25 de novembro de 2011

Os conformistas (*)


Os conformistas

Nada a ver com o protagonista do filme de Bernardo Bertolucci e roteiro de Alberto Moravia, os conformistas estão hoje por todos os lados. Invadem-nos e nos envolvem com sua atitude passiva, com o seu conformismo frente a todo. Tolamente se alegram e fazem algaravia por qualquer coisa menor, como se fosse um grande acontecimento e merecesse todo este barulho.

Os conformistas são esta gente que se satisfaz com pouco, algumas vezes ficam contentes com nada, enchem os seus espíritos vazios de ar, de pura empulhação, que os alimenta e nutre. Acreditam em palavras vazias, imaginam que porque algum político diz que vai inaugurar isto ou aquilo, em determinada data, aquilo é uma verdade absoluta. Ignorando, no seu conformismo, que nem o próprio político acredita no que afirma. Os conformistas são como um lastro que não nos deixa avançar, nos mantém presos a nossa mediocridade provinciana e nos impede de sonhar e de ir alem. Querem nos convencer que estamos muito bem, que vivemos na melhor cidade de Santa Catarina, no melhor estado do país e no melhor país do mundo. Que os dados do censo mostrem que as desigualdades subsistem, que as diferenças entre os mais ricos e os mais pobres aumentam, que o salário médio é baixo. Os conformistas querem que mantenhamos uma venda sobre os olhos, que não possamos enxergar como as coisas poderiam ser, e que não nos rebelemos contra a situação que aqui esta.

Alguns são conformistas, porque não conhecem outra realidade e acreditam piamente que vivemos no melhor dos mundos, outros levam o seu conformismo ao extremo de imaginar que isto é o melhor a que podemos aspirar e que mesmo sabendo que existem alternativas melhores que a nossa, elas estão fora do nosso alcance, ou porque não as merecemos ou porque somos incapazes de atingi-la. E acabam ficando fora do nosso alcance. Como na fabula de Esopo em que uma raposa morta de fome vê uma parreira carregada de cachos de uva, intento alcançá-la e depois de árduos intentos desistiu alegando que as uvas estavam verdes.

Fazer do conformismo uma corrente que nos prende a mediocridade é condenar-nos a permanecer servis, a não avançar, a não sonhar, a aceitar como boas soluções medianas, remendos de solução, é um castigo injusto e desproporcional para uma cidade que merece mais e aspira a um futuro melhor, que já foi altiva, orgulhosa e exemplo, e que hoje insiste em conformar-se com pouco ou com muito pouco. A única solução é enfrentar este conformismo capacho, mantendo-nos firmes e indômitos.  

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