3 de julho de 2013
‘O povo não vai se cansar de protestar’
Manuel Castells: ‘O povo não vai se cansar de
protestar’
Por que o senhor disse que os protestos brasileiros são um ponto de inflexão?
É a primeira vez que os brasileiros se manifestam fora dos canais tradicionais, como partidos e sindicatos. As pessoas cobram soberania política. É um movimento contra o monopólio do poder por parte de partidos altamente burocratizados. É, ainda, uma manifestação contra o crescimento econômico que não cuida da qualidade de vida nas cidades. No caso, o tema foi o transporte. Eles são contra a ideia do crescimento pelo crescimento, o mantra do neodesenvolvimentismo da América Latina, seja de direita, seja de esquerda. Como o Brasil costuma criar tendências, estamos em um ponto de inflexão não só para ele e o continente. A ideologia do crescimento, como solução para os problemas sociais, foi desmistificada.
O senhor vê algo em comum entre os protestos no Brasil e na Turquia?
Sim, a deterioração da qualidade de vida urbana sob o crescimento econômico irrestrito, que não dá atenção à vida dos cidadãos. Especuladores imobiliários e burocratas, normalmente corruptos, são os inimigos nos dois casos.
Por que o senhor disse que os protestos brasileiros são um ponto de inflexão?
É a primeira vez que os brasileiros se manifestam fora dos canais tradicionais, como partidos e sindicatos. As pessoas cobram soberania política. É um movimento contra o monopólio do poder por parte de partidos altamente burocratizados. É, ainda, uma manifestação contra o crescimento econômico que não cuida da qualidade de vida nas cidades. No caso, o tema foi o transporte. Eles são contra a ideia do crescimento pelo crescimento, o mantra do neodesenvolvimentismo da América Latina, seja de direita, seja de esquerda. Como o Brasil costuma criar tendências, estamos em um ponto de inflexão não só para ele e o continente. A ideologia do crescimento, como solução para os problemas sociais, foi desmistificada.
O senhor vê algo em comum entre os protestos no Brasil e na Turquia?
Sim, a deterioração da qualidade de vida urbana sob o crescimento econômico irrestrito, que não dá atenção à vida dos cidadãos. Especuladores imobiliários e burocratas, normalmente corruptos, são os inimigos nos dois casos.
Leia mais sobre esse assunto em O Globo
2 de julho de 2013
Miscigenação e diversidade (*)
Somos o que comemos. A nossa dieta influencia
não só nossos cultivos, pomares e hortas, influencia também o que somos e como
somos.
As mangueiras, mesmo integradas a paisagem brasileira, não estavam lá quando os primeiros colonizadores chegaram. A manga chegou ao Brasil da mão dos portugueses desde Goa, na Índia, provavelmente em 1700. O nosso abacaxi foi levado para o Havaí pelos americanos e lá prosperou e chegou ao ponto que tem até brasileiro que acredita que o nosso abacaxi é havaiano. A ameixa chegou aqui da mão dos japoneses e hoje é difícil encontrar um quintal sem um frondoso pé de ameixa.
Bananas, limões, laranjas e cocos formam parte desse grupo privilegiado de vegetais de origem indefinida, que se espalham pela maioria dos países tropicais e são considerados nativos em todos eles. Incorporados a sua culinária e gastronomia, se fazem presentes, nas mais diversas formas e receitas em todas as mesas.
O aipim, o chocolate e o amendoim atravessaram o oceano nos navios que buscavam escravos na África e de lá vieram o dendê e o quiabo. Estas rotas comerciais de ida e volta modificaram a alimentação e por tanto a cultura de países e continentes inteiros.
A batata e o milho atravessaram os Andes e se espalharam pelo mundo, constituindo a base da alimentação humana. O arroz, pela sua polivalência, é outro dos curingas da alimentação, é a base de paellas e risotos, ou de prosaico arroz com feijão, e se espalhou com facilidade da Ásia pelo mundo.
