venham a saber como a Agenda 21 Local pode reverter muitos problemas que hoje estão fora de controle.

Outra questão fundamental é não aceitarmos, em qualquer lugar do Brasil, novos projetos que visam a discriminação espacial e para tal é fundamental cobrar das autoridades que:

1. Conjuntos populares a serem criados tenham terrenos com área superior a 800m², sendo o recomendado áreas de 1.000 a 1.500m²;

2. Novos condomínios devem reservar parte de sua área a casas populares e a pessoas cadastradas junto a órgãos públicos;

3. Nos casos em que forem criados conjuntos populares com a construção de pequenos prédios, estes deverão contemplar uma área verde e área destinada ao convívio social, como churrasqueira, quadras e parques infantis, a exemplo do que estava programado para Curitiba por parte do ex-prefeito Jaime Lerner e sua equipe e que, de fato, se tornou realidade em alguns bairros.

Se não tirarmos as nossas crianças da rua, dificilmente seremos competentes em construir um Brasil melhor e seremos também responsáveis por promover a discriminação espacial, a qual é muito mais grave que todo e qualquer tipo de discriminação, mesmo a racial, pois parte significativa de nossa sociedade não sofre os efeitos da discriminação racial, mas sim da discriminação espacial e ela atinge a todos, direta ou indiretamente através de seus efeitos.

Quando me formei em engenharia na UFRJ, constava no nosso convite de formatura o compromisso de combater as causas que levavam a criação das favelas, em especial a que tínhamos como vizinhos, a Favela da Maré, hoje uma das maiores e mais violentas do Rio de Janeiro. Nunca me afastei deste compromisso.

Hoje, por conta da violência, não posso mais ministrar minhas aulas lá no período noturno.

Mas confesso, com o tipo de político que temos e o que é pior, que escolhemos, é difícil colocar em prática este compromisso. Entendo que o combate a discriminação espacial é a melhor alternativa. Ou uma das poucas alternativas que temos, o que obriga também termos políticas públicas consistentes que promovam a interiorização de nosso Brasil, em especial observando o princípio da subsidiariedade, o qual é desconhecido ou ignorado pelos brasileiros. O investimento a novos negócios deve ser direcionado às cidades com menos de 300mil habitantes e a estados menos populosos. A liberdade de escolha deve ser do cidadão ou empresário, mas o incentivo deve ser público, consensado pela sociedade.

Recomendo a leitura do artigo “A produção do espaço diferenciado dentro da favela: uma visão dos moradores da Maré”, nele encontramos uma importante referência que o morador de uma favela possui da cidade e da hierarquia urbana.

http://www.tamandare.g12.br/IsimposioCD/extra/mare.pdf

“Devido a forma com que vem se apresentando, o processo de globalização conduz a cidade a um (re)ordenamento, na tentativa de atender as novas exigências do capital global, tornando o espaço cada vez mais fruto de uma lógica mercadológica, onde as classes menos favorecidas ficam à margem dos projetos públicos e privados.” (Fabricio R. Migon)

E para concluir, se não combatermos a discriminação espacial, seguramente estamos contribuindo para a segregação social, e dela decorrente, estaremos concorrendo para todo tipo injustiça que se produz dentro da sociedade, a começar pela violência que se inicia quando uma criança é colocada na rua, sem atenção daqueles que a amam ou a deveriam amar.

Se observarmos a Costa Rica, Cuba ou o Brasil, independentemente da linha ideológica posta em prática em cada país, os três possuem em comum a falta de políticas públicas que inibam a discriminação espacial.


¹ Filosofia da Liberdade: http://isil.org/resources/introduction-portuguese.swf

² Clientelismo:http://www.puggina.org/outrosautores/news.php?detail=n1207225935.news

Uma realização política...

Peça que seu político responda às seguintes perguntas quando este for apresentar um projeto para moradias populares:

a) Onde as crianças poderão ou irão brincar?

b) Como e onde os atuais moradores poderão fazer as reformas necessárias para conferir à residência condições para uma melhor qualidade de vida de seus moradores?

c) Como e onde os moradores poderão adequar a construção para conferir a ela espaço para o aumento da família?

d) Como e onde os atuais moradores poderão desenvolver uma atividade econômica que lhes permitam aumentar a receita familiar?

e) Como e onde os atuais e futuros moradores poderão auxiliar o orçamento doméstico com pequenas hortas, criações ou a produção de frutas?

f) Como a intimidade familiar pode ser preservada?

g) Como e quando os atuais moradores poderão ter contato com pessoas com renda superior ou inferior a delas?

h) Como os moradores poderão preservar o patrimônio que vai sendo conquistado com o tempo, tornando-as menos vulneráveis a furtos e roubos?

i) Como evitar a segregação das pessoas que residem neste tipo de habitação?

j) Onde poderão ser plantadas árvores e plantas? Onde ficarão as flores que encantam e tornam a vida mais humana?

