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2 de agosto de 2009

O futuro de Joinville (*)

Faz mais de 15 anos, que um grupo se reunia para debater e pensar Joinville, como muitos outros o fizeram antes de nos e espero que o façam tambem depois. Naquele tempo éramos mais jovens e não tínhamos consciência que algumas coisas não poderiam ser feitas. Com o entusiasmo de uma época e de uma idade fizemos o que não deveríamos ter feito. Ousamos pensar uma Joinville diferente. Uma outra Joinville. Em lugar de pensar ou debater uma cidade possível, imaginamos uma Joinville impossível.


Dos debates e da troca de idéias, nasceu uma forma de pensar, que baseada numa acracia participativa e democratica, típica de idade e da imaturidade, se dedicou a sonhar uma outra Joinville. Sem estar atrelados, naquele tempo, a partidos ou grupos determinados, éramos livres para pensar, debater e propor. Sem ter que preocuparmos com o que seria ou não possível, ou caberia dentro de um orçamento, participativo ou não, ou de um plano de governo, aqueles livrinhos cheios de objetivos, que são distribuídos até a saciedade, em época eleitoral e permitem ver ao cabo de quatro anos, tudo que não foi feito. Depois o tempo cuidou que as ideais fossem absorvidas e descaracterizadas pelo “status quo”. E o sonho, não de construir uma cidade impossível, o sonho de sonhar uma cidade melhor, foi esvaindo se aos poucos.


A prefeitura contratou um Planejamento Estratégico, que coubesse no próximo plano de governo, gente boa inclusive, se empenhou em propor uma Joinville viável, o que seria possível, e as obviedades e platitudes ocuparam o lugar das idéias, a falta de visão foi ocupada por uma sucessão ordenada de objetivos, que conduzem com passo firme a mais do mesmo. O que poderia ter sido a “Primavera de Praga” acabou do mesmo modo que a original, com os tanques soviéticos ocupando as ruas, os grupos dispersando se e alguns próceres da nossa sociedade aparecendo na foto. Com o mesmo olhar que o caçador utiliza ao se fazer fotografar com o ultimo elefante abatido.


Existiu sim um tempo em que se pensou outra cidade, uma cidade melhor, não maior, nem inchada, uma cidade em que a qualidade de vida ocupasse um espaço maior, os valores fossem mantidos e a cidade fosse mais competitiva, mais justa e plural. Evidentemente faltou ao grupo compreender que este modelo de cidade, poderia enfrentar oposição, naqueles que durante décadas tem sido e continuam sendo os donos do pedaço. Vocacionados para a preservação do modelo atual. Com uma visão que dificilmente supera o horizonte dos 4 anos do mandato do prefeito. Que se concentra no que é possível, no que pode ser feito.


Faltou a aquele grupo, saber que não poderia ser alcançado, e como não sabíamos, fizemos. Sonhamos uma outra Joinville,hoje estamos de volta a esta realidade, tão diferente daquele sonho platônico. “O futuro tem muitas formas. Para os incapazes é o inalcançável. Para os criativos é uma oportunidade.”

2 de junho de 2009

O Instituto Joinville


Interessante e digna de apoio à iniciativa de retomar as atividades do Instituto Joinville. Se o Instituto consegue singrar o caminho complexo de não ser um instrumento partidário, de uns ou de outros. De uns para atingir outros. Ou daqueles que quando foram governo o ignoraram e agora vem nele uma oportunidade política.


Este tipo de empreitadas, historicamente tem pouco sucesso, ou porque se convertem em instituições chapa branca e perdem com isto a credibilidade da sociedade, que deveria ser o seu maior patrimônio. Ou porque optam por um caminho de oposição permanente, transvertida de propostas para melhorar a cidade. O que origina conflitos desnecessários.


Esta é uma equação, que não tem solução fácil, se busca, como já o fez no passado o apoio do poder publico, perde a isenção e a liberdade necessárias para que o seu trabalho prospere. Passa a ser um instrumento de um partido e de um momento político. Se a escolha for a de se manter a margem do “status quo”, será vista sempre como uma instituição sem compromisso com a governabilidade e com a Joinville possível. As suas propostas dificilmente serão consideradas e provavelmente nunca sejam implantadas. A liberdade tem um preço alto, não só o da eterna vigilância, como o de um elevado custo econômico, para manter viva e atuante uma instituição que se propõe objetivos tão altos e tão meritórios.


