21 de agosto de 2008

Modernização joinvilense

No jornal A Noticia de hoje dia 21 de Agosto, o texto de Douglas Neander Sambati consegue com clareza e concisão chamar atenção sobre o processo modernoso que Joinville atravessa, excelente a comparação tanto com o Brasil imperial, como com a atitude bestializada dos cidadãos, eu prefiro termos menos fortes, como omissa, alienada ou negligente. O importante é destacar que esta atitude da população permite e ainda estimula que Joinville, como cidade e os joinvilenses como comunidade, estejam atravessando uma fase de falsa modernidade, mas voltada a criar uma cidade cenográfica, que uma cidade real, em que as pessoas sejam o foco e o objetivo principal das ações de governo.

Modernização joinvilense.

Por motivos acadêmicos, acabei conhecendo a obra de José Murilo de Carvalho "Os Bestializados". No primeiro capítulo, o autor destaca como a recém-instalada república brasileira resolveu modernizar a cidade do Rio de Janeiro para mostrá-la ao mundo capitalista que se afirmava, inserindo o Brasil nesse mundo comercial e trazendo vantagens, é claro, para uma pequena elite economicamente mais forte daquela cidade.

É dentro desse contexto, de uma república criada não para trazer a população ao governo, mas para tirar o poder do monarca e colocar nas mãos dos mais ricos, que José Murilo afirma que os brasileiros assistiram ao processo "bestializados". Enfim, há coisas neste mundo que permanecem ao longo da história.

As atitudes dos governantes no Rio foram autoritárias, excluindo o que era "feio" do centro urbano e deixando de lado a população mais pobre, que acabou por se refugiar nos morros. O objetivo? Transformar a cidade em um cartão postal! Não havia uma preocupação social efetiva. E podemos ver esse processo na cidade de Joinville facilmente hoje!

A elite econômica e governamental joinvilense quer inserir a cidade no contexto moderno nacional, abrindo suas portas ao turismo de negócios a todo custo, usando métodos que cem anos atrás contribuíram para que a antiga capital nacional fosse o que é hoje.

De uma maneira autoritária, cria corredores de ônibus, sem nenhuma preocupação social constrói Centreventos, bulevares e vias gastronômicas, enquanto reclama de falta de verbas para a saúde pública e a educação. Há aproximadamente dois anos a Prefeitura não repassa as verbas de bolsas para a Univille: oportunizar estudo para a população carente não rende festas de inauguração.

Acontece que novamente acabamos bestializados, somos deixados de lado em favor do interesse econômico de uma pequena camada da população. Em nome de um pequeno grupo de empresários, gastam-se milhões que poderiam estar criando condições melhores de vida a uma grande parcela de joinvilenses. Qual a prioridade: a bela cidade de cartão-postal ou a cidade mais justa para seus moradores?

( dnsambati@gmail.com )

19 de agosto de 2008

Do blog do Reinaldo Azevedo


Pronto! Crescimento da arrecadação já corresponde aos R$ 40 bi da CPMF

No Estadão On Line:
A arrecadação do governo federal atingiu R$ 61,960 bilhões em julho, batendo mais um recorde no ano - o sétimo consecutivo -, segundo dados da Receita Federal do Brasil. Com isso, os impostos e contribuições recolhidos no ano chegam a R$ 396,934 bilhões, R$ 40,004 bilhões a mais do que no mesmo período de 2007. O valor equivale à estimativa de perdas com o fim da CPMF feita pelo governo no início do ano e já considera a correção da arrecadação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A arrecadação de janeiro a julho mantém a tendência de crescimento e dinamismo, além de ser recorde. O resultado registrado em julho é 15,59% maior que o registrado em julho de 2007, quando a receita arrecadou R$ 50,396 bilhões. Em termos porcentuais, o desempenho no mês passado foi o segundo maior crescimento em relação ao mesmo mês do ano anterior, perdendo apenas para a arrecadação de janeiro, que apresentou uma alta de 20,02% ante o primeiro mês de 2007.

Em nota, a Receita informa que o aumento do lucro das empresas em julho, puxado pelo crescimento da economia, foi uma das principais razões do crescimento da arrecadação. A arrecadação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) apresentou uma elevação real de 46,32% no mês, em comparação com julho de 2007. A arrecadação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), que também é cobrada das empresas, teve um aumento real de 27,19%.
A Receita Federal atribui o aumento da arrecadação ao desempenho favorável sobretudo de alguns setores da economia: combustíveis, extração de minerais metálicos, metalurgia, fabricação de veículos automotores, atividades auxiliares dos serviços financeiros, comércio atacadista, atividades dos serviços financeiros, construção de edifícios, telecomunicações e comércio e reparo de veículos.

