13 de fevereiro de 2011

O Palco


O PALCO


O roteiro mal escrito da lei do IPTU nos possibilita muitas avaliações sobre o conteúdo e os atores envolvidos nesta pantomima, a começar pelo executivo na continua ampliação do modelo arrecadador para suprir seus passivos ou criar outros, inclusive projetos pessoais confirmando Rousseau que escreveu que “o estado se sustenta com o supérfluo do privado.”

Ao termo de enganados como se assumiram os legisladores municipais, esqueceram que é nas salas de aula que temos ensinamentos sobre matemática. Pelo que vemos nenhum deles se deu tempo de aplicar suas funções como somar, multiplicar e aferir os resultados da lei proposta.

O vereador Osmari Fritz confessa não conhecer o principio da função parlamentar de fiscalizar e criar leis a favor da sociedade, ao afirmar que “não nos foi dito o tamanho do impacto.” Aos vereadores na defesa e nas garantias democráticas cabe exigir que as leis sejam informadas não só de suas vantagens, mas também seus impactos econômicos, sociais ou ambientais na busca da cidade de qualidade e mais justa. Especificamente aos passeios recomendaria um debate não tão financista e mais urbanístico sobre a ordenação jurídica do sistema viário, onde ao estado cabem as garantias da circulação e de acessibilidade no espaço de sua servidão (de servir para), ao que o executivo resiste a décadas em assumir sua responsabilidade. Aos outros ditos dos camaristas surgem direções inúmeras, dos defensores do executivo que se amparam nas palavras “desentendimento ou aumento,” e dos acusadores ou dos inocentes em acreditaram na não aplicação de lei aprovada pelo próprio.

Nesse palco ainda fica clara a ausência dos principais atores, a sociedade civil que não assiste ao espetáculo que seus impostos sustentam, ficando refém dos resultados e agindo somente após tomar conhecimento da tragédia.
Se a simples aplicação de uma alíquota de 0,5% ou 2% pode gerar tamanha confusão ou revolta, surge à pergunta: todas as leis na Câmara de Vereadores são aprovadas com a mesma falta de critérios e de analises técnicas aprofundadas?

Foi assim na criação do Conselho da Cidade? Foi assim na Consolidação da 27/96? Foi assim no Macro-zoneamento? Será assim no EIV ou na Outorga Onerosa? Será assim na Lei de Uso e Ocupação do Solo? Será assim em muitas
outras?

A continuar o grau de subjetividades do pensar e construir a cidade, vista pelas propostas, apresentações, analises e fiscalizações, todos nós, os atores neste palco ficaremos cada vez mais sujeitos a toda ordem de riscos e de seus possíveis resultados.

Arno Kumlehn
Arquiteto Urbanista

12 de fevereiro de 2011

Urbanidade

Urbanidade é uma palavra interessante, por um lado faz referencia ao que é urbano, em oposição a ruralidade, de fato a partir que a população passo a migrar de uma forma maciça para as cidades, passamos a formar parte de uma sociedade urbana.

A mesma palavra se usa também para definir a forma de comportamento, inclusive passou a ser sinónimo de boas maneiras.

Os dois sentidos estão intimamente ligados, ao passar a viver em sociedades urbanas e compartilhar também espaços mais próximos, foi preciso estabelecer normas de comportamento, que servem para facilitar o relacionamento entre as pessoas.

Muitas das ações e atitudes que num meio rural, com uma densidade de população menor, poderiam ser toleradas, são hoje incompatíveis com a vida na cidade.

Por outro lado o conceito de urbanidade envolve também situações novas que são resultado da vida na cidade, resultado da verticalização e que influem na nossa educação e nas relações entre as pessoas.

Na medida em que avançamos no espaço dos demais, ou que com as nossas ações podemos interferir na vida dos outros, se cria uma linha tênue, quase invisível, que divide o agir com urbanidade ou ser um anti-social, um incivilizado, porque o sinônimo de urbanidade é civilidade.

Quando jogamos lixo na rua, quando no transito dirigimos de forma perigosa, mesmo que sem cometer nenhuma infração, ou quando mantemos a musica excessivamente alta, depois das 8 da noite.

Quando não mantemos limpa a nossa calçada, inclusive quando não cumprimentamos o vizinho que encontramos no elevador, estamos contribuindo para perder parte da civilidade, que é imprescindível para facilitar o convívio entre as pessoas que formam parte de uma comunidade.

A perda da qualidade de vida que tanto nos preocupa, não acontece de uma hora para outra, é o resultado de uma perda gradativa, de pequenas perdas, aos poucos deixamos de enxergar o muro grafitado, o papel no chão, o saco de lixo rasgado, O buraco na calçada, a sujeira, o abandono.

A cidade vai se deteriorando aos poucos, não tendo outros responsáveis que nos mesmos, que aos poucos vamos perdendo a educação, a urbanidade e depois de perder a civilidade, nos convertemos numa sociedade de incivilizados.

Publicado no jornal A Noticia

Calçadas de Joinville (1)




As belas imagens das calçadas da Rua Hermann August Lepper servem de lembrança de como o patrimônio publico é tratado. A falta de manutenção, como pode ser constatada, não é de hoje. Agora o nível de desídia alcança hoje patamares nunca antes vistos em Joinville.

Qual é a moral que o poder público tem para cobrar dos moradores a manutenção das suas calçadas, quando ele próprio é incapaz de cumprir a sua parte? Ou os prédios públicos são isentos perante a lei?

Porque Campanha é uma coisa e realidade outra...

11 de fevereiro de 2011

Para pensar acordado


“Para ( a Conurb) fazer blitz há pessoal, mas o policiamento de colégio, tarefa que a Polícia Militar vem fazendo, há a justificativa de que não tem agentes disponíveis”

Capitão Gelasio Pires 8 BPM

A Conurb parece mais interessada em garantir o faturamento para pagar a folha primeiro e em garantir a segurança na frente das escolas depois

Para pensar acordado


"Quem manda acha que pode fazer o que bem entende, neste Brasil para todos, quando olha para cima e vê que ali acontece tudo e ninguém nunca é culpado de nada."

J.R. Guzzo

O IPPUJ e a Fundema falam de permeabilidade...





"Quando dizemos que os empreendimentos terão de se adequar, falamos em menos áreas impermeáveis, por exemplo. O certo é o empreendedor, não só a Prefeitura, ter responsabilidade." Luiz Alberto Souza - Presidente do IPPUJ e do Conselho da Cidade

As imagens mostram que em quanto o discurso fala em permeabilidade a lei que o IPPUJ apoia e estimula, surge uma cidade cada dias
mais impermeável. Sem espaços verdes, sem arvores, sem calçadas para os pedestres e com a prioridade absoluta para o carro. Uma cidade cada vez menos sustentável e menos humana.

A distancia entre a realidade e o discurso ficou intransponível. A permeabilidade propalada fica só na conversa mole, de concreto mesmo, só o paver, o cimento e a impermeabilização da cidade.
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