A sinuca do instituto não é fácil de resolver e os parcos resultados obtidos até agora, só aumentam o desafio do grupo que esta assumindo a responsabilidade de dirigi-lo neste momento. Parece interessante, aproveitar o entusiasmo da nova diretoria, para fazer uma analise dos objetivos e metas. Olhando para os erros e acertos do passado e avaliando o risco para a cidade de partidarizar uma instituição que deveria ter na sua isenção e na sua independência do poder publico a sua força e o seu esteio.


Um foro aberto, para debater uma cidade desenvolvida e moderna, competitiva e justa. Uma cidade impossível. Não é um desafio fácil de ser alcançado. Desejemos sorte, sabedoria e temperança aos que assumem.

31 de maio de 2009

O Futuro foi ontem



O instigante texto de José Antonio Baço, publicado no Anexo D, do jornal A Noticia, com o titulo 2020 é logo ali...” me faz lembrar do Pensando Joinville e do Instituto Joinville que o sucedeu.


Faz mais de 15 anos que um grupo se reunia para debater Joinville, naquele tempo éramos mais jovens e não tínhamos consciência que algumas coisas não poderiam ser feitas. Com o entusiasmo de uma época e de uma idade fizemos o que não deveríamos ter feito. Ousamos pensar uma Joinville diferente. Uma outra Joinville. Em lugar de pensar ou debater uma cidade possível, imaginamos uma Joinville impossível.


Dos debates e da troca de idéias, nasceu uma forma de pensar, que baseada numa acracia participativa e democratica, típica de idade e da imaturidade, se dedicou a sonhar uma outra Joinville. Sem estar atrelados, naquele tempo, a partidos ou grupos determinados, éramos livres para pensar, debater e propor. Sem ter que preocuparmos com o que seria ou não possível, ou caberia dentro de um orçamento, ou de um plano de governo, aqueles livrinhos cheios de objetivos, que foram distribuídos até a saciedade, em época eleitoral e permitem ver tudo ou que não foi feito. Depois o tempo cuidou que as ideais fossem absorvidas e descaracterizadas pelo “status quo”. E o sonho, não de construir uma cidade impossível, o sonho de sonhar uma cidade melhor, foi esvaindo se aos poucos.


A prefeitura contratou um Planejamento Estratégico, que coubesse no próximo plano de governo, gente boa inclusive, se empenhou em propor a Joinville viável, o que seria possível, e as obviedades e platitudes ocuparam o lugar das idéias, a falta de visão foi ocupada por uma sucessão ordenada de objetivos, que conduzem com passo firme a mais do mesmo. O que poderia ter sido a “Primavera de Praga” acabou do mesmo modo que a original, com os tanques soviéticos ocupando as ruas, os grupos dispersando se e alguns próceres da nossa sociedade apareceram na foto. Com o mesmo olhar que o caçador utiliza ao se fazer fotografar com o ultimo elefante abatido.


Existiu sim um tempo em que se pensou outra cidade, uma cidade melhor, não maior, nem inchada, uma cidade em que a qualidade de vida ocupasse um espaço maior, os valores fossem recuperados e a cidade fosse mais competitiva, mais justa e plural. Evidentemente faltou ao grupo compreender que este modelo de cidade, poderia enfrentar oposição, naqueles que durante décadas tem sido e continuam sendo os donos do pedaço. Vocacionados para a preservação do modelo atual. Com uma visão que dificilmente supera o horizonte dos 4 anos do mandato do prefeito. Que se concentra no que é possível, no que pode ser feito.


Faltou a aquele grupo, saber que não poderia ser alcançado, e como não sabíamos, fizemos. Sonhamos uma outra Joinville,hoje estamos de volta a esta realidade, tão diferente daquele sonho platônico. “O futuro tem muitas formas. Para os incapazes é o inalcançável. Para os criativos é uma oportunidade.”

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