Gerhard Erich Boehme
gerhard@boehme.com.br


18 de agosto de 2008

Pessoas e Empresas


As empresas são o reflexo das pessoas que as dirigem e que nelas trabalham. Pode parecer às vezes que é o contrario que as empresas acabam formando o perfil e a forma de agir das pessoas.
Joinville é rica em produzir exemplos de sucesso, e entre tantos alguns se destacam pela sua capacidade de olhar alem do horizonte, de olhar as pessoas não só como clientes, sino especialmente como seres humanos.
Na Rua Max Colin, um laboratório de analises clínicas tem insistido, com perseverança e esforço exemplar, em ter as pessoas como referencia, acostumada a lidar com elas em momentos de fragilidade, desenvolveu a cultura do sorriso, do carinho, da palavra amável e da excelência no atendimento, quase como uma obsessão e o resultado salta aos olhos.
A sua ultima iniciativa, é a de construir um parquinho para que as crianças possam continuar a brincar entre uma e outra picada de agulha, antes ou depois de uma consulta. Desta forma se consegue diminuir a tensão e a preocupação também dos familiares. Ainda indo alem, o parquinho esta aberto a todos os joinvilenses não só no horario comercial, tambem aos finais de semana, para ofertar uma opção de lazer, numa cidade que é tão carente delas.
São exemplos como estes que nos mostram que é possível fazer mais, e fazer mais com menos.
Sem nenhum orçamento milionário é possível aproveitar um canto que antes servia de estacionamento, agora deu lugar a uma área de lazer, no sentido contrario do que vemos na cidade, em que os veículos ganham espaços antes destinados ao pedestre e ao ciclista. Vemos que é possível humanizar a cidade, olhar de volta para as pessoas e fazer disto mais que uma bandeira, fazer disto uma filosofia de trabalho e de vida.
Vale a pena dar uma olhada, conhecer as empresas que fazem a diferença e principalmente as pessoas que são a cara, os olhos e o coração destas empresas, porque é nelas que devemos depositar nossa esperança, por uma cidade melhor.
A construção de uma cidade de qualidade depende das pessoas, depende de cada um de nós. Porque quem faz, são as pessoas e não as organizações.

Publicado no Jornal A Noticia

28 de julho de 2008

Calçadas socialistas


Uma das melhores leituras dominicais que existem na imprensa do mundo é a entrevista curta e certeira, seca, sempre muito bem editada por Deborah Solomon na revista do New York Times.

A entrevista do dia 9 de junho de 2008, traz Enrique Peñalosa, o ex-prefeito que reinventou Bogotá. Claro que Joinville não é Bogota, mas que os nossos candidatos poderiam considerar alguns dos trechos desta entrevista.

Qual a primeira coisa que você diz para prefeitos fazerem? Nos países em desenvolvimento, a maioria das pessoas não têm carros. Então digo: quando você faz uma boa calçada, está construindo democracia. Calçadas são símbolos de igualdade.

Calçadas não me parecem prioridades nos países em desenvolvimento. São a última coisa que fazem. A prioridade é fazer estradas e avenidas. Fazemos cidades para carros, carros, carros, carros. Não para pessoas. Carros foram inventados muito recentemente. O século 20 fez um desvio horrível na evolução qualitativa do habitat humano. Construímos, hoje, pensando mais na mobilidade de carros do que na felicidade das crianças.

Mesmo em países nos quais a maioria não tem como comprar carros? As pessoas de maior renda nos países em desenvolvimento nunca andam. Elas vêem a cidade como um espaço ameaçador. Passam meses sem andar uma única quadra.

Isso também não é verdade para os EUA? Não em Manhattan, mas há muitos subúrbios em que não há calçadas, o que é sinal de falta de respeito para com a dignidade humana. As pessoas sequer questionam isso. É como a França pré-revolucionária. As pessoas achavam que a sociedade estava normal, assim como as pessoas acham normal, hoje, que o acesso à praia em Long Island seja particular.

Você está comparando pessoas com casa com vista para o mar em Long Island com aristocratas franceses corruptos? Se a democracia prevalecer, o bem comum deve vencer interesses privados. A pergunta é: a maioria das pessoas seria beneficiada com acesso à praia em Long Island? Todas as crianças deveriam ter acesso à praia sem precisar freqüentar um country club. […]

Onde você estudou? Duke University. Me formei em economia e história.

Você devia ser o único socialista em Duke. Acabei percebendo que o socialismo era um fracasso como sistema econômico. Mas a igualdade não morreu. O socialismo morreu. Mas o desejo de igualdade não está morto.

26 de julho de 2008

Uma pequena reflexão urbana

O cidadão defende-se de um sistema de saúde ruim pagando, se puder, um plano de saúde privado, senão corre sério o risco de morrer na fila;

O cidadão defende-se de um ensino de segundo grau ruim indo desqualificadamente para o mercado de trabalho ou então pagando uma pequena fortuna por uma escola particular;

O cidadão defende-se de um sistema de segurança pública ruim se enquartelando em sua casa, comprando pitbull, contratando segurança privada ou eletrificando seu muro;

O cidadão defende-se da falta de áreas públicas de lazer comprando TV de plasma 42";

O cidadão defende-se da falta de condições de acesso a rica história, arquitetura e ao comércio variado das áreas centrais confinando-se nos shopping centers.

O cidadão defende-se de um sistema de transporte público ruim indo para a van, depois comprando uma moto e finalmente um carro. E isto nos leva aos insensatos congestionamentos;

É um pequeno resumo do viver nas cidades sem qualidade de vida.

Com isto, cada vez mais estamos nos segregando, nos tornamos menos sociáveis e, ao final das contas, menos cidadãos.

Será que isto não pode ser modificado?

Sérgio Gollnick

arquiteto e urbanista

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...