A arrecadação do Imposto de Importação (II) também apresentou forte alta no mês - 31,88% -, seguida pela do Imposto de Importação (IPI) sobre automóveis - 29,57%. A arrecadação de IPI-Outros subiu 14,72%. Por causa do aumento das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), a arrecadação desse imposto apresentou, em julho, um aumento de 133,69% em relação à de julho de 2007. O governo reajustou as alíquotas do IOF para compensar a perda de arrecadação resultante da extinção da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

Ainda segundo a Nota Técnica da Receita, a arrecadação da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), que incide sobre o faturamento das empresas, aumentou 15,15%, e a do Programa de Integração Social (PIS), 15,69%.
As receitas administradas em julho somaram R% 57,362 bilhões, e as demais receitas (taxas e contribuições controladas por outros órgãos) totalizaram R$ 4,598 bilhões.

Da internet, eleições e eleitores



Um sujeito comprou uma geladeira nova. Para livrar-se da geladeira velha, colocou-a no gramado em frente à casa e pendurou um aviso dizendo: "De graça para um bom lar. Se a quiser, basta levá-la." A geladeira ficou lá três dias sem receber sequer um segundo olhar dos passantes. Finalmente, o sujeito chegou à conclusão de que as pessoas não acreditavam no que ele estava propondo. Parecia bom demais para ser verdade... Ele então mudou o aviso, que passou a ser: "Geladeira à venda, por $50 reais." No dia seguinte alguém a tinha roubado.
Esse tipo de gente vota...

Olhando uma casa, meu irmão perguntou à corretora de imóveis de que lado era o norte, porque, explicou ele, ele não queria que o sol o acordasse todas as manhãs. Ela perguntou, "O sol nasce no norte?" Quando meu irmão explicou que o sol nasce no Leste (e aliás há um bom tempo isso vem acontecendo), ela sacudiu a cabeça e disse "Ah, sabe, eu não me mantenho atualizada a respeito desse tipo de coisa."

Ela também vota!

Antigamente eu trabalhava em suporte técnico num centro de atendimento a clientes 24 horas por dia, 7 dias por semana. Um dia recebi um telefonema de um sujeito que perguntou em que horário o centro de atendimento estava aberto. Eu disse a ele "O número que o senhor discou está disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana." Ele respondeu: "Pelo horário de verão ou o normal?" Querendo acabar com o assunto rapidamente, respondi: "Horário de verão."

Ele também vota!

Meu colega e eu estávamos almoçando em nosso restaurante self-service quando ouvimos, por acaso, uma das assistentes administrativas falando a respeito das queimaduras de sol que ela havia tido ao ir de carro ao litoral no fim de semana. Ela tinha ido num conversível, mas "não pensou que ficaria queimada, pois o carro estava em movimento." Detalhe: ela não era loira!

Ela também vota!

Minha irmã tem uma ferramenta salva-vidas no carro dela. É uma ferramenta projetada para cortar o cinto de segurança se ela ficar enredada nele. Ela guarda a ferramenta no porta-malas.
Minha irmã também vota!

Meus amigos e eu fomos comprar engradados de cerveja e notamos que os engradados tinham desconto de 10 por cento. Compramos 2 engradados. O caixa multiplicou 10 por cento por 2 e nos deu um desconto de 20 por cento.

Ele também vota!

Saí com uma amiga e vimos uma mulher com um aro no nariz, atrelado a um brinco por meio de uma corrente. Minha amiga disse "Será que a corrente não dá um puxão a cada vez que ela vira a cabeça?" Expliquei que o nariz e a orelha de uma pessoa permanecem à mesma distância independentemente de para que lado a pessoa vira a cabeça.
Minha amiga também vota!

Eu não conseguia achar mi nha bagagem na área de bagagens do aeroporto. Fui, então, até o setor de bagagem extraviada e disse à mulher que minhas malas não tinham aparecido. Ela sorriu e me disse para não me preocupar, porque ela era uma profissional treinada e eu estava em boas mãos. "Apenas me informe," pediu-me, "o seu avião já chegou?"
Ela também vota!

Trabalhando numa pizzaria observei um homem que estava fazendo pedido de uma pizza para viagem. Ele parecia ser sozinho e o pizzaiolo perguntou se ele preferiria que a pizza fosse cortada em 4 ou 6 pedaços. Ele pensou durante algum tempo antes de responder. "Corte só em 4 pedaços; acho que não estou com fome suficiente para comer 6 pedaços."
Isso mesmo, ele também vota...


Agora você sabe quem elege os políticos!
E, os políticos, estão cansados de saber que tipo de eleitor os elege!

