17 de junho de 2014

O risco e a incerteza

POR JORDI CASTAN

Vez por outra os posts deste espaço têm como tema a administração pública, a sua forma de funcionar ou de não fazê-lo com a eficiência que, como contribuintes e cidadãos, gostaríamos.

Boa parte das críticas se dirigem à figura do prefeito. Ter focado a sua campanha eleitoral na imagem de gestor e num suposto conhecimento dos problemas da saúde faz com que as cobranças e criticas sejam mais veementes agora. É parte do preço a pagar por haver criado expectativas maiores que as que poderia atender. Para complicar um pouco mais as coisas para o seu  lado, o prefeito repetiu como um mantra durante toda a campanha e mesmo depois de eleito que o problema não era falta de dinheiro e sim falta de gestão. Há dezenas de vídeos por aí que provam o como é perigoso falar sem conhecimento do que não se sabe em profundidade.

A pergunta que muitos nos fazemos, e que gostaria de compartir com os leitores é: por que a qualidade das decisões do poder publico é tão ruim? Não há um único tema que nos permita dizer ter sido bem conduzido do início ao fim. O joinvilense já sabe que as obras não serão entregues no prazo, que o orçamento vai estourar, que a qualidade final não será a melhor, que o processo será judicializado, que as ruas estão ficando às escuras, que a pintura das faixas de pedestres não dura um ano escolar, que faltou prever isso ou aquilo. E, o que é pior, que não só ninguém será punido ou responsabilizado, nem tampouco nenhuma autoridade assumirá um pedido publico de desculpas pela sua incompetência. Como se a incompetência fosse algo inerente à coisa pública e fosse “normal” ou aceitável que seja assim.

Me ocorre que parte do problema se centra no processo de tomada de decisão dos gestores públicos. Há uma diferença sensível entre correr riscos e não ter certeza. Qualquer pessoa toma decisões constantemente. Executivos e autoridades em cargos de primeiro escalão são chamados a tomar um maior número de decisões da maior responsabilidade e, por isso, suas decisões têm uma maior relevância e seus erros ficam mais em evidência.

Podemos dividir o processo de tomada de decisão em três categorias:

Sabemos os resultados da nossa ação – Este é o caso mais fácil. Se aperto o botão do elevador o elevador se movimentará. Se coloco a chave certa na fechadura correta a porta se abrirá.

Não sabemos os resultados, porém conhecemos as probabilidades - Neste caso o risco está presente. Se for jogar a um cassino, antes mesmo de colocar um pé nele ou de sentar na mesa de jogo sabemos que há possibilidades de ganhar ou de perder. Portanto ninguém se surpreenderá com o resultado.

Não sabemos nem o resultado, nem as probabilidades – Isso é incerteza e a incerteza nos faz ignorantes, porque não sabemos o que pode acontecer.

Tanto na vida cotidiana como no poder público,  como é a nossa administração municipal - e neste momento me atrevo a dizer que no caso que nos ocupa -, os tomadores de decisão não podem deixar o prefeito sozinho com esse abacaxi. Acreditam que estão tomando as suas decisões baseados na segunda hipótese, quando os resultados mostram que estão decidindo pela terceira.

É justamente a ignorância que faz que as decisões tomadas acreditando que se conhecem todas as probabilidades ou alternativas, sejam na realidade um salto no escuro e os resultados sejam completamente imprevisíveis.

Um bom indicador de quanto há de ignorância na tomada de decisão é olhar um pouco atrás, ler alguns jornais velhos e ver com que frequência o que aconteceu é completamente diferente do que tinha sido previsto. Mantendo o foco na gestão sambaquiana, vamos pôr o foco em alguns casos: 

Os recursos transferidos ao CDL para organizar o Natal Luz e que hoje estão pendentes de um processo no TCE (Tribunal de Contas do Estado);


O caso do Crematório em que alguém acreditou que poderia descumprir a lei autorizando um empreendimento sem seguir todos os passos do processo legal (hoje o crematório continua sem poder funcionar); 


Os parques da cidade são casos anedóticos, nunca se concluem no prazo e dentro do custo.


Continuamos? Não há melhor exemplo que o da LOT. Quantas vezes o poder público tem obviado as diferentes alternativas possíveis e insistido em buscar atalhos que tem se convertido numa sequência interminável de quebra-cabeças. A licitação do estacionamento rotativo ou a manutenção da iluminação pública, ou....ou... é só ir acrescentando.


Vivemos em uma sociedade preparada para a segunda hipótese, a do risco, pois correr riscos calculados  faz parte do dia a dia de qualquer administrador que toma suas decisões baseado nas probabilidades. Mas vivemos uma realidade muito mais próxima da terceira hipótese a de que ignoramos e mesmo assim decidimos correr riscos, o resultado esta aí à vista de todos.

3 de junho de 2014

As sessões ordinárias

Estão cada dia mais ordinárias as sessões ordinárias da Câmara de Vereadores de Joinville. E sobre as extraordinárias, melhor não opinar.