A uva chegou a América da mão da igreja, para suprir, inicialmente, sua necessidade de vinho para as celebrações religiosas. Há disputa pela origem dos primeiros vinhedos da América colonial, há quem os situe no vale do Ika em Peru, há quem insista em Chile ou em Argentina como os primeiros lugares em que se cultivou uva e se produziu vinho no continente.
A goiaba, o maracujá e o abacate, sem esquecer sua origem americana, também estão na maioria dos países tropicais e na forma de sobremesas, molhos, saladas ou bebidas são hoje produtos e sabores consolidados em todos os continentes.
Da mesma forma que nossa mesa é hoje o resultado desta miscigenação, a nossa sociedade reflete também essa mistura de origens, de culturas e de idiossincrasias. Somos todos o resultado dessa rica diversidade gastronômica, cultural e histórica.
As mangueiras, mesmo integradas a paisagem brasileira, não estavam lá quando os primeiros colonizadores chegaram. A manga chegou ao Brasil da mão dos portugueses desde Goa, na Índia, provavelmente em 1700. O nosso abacaxi foi levado para o Havaí pelos americanos e lá prosperou e chegou ao ponto que tem até brasileiro que acredita que o nosso abacaxi é havaiano. A ameixa chegou aqui da mão dos japoneses e hoje é difícil encontrar um quintal sem um frondoso pé de ameixa.
Bananas, limões, laranjas e cocos formam parte desse grupo privilegiado de vegetais de origem indefinida, que se espalham pela maioria dos países tropicais e são considerados nativos em todos eles. Incorporados a sua culinária e gastronomia, se fazem presentes, nas mais diversas formas e receitas em todas as mesas.
O aipim, o chocolate e o amendoim atravessaram o oceano nos navios que buscavam escravos na África e de lá vieram o dendê e o quiabo. Estas rotas comerciais de ida e volta modificaram a alimentação e por tanto a cultura de países e continentes inteiros.
A batata e o milho atravessaram os Andes e se espalharam pelo mundo, constituindo a base da alimentação humana. O arroz, pela sua polivalência, é outro dos curingas da alimentação, é a base de paellas e risotos, ou de prosaico arroz com feijão, e se espalhou com facilidade da Ásia pelo mundo.
A uva chegou a América da mão da igreja, para suprir, inicialmente, sua necessidade de vinho para as celebrações religiosas. Há disputa pela origem dos primeiros vinhedos da América colonial, há quem os situe no vale do Ika em Peru, há quem insista em Chile ou em Argentina como os primeiros lugares em que se cultivou uva e se produziu vinho no continente.
A goiaba, o maracujá e o abacate, sem esquecer sua origem americana, também estão na maioria dos países tropicais e na forma de sobremesas, molhos, saladas ou bebidas são hoje produtos e sabores consolidados em todos os continentes.
Da mesma forma que nossa mesa é hoje o resultado desta miscigenação, a nossa sociedade reflete também essa mistura de origens, de culturas e de idiossincrasias. Somos todos o resultado dessa rica diversidade gastronômica, cultural e histórica.
1 de julho de 2013
Inflação na pratica
AULA DE ECONOMIA
Os repórteres Fernanda Odilla e Filipe
Coutinho cavucaram uma cifra que poderia ajudar a doutora Dilma e o ministro
Guido Mantega a entender os fenômenos da inflação de serviços e da
prodigalidade com que se torra o dinheiro da Viúva.
Em nove pronunciamentos em cadeia nacional
feitos até dezembro passado, cada maquiagem da doutora custou R$ 400. Nos três
ocorridos entre dezembro de 2012 e março deste ano, cada serviço custou R$
3.125, uma alta de 681%. Nem quando Yara Iavelberg a levou para um corte no
famoso Jambert o realce custou tanto. Dinheiro público tem um zero a mais.
No seu salão paulista, Celso Kamura, que cuida
do visual da companheira em Brasília, cobra R$ 680 por um trato no cabelo e na
estampa. Em 1993 o presidente Bill Clinton pagou US$ 200 por um corte em Los
Angeles, enquanto o Congresso tesourava o Orçamento. Deu um bolo danado.
Por Elio Gaspari na Folha de São Paulo
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