Mostrando postagens com marcador mediania. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mediania. Mostrar todas as postagens

9 de maio de 2008

Normose

NORMOSE
Entrevista do professor Hermógenes, 86 anos, sobre uma palavra inventada por ele que me pareceu muito procedente: ele disse que o ser
humano está sofrendo de normose, a doença de ser normal.
Todo mundo quer se encaixar num padrão. Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar.
O sujeito 'normal' é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Bebe socialmente, está de bem com a vida, não pode parecer de forma alguma que está passando por algum problema.
Quem não se 'normaliza', quem não se encaixa nesses padrões, acaba adoecendo.
A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento.
A pergunta a ser feita é: quem espera o quê de nós? Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas? Eles não existem.
Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado.

Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha 'presença' através de modelos
de comportamento amplamente divulgados. Só que não existe lei que obrigue você a ser
do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos. Melhor se preocupar em ser você mesmo.
A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa.
Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês?
Pesar quantos quilos até o verão chegar? Freqüentar terapeuta para bater papo?
Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias.
Um pouco de auto-estima basta.
Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim, aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo.
Criaram o seu 'normal' e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante.
O normal de cada um tem que ser original. Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros.
É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais. Eu simpatizo cada vez mais com aqueles que lutam para remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera.
Para mim são os verdadeiros normais, porque não conseguem colocar máscaras ou simular situações.
Se parecem sofrer, é porque estão sofrendo. E se estão sorrindo, é porque a alma lhes é iluminada.
Por isso divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes.
Principalmente mais felizes...

30 de novembro de 2007

A mediocridade e a mansidão


Ovídio dedicou o poema “Aura Mediocritas” a destacar e enaltecer a mediocridade, Horacio outro autor latino nas Odes, II, 10, 5, utilizou a mesma expressão, para indicar que uma farta mediania é a condição a todos preferida.

E definitivamente mais de 2000 anos depois, os pensamentos dos poetas latinos continuam vivos e atuais. Devemos ainda acrescentar na nossa sociedade, tanto a local, como a nacional, uma cultura para a mansidão, que cresce e se desenvolve a cada dia que passa, ligada intimamente a mediania.

Hoje praticamente ninguém se mexe para protestar contra o que quer que seja, uma minoria escreve cartas as seções de opinião dos jornais, alguns mais comprometidos, militantes de carteirinha, inclusive apóiam, um abaixo assinado, pela internet, sem sair da comodidade do seu lar o do seu escritório. Nem pensar em ser, mais ativistas, a maneira antiga, saindo as ruas, manifestando-se abertamente e pressionando políticos e dirigentes e mudar, a escutar a agir de acordo com os desejos da sociedade.

É nesta sociedade omissa em que impera a mediocridade, numa sociedade que perdeu a capacidade de expressar as suas opiniões. Que persegue ferozmente, aqueles que tem a ousadia, de opinar ou simplesmente aqueles, que tem posições divergentes ou simplesmente distintas.

A nossa cidade é hoje reflexo, como nunca antes, desta omissão generalizada, o que dá condições, para que de uma forma cada vez mais forte, o poder publico imponha, sem a menor negociação, a sua lei, sem precisar escutar a sociedade. Os projetos e propostas, apenas são debatidos, com as instituições representativas da sociedade organizada, convertidas ou em caixas de ressonância ou solenemente ignoradas pelos nossos administradores, quando minimamente divergentes.

Um exemplo interessante, é a forma, quase secreta, como esta sendo discutido o plano diretor de Joinville ou o orçamento municipal, importantes peças legais, que definirão as ações e planos do município para 2008, determinado, não só as obras, atividades e projetos que serão ou não implantados. Determinarão como será a Joinville dos próximos anos. No nível federal não é distinto, com um congresso e um senado que aprova 99 entre cada 100 projetos apresentados pelo executivo, sem praticamente nenhuma alteração, nem discussão, com a sociedade e com o contribuinte.

Reflexo, inequívoco da bovina mansidão, da omissão e da mediocridade que dia a dia nos envolve e governa.


Publicado no AN Cidade

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...