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23 de maio de 2010

Atravesar a rua é um desafio


O jornal A Noticia, tem divulgado os riscos que os pedestres de Joinville enfrentam para atravessar as ruas, em alguns cruzamentos os pedestres dispõem de escassos 9 segundos de tempo.

O jornal Folha de São Paulo, neste domingo, informa dos problemas que também os pedestres de São Paulo enfrentam, a Folha acrescenta algumas informações, que não tem estado disponíveis para os leitores do A Noticia.

Algumas informações úteis, que poderiam permitir ações concretas para aumentar a segurança dos pedestres. O tempo médio nos cruzamentos com sinaleiros é de 15 segundos, bem mais que os 9 segundos de alguns cruzamentos em Joinville. Curioso que o jornal FSP destaca que também em São Paulo tem cruzamentos com 9 segundos.

Os tempos calculados em estudos de tráfego mudam:

São Paulo - CET - 1,2 metros por segundo, como a velocidade do pedestre
Nova York - calcula de 1,29 a 1,37 m/s
Espanha - calcula de 1,3 a 1,5 m/s para pessoas com mais de 55 anos.

Na medida que os órgãos de transito municipais não parecem priorizar os pedestres e menos ainda os idosos, algum dos nossos vereadores poderia pospor um projeto de lei, que garantisse o tempo mínimo para aumentar a segurança dos pedestres nos cruzamentos da cidade.

9 de abril de 2008

Caos anunciado


Existe na sociedade um sentimento que o setor publico não se destaca por priorizar na escolha das suas propostas, a genialidade, a ousadia ou a criatividade. Por isto as soluções que surgem dos órgãos de planejamento urbano em geral estão mais perto do previsível, do possível, na maioria dos casos as propostas transpiram opacidade.

As nossas cidades, e Joinville esta na media, começam a se ressentir desta falta de brilhantismo, de audácia e começam antes do que deveriam a ter que assumir o custo desta mediocridade.

Porém às vezes somos surpreendidos pela genialidade, pelo inusitado. Quando se autoriza a construção de um hospital 26.000 m2, com consultórios, área administrativa e demais serviços necessários ao seu funcionamento numa das ruas mais movimentadas de Joinville, que já apresenta hoje sérios problemas de fluidez de transito durante a maior parte do dia. Devemos reconhecer que é uma decisão ousada, pode não ser brilhante, mas é audaciosa.

Permitir a implantação de pólos geradores de tráfego, em areas ja congestionadas da cidade, sem a realização do estudo de impacto de vizinhança, é um contra-senso imperdoável, uma atitude irresponsável.

Este tipo de decisões, levam a prever, que o futuro proximo de Joinville será bem menos fluido e mais caótico e que a nossa qualidade de vida regredira um passo mais.

É absolutamente necessário que para autorizar a implantação de novos empreendimentos, que apresentem alto potencial de geração de tráfego ou possam impactar o entorno urbano sejam feitos os imprescindíveis estudos de impacto de vizinhança, que servirão para poder antecipar o impacto, seja positivo ou negativo, que cada novo pólo representara para a cidade, os custos que gerará e como deverão ser cobertos pelo empreendedor.

Que não abunde a genialidade, não é um problema insolúvel, agora que nem o bom senso seja tomado em conta, é grave e nos conduz de uma forma firme e constante na direção de uma cidade desorganizada e caótica.

Como o caos já esta anunciado desde hoje, não será nenhuma surpresa quando chegue e passe a fazer parte do nosso quotidiano.

21 de março de 2008

Transito ou Trafego


Na medida que o blog Comentarios de Joinville, vai sendo mais conhecido, um maior numero de pessoas colocam as suas opiniões para que possam ser objeto de discussão pela sociedade. A participação de todos, mesmo desde pontos de vista divergentes, ajuda a construir uma visão plural e participativa, afastada do imperialismo autocrático, do nosso poder publico municipal, que a cada dia fica um passo mais afastado da sociedade a quem deveria servir.
O texto do arquiteto Arno Kuhmlhen, desperta a reflexão sobre o tipo de cidade que queremos a partir da discussão de um tema pulsante a atual, o crescimento desproporcional e descontrolado dos problemas inerentes ao transito das cidades, entre as que devemos considerar a nossa.
A falta de uma visão estratégica para a Joinville, por parte dos órgãos publicos de planejamento e a implantação de propostas parciais e capengas, fazem que a cada dia nos afastemos mais da cidade ideal possível, para avançar num modelo anarquico de desenvolvimento urbano, em que parece que o governo perdeu faz tempo o controle e o foco.

Os municípios brasileiros têm muito a aprender com os problemas de transito da cidade de São Paulo. Oportunidades para mudar ou melhorar o amanhã existem, e estão nas mãos dos usuários das cidades.

Uma das formas é acompanhar a elaboração dos novos Planos Diretores, obrigadas às cidades que são pela Lei n° 10.257/01, que no ritmo de congestionamento tramita pela maioria das casas legislativas municipais brasileiras, sem por parte delas, pelo executivo e pela sociedade civil receber sua devida importância. O Plano Diretor é o instrumento político de desenvolvimento da cidade, e orienta a construção e as oportunidades contidas no espaço urbano, visando melhorar as condições de vida da população.

Devemos ficar atentos aos modelos que por ventura sejam adotados em suas diretrizes, que irão afetar a vida futura dessa cidade, no que tange ao uso e ocupações de solo e consequentemente ao sistema viário e transporte, meio ambiente e sustentabilidade, saúde, etc... A cidade passa a ser refém da nova lei, ou aos interesses nela inscritos, na maioria das vezes, não visíveis nos textos tecnico legais, como fossem letras minúsculas de contratos que ninguém lê. Exemplo dessa observação está na priorização que a sociedade fez em favor do transporte individual em detrimento ao transporte coletivo que apresenta como resultado os milhões de reais que se perdem nos congestionamentos, pelo consumo de matriz energética, perda de produtividade e tempo livre.

A segunda forma se avizinha, os pleitos municipais nos darão ótima oportunidade para avaliarmos os programas de governo, que devem conter propostas de soluções para problemas da cidade, inclusive o problema de circulação viária, programas estes, que deveria ser transformado em contrato entre cidadão e governante eleito, com valor para cobrança judicial.

Devemos continuar nos perguntando que cidade queremos, ou que tipo de sociedade somos, para permitir que tudo seja levado dessa forma em que não vislumbramos em curto prazo solução, e, portanto vamos deixando passar.

Arno Kumlehn
Arquiteto e Urbanista

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