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1 de julho de 2012

Os dois infernos


Os dois infernos

A ideia que empresas e instituições públicas possam ser eficientes se me faz cada dia mais difícil de aceitar. A mistura de politicagem, legislação e incompetência formam um tripé formidável. Seria preciso uma tribo completa de heróis ou semideuses para se enfrentar e vencer a força inesgotável da burocracia.

Tampouco a maquina publica esta orientada e comprometida com a melhoria da eficiência, a redução de custos e o aumento da produtividade. As estruturas públicas se convertem num fim nelas mesmas. Preocupadas quase que exclusivamente em garantir a sua perenização e em criar a maior rede de proteção social e laboral que o dinheiro público possa pagar, até a exaustão das arcas publicas e a inviabilidade do modelo. O mesmo se repete de norte a sul do globo, de Europa e África do Sul, da Ásia a América meridional.

Se bem é verdade que não é uma exclusividade nacional, estamos desenvolvendo as técnicas mais avançadas neste campo, as nossas Câmaras de Vereadores, as nossas prefeituras e até o nosso judiciário criam a cada dia novas benesses, vantagens e sinecuras que só servem para empregar ou atender mais apaniguados e drenar a velocidade e com intensidade cada vez maior os recursos públicos.

A fabula que melhor mostra esta realidade é a dos dois infernos. Neste historia dois amigos falecem repentinamente com pouca diferença de tempo e ao chegar à porta do céu, são informados que o seu lugar é o inferno. Ao chegar lá, Lúcifer os estava esperando ansiosamente e lhes propõe a opção de escolher entre os vários tipos e opções que o inferno oferece, desde o inferno alemão, ao japonês, passando pelo brasileiro. Depois de explicar detalhadamente que o velho sistema de fogo e calor tinha sido substituído por um modelo mais sustentável e de menor consumo energético, que consiste em que cada hospede recebe religiosamente um balde de esterco fresco na cabeça duas vezes por dia, uma pela manha e a outra pela tarde. Os dois amigos preferem em função das suas origens étnicas escolher infernos diferentes, o de olhos azuis escolheu o inferno alemão, o outro preferiu o inferno brasileiro.


Passados alguns anos e para promover o intercambio de tecnologias e de conhecimentos entre os diversos modelos de infernos e poder avaliar o seu efeito sócio educativo se organizou um congresso reunindo todos os infernos. Os dois amigos se reencontram na fila para fazer as suas inscrições para o congresso e enquanto o que tinha escolhido o inferno alemão emitia um fedor e apresentava um estado geral lamentável, aquele que escolheu o inferno brasileiro estava alinhadíssimo com o seu terno de linho cru e estava pulcramente vestido e perfumado. O primeiro protesto com veemência frente a evidente discriminação e escutou do amigo que de fato os dois infernos seguem o mesmo ritual, dois baldes de esterco fresco por hospede e dia. Só que no seu caso, mesmo depois de tantos anos, ainda não tinha recebido o primeiro. Porque o dia que tinha balde, não tinha esterco, quando tinha esterco e balde, faltava o responsável pelo trabalho e esta situação se prolongava por anos a fio.

E fácil pressupor que a fabula pode ser adaptada a maioria de serviços públicos e retrata bem a situação de boa parte das repartições publicas.

Publicado no jornal A Noticia de Joinville  

23 de fevereiro de 2012

Os dois infernos (*)


Os dois infernos

A idéia que empresas públicas possam ser eficientes se me faz cada dia mais difícil de aceitar. A mistura de politicagem, legislação e incompetência formam um tripé formidável. Seria precisa uma tribo completa de heróis ou semideuses para se enfrentar e vencer a força inesgotável da burocracia. Imaginar que na nossa realidade o transporte público, a tratamento do esgoto, a recolhida do lixo e dezenas de outros serviços públicos possam ser mais bem prestados por empresas publicas eficientes, enxutas e focadas na busca de resultados é algo tão alucinante como os melhores filmes de ciência ficção em 3D.  Tampouco a maquina publica esta orientada e comprometida com a melhoria da eficiência, a redução de custos e o aumento da produtividade. As estruturas públicas se convertem num fim nelas mesmas. Preocupadas quase que exclusivamente em garantir a sua perenização e em criar a maior rede de proteção social e laboral que o dinheiro público possa pagar, até a exaustão das arcas publicas e a inviabilidade do modelo. O mesmo se repete de norte a sul do globo, de Europa e África do Sul, da Ásia a América meridional.

Se bem é verdade que não é uma exclusividade nacional, estamos desenvolvendo as técnicas mais avançadas neste campo, as nossas Câmara de vereadores, as nossas prefeituras e até o nosso judiciário criam a cada dia novas benesses, vantagens e sinecuras que só servem para empregar ou atender apaniguados e drenar a velocidade e com intensidade cada vez maior os recursos públicos.

