4 de janeiro de 2019
A água da torneira
22 de março de 2011
31 de julho de 2010
17 de fevereiro de 2010
A transposição do Rio Cachoeira

Quando o Rio Cachoeira começou a sofrer a ameaça da perda do caudal, e a conseqüente redução da sua calha, como resultado da ocupação desordenada das suas margens, da canalização e tubulação dos seus afluentes, inclusive da construção de prédios sobre os córregos e todo tipo de outras agressões, foi preciso achar solução para este risco ambiental.
Em quanto se elaboram projetos complexos e sofisticados, para permitir a transposição de rios em todo o pais, aqui ao longo de anos um grupo de pesquisadores e técnicos desenvolveu uma solução viável e pratica para salvar o rio. O projeto de transposição das águas dos rios Cubatão e Pirai para o rio Cachoeira é um dos grandes feitos da nossa engenharia. O projeto tem sido pouco divulgado e os verdadeiros heróis desta magnífica empreitada podem permanecer anônimos se não assumimos um trabalho de recuperação histórica.
O projeto consiste numa solução criativa, simples e de baixo custo. As águas dos dois mananciais de Joinville, os Rios Pirai e Cubatão, este ultimo ainda complementado pelas do rio Quiriri, são transferidas graças a um complexo sistema de bombas possantes, para a bacia do Rio Cachoeira. Todos os dias milhões de metros cubicos de água cristalina são transportados a traves de centenas de kilometros de tubulações a cada uma das residências, comércios e industrias de Joinville e depois de cumprida a sua missão, são devolvidas ao Rio Cachoeira, que ganha um caudal revigorado em volume e em riqueza de nutrientes.
As águas fertilizadas, por toneladas de esgoto domestico, dão uma nova vida ao rio, ricas em nutrientes atraem de volta as tainhas, inclusive jacarés, capivaras e outros animais silvestres vicejam nas suas margens. De uma única tacada conseguimos que o rio não fique sem água e devolvemos o seu caudal original, muitas vezes aumentado pela contribuição de milhares de moradores que com a sua contribuição fazem parte desta historia.
Esta engenhosa iniciativa tem um mínimo custo ambiental, Representa para o Cachoeira uma merma da qualidade da água, porque a água da transposição volta acrescentada de nutrientes orgânicos e outros componentes inclusive inorgânicos, que reduzem a transparência, mas agregam uma sólida consistência ao liquido e lhe conferem um elevado teor de riqueza que poderia inclusive ser melhor explorado e aproveitado.
Agora com a possível implantação da rede de esgoto, uma nova ameaça ronda o Rio Cachoeira, que corre risco de secar se deixa de receber a sua dose diaria de esgoto.
Publicado no jornal A Noticia
16 de abril de 2009
Historias do Código Ambiental
Debater temas ambientais desperta paixões e leva uns e outros a perder o seu bem mais precioso, o bom senso.
Um empresário de Joinville investiu na compra de uma linda chácara na região do Pirai, entusiasmado com o bucolismo do local, construiu no local uma casa de final de semana. Homem responsável e comprometido com o meio ambiente, buscou madeira de demolição para a obra, percorreu depósitos de material de construção e conseguiu também tijolos antigos, destas casas que agora todos estão demolindo em Joinville, para evitar que sejam tombadas. Achou inclusive uma olaria que faz ainda telha plana, para conseguir um melhor resultado. Depois de um bom dinheiro e muito esforço a casa ficou pronta.
Satisfeito com o resultado e escutando os palpites dos amigos imaginou, que nada melhor que construir um deck em volta da casa e ainda acrescentar uma lagoa. O resultado final com a pequena lagoa em volta, superou em muito a proposta original, o custo extrapolou, mas a beleza compensou todo o esforço.
Apreciador das coisas bem feitas, pediu vistoria da obra para poder averbar a construção no registro de imóveis e quando o fiscal chegou, com um sorriso amarelo propôs:
- Vamos fazer de conta que eu não estive aqui. Porque como tem uma lagoa o senhor tem que deixar
Em atenção e respeito as crianças que possam vir a ler este texto, vamos poupar os comentários que o bom homem proferiu.
Para se adequar a lei, a lagoa foi aterrada. A obra vistoriada, a lei cumprida.
Pouco tempo depois a fada da terraplenagem visitou o local e consternada com a tristeza do bom homem, construiu, numa unica noite, com a ajuda dos gnomos da floresta e outros seres mitológicos como os ecologistas com bom senso, uma nova lagoa, maior, mais profunda e cheia de peixes, para que o bom homem pudesse pescar desde a varanda da sua casa. E todos viveram felizes para sempre.
Publicado no Jornal A Noticia
10 de abril de 2009
O Aumento da conta de água
Parece incrível a capacidade que esta administração municipal tem de fazer as leituras erradas e se envolver num turbilhão de criticas e comentários que poderiam ser até elogios se a estratégia mudasse de foco.
A discussão da tarifa de água é hoje um debate político, que esta sendo utilizado muito melhor pela ferrenha oposição que a administração do PT há conseguido aglutinar e a que alimenta a diário com a sua falta de ação e principalmente de visão.
Numa cidade que tem um saneamento africano, não existe espaço para reduzir o preço da água, o problema principal que Joinville enfrenta hoje é o da falta de saneamento, o foco agora e o esgoto e deverá ser enfrentado com urgência.
A partir da municipalização do serviço, duas situações convivem em Joinville, a primeira é que não tem faltado água, os rodízios formam parte do passado, o dinheiro que era drenado de Joinville e transferido para Florianópolis ou que era utilizado no chamado subsídio cruzado, em nome de manter a tarifa em outros municípios menores. Retirava recursos de Joinville que agora passaram a estar disponiveis para novos investimentos. A segunda permitiu comprobar uma vez mais que uma empresa municipal pode ser tão ineficiente ou politiqueira quanto uma estadual ou federal, ou que a utilização política de Companhia Águas de Joinville alcançou um nível equivalente ao que era habitual na tristemente famosa Casan.
A Companhia Águas de Joinville tem em caixa 37 milhões de reais, depois de ter distribuido 10 milhões e meio de Reais em dividendos, todos eles canalizados para o caixa da prefeitura, o que pode ser visto como algo positivo e elogiável, porem evidencia uma distorção do objetivo da empresa, que deixou de investir em saneamento basico, com a conivência da Amae, que como agencia reguladora, deveria ter estabelecido metas para a expansão da rede de esgoto, sem apoiar e permitir experiências custosas e de resultados duvidosos, como o malfadado Flotflux. Para ficar guardando dinheiro no colchão.
Uma empresa municipal, pode e deve ter lucro, a diferencia é qual será o destino deste seu lucro. Si se devem destinar a pagar a ampliação da Arena Joinville, ou do Boulevard Cachoeira, ou utilizar os recursos para melhorar e ampliar a rede de esgoto e a melhorar a eficiência do fornecimento atual é futuro. Entendo que este deveria ser o tema a ser debatido com a sociedade, reduzir o debate ao valor da tarifa é pura demagogia de palanque.

