| Presidente Paul Kagame participando do umuganda |
| Embaixador chines participando do umuganda em Rusiga, Kigali |
| Presidente Paul Kagame participando do umuganda |
| Embaixador chines participando do umuganda em Rusiga, Kigali |


A militarização da sociedade
Não me refiro aqui ao fato do exercito ser usado para garantir a segurança de empreiteiras privadas nas favelas do Rio. Estou me referindo ao avanço das corporações militares sobre atividades de defesa civil, que na maioria de paises, são desempenhadas por instituições civis.
Que paramedicos, bombeiros e guarda-vidas recebam formação militar, incluindo ordem-unida, uso de armas de fogo e técnicas de defesa pessoal, é antes que nada uma perigosa distorção. A sociedade civil deve ser capaz de se defender dos desastres naturais, enchentes, dos incêndios provocados ou não, de atender as vitimas dos acidentes de transito e tantas outras atividades que estão incluídas no que se chama defesa civil.
Hoje soldados e oficiais das policias militares, depois de anos de formação especifica, passam a se dedicar a funções que não deveriam ser da sua competência. O que é pior ocupam espaços tradicionalmente atendidos pela sociedade civil organizada, em geral com custos maiores e menos eficiência. De forma corporativista esta se impondo uma militarização da sociedade e ainda gerando desatendimento as que são as que devem ser as suas principais obrigações constitucionais, por não dispor de efetivos e orçamento adequados para desempenhar todas as missões em que tem se envolvido.
É perigoso, enfraquece a sociedade civil e transfere para esta sociedade militarizada papeis e responsabilidades que a afasta das suas obrigações responsabilidades especificas.
A ninguém escapa, que para a Policia Militar é mais interessante, em todos os sentidos, apagar fogo, atender feridos de acidentes de transito ou salvar vidas nas nossas costas e praias, que realizar funciones de vigilância ostensiva em ruas, praças e locais públicos. Perseguir marginais e contribuir para a redução da violência urbana.
Na maioria dos paises mais desenvolvidos que o nosso e em muitos outros que não tem o mesmo grau de desenvolvimento, a Cruz Vermelha, Crescente Vermelho ou Estrela Vermelha, dependendo dos paises e das religiões, a Defesa Civil e os Bombeiros Voluntários, são não só instituições civis, voluntárias ou profissionalizadas, de acordo com os casos. Reconhecidas e respeitadas pela sociedade e que contam com importante apoio do estado. São os principais responsáveis pela defesa civil, sem que se estabeleça uma situação de subserviência, com relação às unidades de policia militar.
Este perigoso desequilíbrio, esta começando a custar caro ao estado e representara cada vez mais um fardo mais e mais pesado para a nossa sociedade.

No dicionário a primeira acepção de solidário é “Que responsabiliza cada um de muitos devedores pelo pagamento total de uma dívida” só a ultima é “Que partilha o sofrimento alheio, ou se propõe mitigá-lo”. É sobre esta solidariedade que gostaria de escrever.
Joinville tem no seu intimo, um forte espírito solidário. Que surpreende ao forasteiro, é muito possível que tenha iniciado, nos primórdios da colônia, quando as famílias precisavam se ajudar, partilhando o sofrimento, para fazer frente as enormes dificuldades e desafios que precisavam enfrentar. Nada tem de extraordinário que naquela época, frente às dificuldades externas prospera se um forte espírito de solidariedade e de apoio.
O extraordinário, a diferença esta, na permanência nos dias de hoje, de um sentimento tão forte, de apoio, de compaixão e de ajuda a quem precisa. É este um dos aspectos que mais marcam na Joinville de hoje. No meio deste materialismo e rodeados cada vez mais pelo egoísmo e pelo mercantilismo, Joinville constrói um futuro diferente, baseado na força da comunidade, no abraço solidário, na força das pessoas.
É esta Joinville, que cresce a partir da iniciativa das associações e das entidades que formam a AJOS, de novo um exemplo a seguir, todas unidas em prol de um objetivo maior. É esta Joinville que contribui com o seu bem mais precioso, o abraço, a mão amiga, o prato quente, o agasalho que combate o frio. Que se doa, que abre mão, inclusive, do convívio familiar, de minutos, às vezes horas, de tempo dedicado ao próximo. É nesta Joinville que devemos acreditar.
A cidade que, sem esperar a presença e o apoio oficial, arregaça as mangas e põe mãos a obra. Esta Joinville, infatigável, inquebrantável, que se desdobra a cada dia, que move montanhas, que não dorme, que não descansa.
A Joinville dos Bombeiros Voluntários, do Lar Abdon Batista, da Mãe Abigail, da Ação Social, da Vila Vicentina, de tantos outros heróis e heroínas solidárias. Que tecem um amanha melhor e fazem com o seu trabalho a diferença.
Publicado no AN Cidade
O Abrigo Animal é uma destas instituições que fazem a diferença, surgiu pela falta da prestação do serviço de retirar das vias publicas e atender os animais abandonados e maltratados, um caso de segurança e de saúde publica. Uma obrigação do poder publico. Um grupo de voluntários e voluntárias tomou a iniciativa de recolher, atender, recuperar, alimentar e ainda dar carinho, encaminhando se possível a um lar, aqueles animais, que resultado do abandono dos seus donos, ou as vezes inclusive, resultado da própria irresponsabilidade de uns e outros.
Os animais, abandonados em áreas urbanas, representam um flagrante perigo para a população, porque alem de poder transmitir doenças, podem atacar e ocasionar problemas a população.
Nada por tanto, mais lógico que o poder publico, através da Secretaria de Saúde, e do centro do controle de zoonoses cumpra a sua obrigação, de recolher e dar um destino adequado a estes animais. Nada melhor que a não tendo capacidade, estrutura ou competência para fazê-lo, passe a apoiar instituições voluntárias da sociedade organizada, que tenham como objetivo, suprir as deficiências e omissões do próprio poder publico.
Agora que o valor repassado seja de menos de 25 % do custo total, obriga a sociedade a arcar com uma parcela excessivamente grande do total, alem do trabalho voluntário e não remunerado, e que este valor não cubra as despesas operacionais, mais elementares é um descaso e deve nos levar e refletir seriamente, sobre o papel de um estado que arrecada e muito, e alega não ter recursos para apoiar aquelas instituições, que como o Abrigo Animal, estão assumindo e fazendo, com extrema competência, o que a própria administração municipal deveria fazer, por obrigação.
Será que não enxergamos que é mais barato e melhor, quando a sociedade faz e o governo apóia, e quando o governo deixa de apoiar mesmo com recursos mínimos, terá que assumir todos os ônus? E será mais caro para todos?
Será que é tão difícil enxergar que a comunidade cresce quando a sociedade organizada e o poder publico trabalham em parceria, e que quando a sociedade percebe que o poder publico, só busca se aproveitar do trabalho voluntário e do espírito solidário , acaba se afastando e com isto todos perdemos, inclusive você.
Publicado no AN Cidade