A fabula que melhor mostra esta realidade é a dos dois infernos. Neste historia dois amigos falecem repentinamente com pouca diferença de tempo e ao chegar à porta do céu, são informados que o seu lugar é o inferno. Ao chegar lá, Lúcifer os estava esperando ansiosamente e lhes propõe a opção de escolher entre os vários tipos e opções que o inferno oferece, desde o inferno alemão, ao japonês, passando pelo brasileiro. Depois de explicar detalhadamente que o velho sistema de fogo e calor tinha sido substituído por um modelo mais sustentável e de menor consumo energético, que consiste em que cada hospede recebe religiosamente um balde de esterco fresco na cabeça duas vezes por dia, uma pela manha e a outra pela tarde. Os dois amigos preferem em função das suas origens étnicas escolher infernos diferentes, o de olhos azuis escolheu o inferno alemão, o outro preferiu o inferno brasileiro. Passados alguns anos e para promover o intercambio de tecnologias e de conhecimentos entre os diversos modelos de infernos e poder avaliar o seu efeito sócio educativo se organizou um congresso reunindo todos os infernos. Os dois amigos se reencontram na fila para fazer as suas inscrições para o congresso e enquanto o que tinha escolhido o inferno alemão emitia um fedor e apresentava um estado geral lamentável, aquele que escolheu o inferno brasileiro estava alinhadíssimo com o seu terno de linho cru e estava pulcramente vestido e perfumado. O primeiro protesto com veemência frente a evidente discriminação e escutou do amigo, que de fato os dois infernos seguem o mesmo ritual, dos baldes diários de esterco fresco por hospede e dia. Só que no seu caso, mesmo depois de tantos anos, ainda não tinha recebido o primeiro. Porque o dia que tinha balde, não tinha esterco, quando tinha esterco e balde faltava o responsável pelo trabalho e esta situação se prolongava por anos a fio.

E fácil pressupor que a fabula pode ser adaptada a maioria de serviços públicos e retrata bem a situação de boa parte de nossos serviços e repartições publicas.  

29 de fevereiro de 2008

Para descontrair um pouco e pensar muito



Um senador está andando tranqüilamente quando é atropelado e morre .
A alma dele chega ao Paraíso e dá de cara com São Pedro na entrada.
-'Bem-vindo ao Paraíso!'; diz São Pedro
-'Antes que você entre, há um probleminha.
Raramente vemos parlamentares por aqui, sabe, então não sabemos bem o que fazer com você.
-'Não vejo problema, é só me deixar entrar', diz o antigo senador.
-'Eu bem que gostaria, mas tenho ordens superiores. Vamos fazer o seguinte:
Você passa um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Aí, pode escolher onde quer passar a eternidade.
-'Não precisa, já resolvi. Quero ficar no Paraíso diz o senador.'
-'Desculpe, mas temos as nossas regras. '
Assim, São Pedro o acompanha até o elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno.
A porta se abre e ele se vê no meio de um lindo campo de golfe.
Ao fundo o clube onde estão todos os seus amigos e outros políticos com os quais havia trabalhado.
Todos muito felizes em traje social.
Ele é cumprimentado, abraçado e eles começam a falar sobre os
bons tempos em que ficaram ricos às custas do povo.
Jogam uma partida descontraída e depois comem lagosta e caviar.
Quem também está presente é o diabo, um cara muito amigável que
passa o tempo todo dançando e contando piadas.
Eles se divertem tanto que, antes que ele perceba, já é hora de ir embora.
Todos se despedem dele com abraços e acenam enquanto o elevador sobe.
Ele sobe, sobe, sobe e porta se abre outra vez. São Pedro está esperando por ele.
Agora é a vez de visitar o Paraíso.
Ele passa 24 horas junto a um grupo de almas contentes que andam de nuvem em nuvem, tocando harpas e cantando.
Tudo vai muito bem e, antes que ele perceba, o dia se acaba e São Pedro retorna.
-' E aí ? Você passou um dia no Inferno e um dia no Paraíso.
Agora escolha a sua casa eterna.' Ele pensa um minuto e responde:
-'Olha, eu nunca pensei .. O Paraíso é muito bom, mas eu acho que vou ficar melhor no Inferno.'
Então São Pedro o leva de volta ao elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno.
A porta abre e ele se vê no meio de um enorme terreno baldio cheio de lixo.
Ele vê todos os amigos com as roupas rasgadas e sujas catando o entulho e colocando em sacos pretos.
O diabo vai ao seu encontro e passa o braço pelo ombro do senador.
-' Não estou entendendo', - gagueja o senador - 'Ontem mesmo eu estive aqui e havia um campo de golfe, um clube, lagosta, caviar, e nós dançamos e nos divertimos o tempo todo. Agora só vejo esse fim de mundo cheio de lixo e meus amigos arrasados!!!'
O diabo olha pra ele, sorri ironicamente e diz:
-'Ontem estávamos em campanha.
Agora, já conseguimos o seu voto...'
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