19 de maio de 2014

O Prefeito Udo Dohler no A Notícia





Entrevista do prefeito Udo Dohler no AN

Fiquei surpreso com as queixas e lamentações do Prefeito Udo Dohler na entrevista concedida ao jornalista Claudio Loetz neste jornal A Notícia. Fica difícil acreditar que o prefeito não soubesse o que teria que enfrentar? Se de fato foi surpreendido pelo que encontrou evidencia um despreparo incompatível com a imagem que vendeu ao eleitor durante a campanha. Para alguém que se preparou tanto e durante tempo e que desejou tanto ser prefeito de Joinville faltaram na entrevista propostas e sobraram justificativas e distribuição de culpa a terceiros. O prefeito mostrou para o leitor a imagem de um capitão de navio sem rumo, perdido na neblina e atolado no lodo do mangue, o preocupante é que o navio que pilota seja a cidade de Joinville. E que transcorrido um terço do seu governo não pareça que tenha uma ideia clara de como por Joinville nos trilhos do futuro.
Quem quer e sabe fazer acha o jeito de fazer, quem não acha as escusas para justificar porque não o fez. No jornal há três paginas de escusas  

6 de maio de 2014

Estacionamento rotativo e o rebaixo do meio fio


A Joinville dos contrastes e dos contrassensos continua sem licitar o estacionamento rotativo, e la se vão outros tantos meses. O pior é que ninguém parece muito preocupado. Más línguas dizem que não há interesse em licitar para desestimular o uso do carro no centro. O objetivo é incentivar o uso do transporte coletivo.  Há também quem acha que daqui a nada nem será necessário o estacionamento rotativo, com todos os meio fios da cidade rebaixados, não será só o passeio o que desaparecerá, tampouco teremos estacionamento ao longo do meio fio. Sem meio fio o estacionamento desaparecerá também.

Joinville não deveria disputar mais o titulo de Capital da Dança, ou da Cidade das Bicicletas, nem da Cidade das Flores, Joinville tem tudo para ser declarada pela Unesco a capital mundial da Lei de Murphy, a popular lei da administração que diz num dos seus artigos que não há nada tão ruim que não possa piorar. Nesse quesito Joinville esta sempre superando-se. Quando parece que atingimos o fundo do poço, descobrimos que o fundo esta muito mais embaixo. Um dia é o estacionamento rotativo, no seguinte é um projeto de lei absurdo que privilegia o automóvel ao pedestre e é aprovado sem maior debate e sancionado com rapidez pelo prefeito que veio para mudar a cidade e foi mudado pela velha política de sempre. Depois são as obras que não terminam, o dinheiro que nunca chega ou as licitações que nunca ficam prontas ou nunca saem no prazo. Sem esquecer-se da sucessão de novos erros e patifarias com que somos surpreendidos a cada dia.


A lei que permite o rebaixo do meio fio é uma excrescência urbana, atenta para o bom senso e vá contra todos os princípios de uma cidade com maior qualidade para os pedestres, em quanto o mundo já acordou para qual é o lugar que o automóvel deve ocupar nas cidades do futuro, aqui ainda estamos indo na contramão, achando que o automóvel deve ser priorizado pelo planejamento urbano. Como diz a lei de Murphy não há nada que tão ruim que não possa piorar, Joinville e a sua gestão urbana é o melhor exemplo disso. 

1 de maio de 2014

Revogue-se o bom senso

Revogue-se o bom senso

Não há limite na ânsia de retroceder até a idade das trevas, os denominados antropocentristas cedem espaço para a sua ala mais radical os “imovelcentristas”.

Os imovelcentristas lançam uma nova ofensiva em que a ignorância e a idiotia são suas bandeiras de batalha. Esta demonstrado que a verticalização e o adensamento comprometem a qualidade da vida das cidades, edifícios mais altos reduzem a insolação e a ventilação, fazem as cidades mais insalubres, propiciam doenças e aumentam a poluição. A insuspeita OMS (Organização Mundial da Saúde) produz normas e parâmetros para garantir um mínimo de insolação de modo que mesmo nas cidades verticalizadas os seus habitantes possam receber 2  horas de sol no solstício de inverno.

Além dos percentuais mínimos estabelecidos pela OMS há também critérios e normas técnicas específicas, normas ISO, como a 6241 e NBRs, como a 10152 e a 15575. Para definir toda esta serie de requisitos e critérios estabelece ângulos máximos de obstrução, níveis máximos de intensidade sonora, de permeabilidade do vento, disponibilidade de áreas verdes, trajetos a serem percorridos a pé, distancia mínima entre as unidades habitacionais e os pontos de ônibus, princípios de segurança urbana referente a mobilidade e a e alturas de construção a serem seguidos na legislação urbanística, há uma relação direta entre a altura permitida e a largura das ruas, o que os técnicos denominam a calha da rua. Para poder aumentar a altura dos prédios é preciso que as ruas sejam mais largas, assim não se compromete a insolação.


Aqui em Joinville tem sido dado a ordem de ignorar a OMS, as ISO e as NBRs, estas organizações tão nocivas aos interesses defendidos pelo setor especulativo, o grupo conhecido pelo apelido da “Gangue do Tijolo”o os “Talibans do Concreto”. A falta de bom senso em geral deveria fazer supor que alguém que o tivesse proporia que a LOT cumpra os coeficientes mínimos propostos pelas normas técnicas e o bom senso para reduzir a cobiça dos de sempre e que seja possivel preservar um mínimo da salubridade e qualidade de vida.
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