As praças e o verde (2)


Em quanto a prefeitura se empenha em procurar que a população esqueça a causa principal do estado em que se encontravam as praças publicas, que agora tem o seu piso trocado pela prefeitura. Nosso texto As praças e o verde já citamos que a construção de um novo banheiro publico, não teria sido necessária se o que existia anteriormente construído também com recursos públicos e que ficou abandonado durante anos frente a passividade do governo municipal.
Agora no que caracteriza um flagrante desrespeito ao contribuinte, que acaba pagando duas vezes por um sanitário que já existia e que foi demolido. O cidadão joinvilense vê como os seus recursos são jogados na lata do lixo.
Na imagem os sanitários públicos que foram demolidos, para ser construidos de novo.

Sem corrupção não há eleição ?



O texto de Rubem Alves, mesmo escrito em 2005, parece atual. Em Joinville é diferente? O que voce acha? Conhece algum caso de corrupção eleitoral?


Sem corrupção não há eleição

“Enquanto ouvia o depoimento do deputado Roberto Jefferson no Roda Viva, lembrei-me das palavras que Santo Agostinho escreveu há mais de 1500 anos: ‘ Que são as quadrilhas de ladrões senão pequenos reinos?’”

“O que me horrorizou não foi a corrupção desse ou daquele. Corrupções individuais estão previstas na lei e se curam por atos punitivos. E nem foi a suposta corrupção do PT através do “mensalão”. O que me horrorizou foi perceber com uma clareza que eu não tinha antes, que o jogo inteiro é construído pelo acordo tácito entre todos os que dele participam acerca da corrupção. Sem corrupção não há eleição! Sem corrupção, o jogo político, tal como é jogado, entra em colapso.”

“O que está em jogo é a Grande Corrupção, que equivale à grande subversão dos ideais da democracia. Estamos de volta às leis das quadrilhas de ladrões. As regras desse jogo são simples:

Primeira Regra : objetivo supremo do jogo político é a tomada do poder., da mesma forma como a essência do jogo econômico é o lucro. Ser político é lutar pelo poder.

Segunda Regra : uma vez tomado o poder o objetivo do jogo político é permanecer no poder. O político eleito já no dia da posse começa a planejar a sua reeleição.

Terceira Regra enunciada por Maquiavel: para se atingir o poder e permanecer nele o que importa não é a honestidade, mas o parecer ser honesto. A transparência é inimiga mortal do jogo do poder, da mesma forma como é mortal na guerra, a continuação da política por meio das armas. O que é necessário é que o povo acredite nos políticos que pedem o seu voto. Porque a tomada e a permanência do poder só se conseguem através das ilusões do povo. Se o povo não tiver ilusões sobre o jogo político ele se recusará a joga-lo. O povo vota num candidato na esperança de que ele lutará pelo bem comum. Sobre o bem comum falam os políticos em época de eleição.

Quarta Regra: para continuar no poder é preciso dispor de recursos financeiros para a campanha da reeleição que se seguirá. Daí a necessidade de alianças com as empresas que farão as doações. Mas, como é bem sabido, no sistema capitalista, ninguém dá dinheiro a troco de nada. É dar para receber.

Quinta Regra: Enquanto o jogo real da política acontece nos bastidores, longe dos olhos dos eleitores, no palco são mostradas as coisas boas que se fazem legal e administrativamente para o bem estar do povo. Se isso não acontecer haverá sempre o perigo de que algo semelhante à Revolução Francesa venha a acontecer, com cabeças sendo cortadas na guilhotina.

Ao final fiquei com uma pergunta não respondida. Resolvi consultar o santo. Feita a ligação perguntei-lhe: “ Santo Agostinho, meu querido mestre: se são as quadrilhas de ladrões que tem o poder, se são as quadrilhas de ladrões que estabelecem as leis, se não há esperança de que elas, as quadrilhas, voluntariamente, abram mão do poder e mudem as leis, o que pode ser feito para se ter um governo justo?” Do outro mundo o santo respondeu: “ Meu filho, você não leu o meu texto com atenção. Lá está explicada a origem da corrupção: se, pela inércia dos homens fracos este mal cresce ao ponto de se apropriar de lugares... Perdoe-me a palavra que vou usar, tão a gosto dos brasileiros, e tão estranha no meu mundo, o mundo da teologia: esse mal cresceu porque vocês, povo do Brasil, são uns bananas...” com estas palavras ele desligou o telefone.

Rubem Alves

"Sem corrupção não há eleição"

Jornal Correio Popular

26/06/05

De Guto Cassiano


Grandes obras de la literatura de ficcção, leia, conheça e divulgue.
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