16 de outubro de 2011
3 de maio de 2011
Lógica esdrúxula (*)
Lógica esdrúxula
Que o poder público utiliza processos lógicos diferentes dos da maioria da sociedade não é novidade. Que pessoas, até então, inteligentes e sensatas, ao assumir cargos públicos ficam acometidos de estados quase permanentes de idiotia, não é segredo. Também é verdade que esta administração municipal não detém a exclusividade neste quesito e pode se espelhar nas anteriores, mas a preponderância das sinapses esdrúxulas é uma constante.
Um exemplo interessante é o Plano Diretor de Macro Drenagem e Recursos Hídricos. trabalho impecável, embasado, com estudos consistentes e estimativas de valores condizentes com a grandiosidade das obras e investimentos previstos. Certo? Não, errado.Por que errado? Façamos uma abordagem lógica de uma parte dele, que podemos facilmente utilizar como modelo.
O Ribeirão Mathias, na chegada dos colonizadores, na opinião de alguns os culpados de tudo, o ribeirão era a fonte de água potável para a incipiente colônia e servia de drenagem natural da água de chuva. Aos poucos o Mathias foi sendo ocupado e virou local de despejo de águas residuais. O passo seguinte foi buscar a água do Rio Pirai e foi neste momento do nosso passado, algum gênio, com certeza herdeiro histórico dos colonizadores, teve a idéia brilhante de cobrir este ribeirão e muitos outros, em nome do lucro fácil, e completo a obra autorizando a construção de prédios sobre as lajes. Feito o negocio privado e comprometido o escoamento natural do vale.
A solução, como não poderia ser outra, construir um novo Ribeirão Mathias, sob a Rua Otto Bohem. O custo? Uma pequena fortuna, inexistente no permanentemente exaurido caixa da prefeitura, e que evidentemente será costeado e socializado entre todos. A lógica que permeia a proposta é a de que será mantido o atual modelo de ocupação urbana, e que para isto, será preciso fazer grandes obras de infra-estrutura em áreas que hoje nem estão sendo ocupadas. O adequado, mas simples e mais econômico, seria não ocupar estas áreas. Porem esta possibilidade nem sequer transita pelos ermos ideários do planejamento urbano local.
A pergunta que fica é: Vamos a continuar avançando e ocupando as bacias do Pirai e do Cubatão, cobrindo rios e córregos, ocupando as suas margens, fazendo deles canais de esgoto, fechando as drenagens naturais, para poder depois elaborar vistosos projetos de engenharia, com orçamentos fabulosos que inexistem. Ou vamos começar de vez a deixar de fazer bobagens e planejar um futuro sustentável para Joinville?
2 de março de 2011
Obras de Macrodragagem
Como Joinville pretende construir galerias subterrâneas para facilitar a macrodragagem das áreas alagáveis, é interessante que se conheçam modelos de obras semelhantes e que a cidade possa fazer um benchmarking com algumas das cidades referencia no tema.
Tóquio, no Japão, situada as margens da baía do mesmo nome é um bom exemplo. Os nossos técnicos poderiam inclusive visitar “in loco” as galerias japonesas e adaptá-las aos padrões locais.
O subsolo de Tóquio alberga uma fantástica estrutura cujo aspecto se assemelha ao cenário de um jogo de computador ou a um templo de uma civilização remota. Cinco poços de 32 m de diâmetro por 65 m de profundidade interligados por 64 Km de túneis formam um colossal sistema de drenagem de águas pluviais destinado a impedir a inundação da cidade durante a época das chuvas.

A dimensão deste complexo subterrâneo desafia toda a imaginação. É uma obra de engenharia sofisticadíssima realizada em betão, situada 50 m abaixo do solo, fato extraordinário num país constantemente sujeito a abalos sísmicos e onde quase todas as infraestruturas são aéreas.
A sua função é não apenas acumular as águas pluviais como também evacuá-las em direcção a um rio, caso seja necessário.
Para isso dispõe de 14.000 Hp de turbinas capazes de bombear cerca de 200 t de água por segundo para o exterior.
1 de março de 2011
Perversidade (*)
Perversidade
É perverso, que de novo tenhamos que pagar todos, inclusive se cogita a criação de uma taxa especifica para isto,para executar as grandes obras de macro drenagem necessárias para corrigir a falta de planejamento e a ocupação privada de rios e córregos.
O lucro da ocupação dos fundos de vale foi privado, os prejuízos da ocupação são públicos. Não que seja nenhuma novidade, mas que é perverso é. Mais ainda quando o poder público continua estimulando o avanço da cidade sobre estas áreas e continua autorizando construções sobre galerias e cobrindo rios.
O mesmo poder público, que mostra celeridade inusual para modificar o zoneamento para adensar mais e verticalizar mais alto, é lento e preguiçoso para mudar as leis que permitem que os erros do passado se perpetuem e não toma nenhuma atitude, em parte porque não tem noção do que fazer. Este jeito balofo de agir, custa caro e exige recursos que não existem. Empurrar os problemas com a barriga tem sido uma constante. Importante e meritório que Joinville passe a dispor de um diagnostico preciso sobre a situação e as carências em macrodrenagem.
Concentrar a solução na construção de grandes obras publicas, que dependem de recursos externos ao município é a mesma coisa que dizer ao doente, que sabemos o que tem, conhecemos bem a doença, só tem um remédio e que lamentavelmente ele não poderá pagar por ele. A menos que a tia Dilma ajude com os recursos do PAC 27, o que alias é pouco provável.




